PALAVRA DO ECONOMISTA

Agenda Econômica – 04/03 à 08/03

Principais eventos e indicadores

Veja aqui os eventos da próxima semana

Destaques da semana

Nesta semana a agenda econômica foi pautada principalmente por dados relacionados a atividade econômica. Foram divulgados os dados de emprego do trimestre finalizado em janeiro e o produto interno bruto do quarto trimestre de 2018.

Nos dados de emprego, a taxa de desocupação cresceu de 11,6% no trimestre terminado em dezembro para 12,3% em janeiro. Em termos dessazonalizados, houve relativa estabilidade em 12,2%. Tal desempenho reforça o cenário de fragilidade do mercado de trabalho.

Conforme escrito em nossos outros relatórios sobre atividade econômica, houve perda do dinamismo no segundo semestre de 2018 frente ao primeiro, fenômeno que se intensificou no último trimestre. No mercado de trabalho não foi diferente. A população ocupada, que vinha em trajetória ascendente, em termos dessazonalizados, retrocedeu em dezembro e ficou estável em janeiro e dada a relativa estabilidade da PEA, também em termos dessazonalizados, levou a um aumento da taxa de desemprego desde meados de setembro até a leitura de janeiro de aproximadamente 0,2 p.p na métrica com ajuste sazonal.

Os ganhos salariais também apresentam baixo dinamismo, em nossa opinião, devido principalmente à composição das vagas criadas, composta em grande parte por informais, que têm como característica rendimentos mais flexíveis.

O CAGED, por sua vez, que nas publicações anteriores mostrava situação pouco melhor do mercado de trabalho com retomada das contratações formais, divergindo dos dados da PNAD, na última publicação do dia 28/02 mostrou uma deterioração na quantidade de vagas criadas, convergindo para um cenário mais próximo ao apresentado pela PNAD.

Por fim os dados do produto do quarto trimestre de 2018 mostraram um crescimento reduzido. Na série com ajuste sazonal, o avanço foi de 0,1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. O valor ficou abaixo da nossa expectativa e do mercado que esperava crescimento de 0,2%. No acumulado em quatro trimestres, ou neste caso, o fechado de 2018, o resultado foi 1,1%. Nossa expectativa de era de 1,2%.

Destacamos na ótica da demanda a perda de dinamismo no consumo das famílias a partir do 2T2017, quando atingiu seu melhor ritmo de recuperação desde o início da recessão em 2015. Este bom desempenho do consumo na época se deu principalmente aos efeitos da liberação do FGTS. Após este período o consumo vem desacelerando de forma gradual e nesta leitura apresentou crescimento de 0,4% ante 0,5% do trimestre imediatamente anterior na série ajustada sazonalmente. Tal efeito é consequência, em nossa opinião, como destacado acima de um mercado de trabalho mais fragilizado.

Outro ponto que nos chama atenção são os dados referente à Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF) que apresentou queda na margem de -2,5% ante o trimestre anterior. Na comparação contra o mesmo período do ano anterior o crescimento foi de 3,0% e no acumulado do ano a agremiação cresceu 4,1%. A despeito do crescimento no acumulado em 4T os dados de FBKF mostraram tendência bastante erradica durante todo o ano de 2018.

Em linhas gerais, o resultado do 4T18 reforça a percepção de perda de dinamismo da economia brasileira ao longo do segundo semestre de 2018, assim como o cenário prospectivo de retomada muito gradual.

Para 2019 colocamos em revisão nossa projeção de crescimento de 2,5% com viés de baixa. Tal revisão é baseada em diversos fatores que em nossa opinião devem limitar a retomada da demanda de forma cíclica, como o consumo das famílias que deverá apresentar comportamento modesto devido a recuperação precária do mercado de trabalho. O investimento, por sua vez, apesar da retomada da confiança e das menores taxas de juros, deve ter crescimento limitado devido à ainda alta ociosidade de produção em diversos setores, em especial na indústria. Por fim, o setor externo, que havia sido driver importante de crescimento nos últimos anos, deverá ser impactado, por um lado, pela recuperação da demanda interna, mesmo que de forma lenta. E, por outro, pela desaceleração do crescimento global, notadamente na China, que é nosso maior parceiro comercial atualmente.

Neste sentido, vislumbramos que 2019, assim como 2018, será caracterizado pelo baixo crescimento do produto e inflação abaixo da meta, apesar da política de juros baixos praticada pelo Banco Central. Projetamos 3,9% para o IPCA e 6,5% para a taxa SELIC no final de 2019.

Próxima semana

Para a próxima semana a agenda econômica será reduzida devido ao feriado de carnaval. Os destaques recaem sobre a publicação do IPC-Fipe e do IGP-DI ambos referentes ao mês de fevereiro. Nossa projeção para o IPC-Fipe é de taxa de inflação de 0,48% e de expansão maior para o IGP-DI de 1,17% devido em grande parte às pressões nos preços ao produtor, como por exemplo o minério de ferro.

 

Rafael G. Cardoso, economista-chefe
rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro
antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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