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Eleita a capital cultural da Europa Em 2010, a Istambu é considerada uma das mais interessantes e diversas da atualidade.

Vale dar um aviso importante a quem pretende embarcar para Istambul, a mais cosmopolita das cidades turcas: dobre o valor investido na viagem. Não por se tratar de um destino caríssimo, mas o conselho é válido porque Istambul é um lugar para se fazer pequenas e grandes extravagâncias. Sim, não há exagero em dizer que Istambul, tão repleta de opções, é uma cidade apaixonante e, não por acaso, foi eleita a capital cultural da Europa em 2010. Isso significa que a cidade receberá não só uma programação, mas atenção especial do mundo, no ano que vem.

E o título é merecido. Durante o dia, Istambul revela traços esplendorosos de Bizâncio e de Constantinopla. Depois que o sol se põe, demonstra que tem uma agitada vida noturna, com atrações tão diversas que vão de assistir aos dervishes rodopiantes, que usam túnicas brancas e promovem um ritual religioso parecido com uma dança, até se perder entre as centenas de bares, situados lado a lado, nos bairros de Sultanahmet e Taksim, que podem ser percorridos a pé. Já as llhas dos Príncipes têm um estilo mais rústico, e o único carro que roda por ali é puxado por cavalo, tudo rodeado por ótimos restaurantes e belas praias.

Os turcos são conhecidos por serem tão simpáticos como os brasileiros, além de serem vendedores natos. Eles fazem de tudo para puxar os viajantes para dentro de lojas e restaurantes. Isso ocorre a qualquer hora, em todo o lugar. Com gentileza que chama a atenção, o lado bom de toda essa cordialidade é que ela é o melhor guia para penetrar no mundo do Islã.

A beleza das mesquitas

Graças à cosmopolita Istambul, o visitante perceberá que essa combinação de religião com modo de vida é muito interessante. Sim, há mulheres de burca nas ruas, mas elas não são a maioria. Em lugar de longas e fechadas roupas pretas, o que se vê pelas vias de nomes impronunciáveis é um colorido festival de véus cobrindo a cabeça de jovens a idosas. E todas as mulheres que quiserem conhecer uma das 2,5 mil mesquitas existentes na região terão de fazer o mesmo: cobrir o corpo e descalçar os pés.

São tantas mesquitas que, aonde quer que se vá, há uma no horizonte. Diante de uma oferta tão rica, é obrigatório visitar a Ayasofya e a Sultan Ahmet Camii, a Blue Mosque (Mesquita Azul), situadas uma de frente para a outra, separadas apenas por um enorme jardim. Em algumas épocas do ano, a caminhada fica repleta de tulipas, flor originalmente turca, que enfeitam essa cidade muçulmana que para e reza cinco vezes ao dia.

Não importa sua crença: não visitar as mesquitas é um pecado tão grave como ir ao Vaticano e não conhecer a Basílica de São Pedro. Nesse caso, chegue cedo ao bairro de Sultanahmet, onde fica a Santa Sofia, conhecida por Ayasofya. Trata-se de um dos mais expressivos edifícios da arquitetura bizantina já construídos. Ayasofya data de 532 e foi erguida para ser a catedral de Constantinopla. Depois, foi convertida em mesquita e, em 1935, foi transformada em museu.

Já a Mesquita Azul, erguida de 1603 a 1617, é a maior da cidade e tem esse nome por conta de suas telhas interiores azuis, raras de se ver. A construção é uma obra de arte do arquiteto otomano Sedefkâr Mehmet Aga e impressiona tanto de dia quanto de noite, quando a iluminação transporta o visitante para um filme noir.

A poucos metros fica a Yerebatan Cistern, cisterna subterrânea que data de 532. Segundo a lenda, é o maior reservatório de água do período bizantino. Ao descer por suas escadas, os visitantes se impressionam com a imagem sensacional que têm, ressaltada principalmente pelo efeito das luzes.

Vida de sultão

Como se trata da maior cidade da Turquia, com mais de 10 milhões de habitantes, a forma que Istambul terá diante dos olhos depende do tempo que se tem para explorá-la. Para quem tem poucos dias, é obrigatório conhecer outras obras-primas, como o Palácio de Topkapi, construído por Mehmet II, após a conquista de Constantinopla.

O luxuoso endereço, que leva mais de uma tarde para ser visitado, foi residência dos sultões por três séculos. Vale a pena comprar um bilhete extra para conhecer o espaço mais esperado e reservado do local, o Harém, que revela como viviam as concubinas e a mãe do sultão. Muitos azulejos azuis, peças de ouro e lendas rondam o lugar, que é, definitivamente, um dos mais ricos de Istambul.

Saindo de lá, uma boa opção é caminhar rumo ao Grand Bazaar que, certamente, reserva horas inesquecíveis em um dos mais antigos mercados cobertos do mundo. Aberto em 1461, conta com mais de 1,2 mil lojas e quase 60 ruas. Perder-se por ali é fácil, por isso, vale anotar o nome da entrada pela qual se passou.

Lenços, joias, chás e cerâmicas enchem os olhos dos visitantes, que precisam aprender a barganhar antes de fechar negócio. A pedra azul-turquesa, de turquoise (ou seja, de Turquia), é o grande tesouro local. No mercado, ela pode ser vista em diferentes tamanhos.

Novos sabores

Para quem se interessa por culinária, o melhor endereço da cidade é o Spice Bazaar, que vende chás de romã, laranja, rosas e outros sabores deliciosos, além dos “Turkish Delight”, uma espécie de geleia de corte, que são verdadeiros delírios turcos. Os de pistache e avelã são os mais concorridos. Em cada banca há uma quantidade enorme de bandejas para degustação.

A gastronomia turca é uma das mais ricas do mundo. Sua mesa oferece desde carne de carneiro, um hit da região, até peixes. No cardápio, começando pelo café da manhã, é possível apreciar alimentos como tomate, pepino, damascos e pêssegos, pães com muito gergelim e beber o ayran (iogurte salgado). Chá é comum a qualquer hora e em qualquer lugar. De romã ou laranja, os mais populares, acompanhando muito mel.

Prazer nas águas

Outra tradição local é o banho turco – lá chamado de hamam. Uma das casas de banho mais famosas da cidade é a Cemberlitas Hamami, que oferece o tradicional banho, com direito a massagem, esfoliação e uma espécie de sauna.

Antes de ir embora, vale também um passeio de barco pelo Bósforo, estreito que liga o mar Negro ao mar de Mármara e separa o lado europeu do asiático. Embora o lado europeu seja mais interessante que o asiático, vale a pena conhecer para admirar as centenas de bandeiras turcas espalhadas pelo caminho.

A inigualável Capadócia

Nenhum outro lugar no mundo se parece ou lembra a Capadócia, conhecida por suas formações rochosas longilíneas que, do alto, dão forma a picos que remetem a cogumelos, chapéus e chaminés. A forma que a Capadócia tem hoje começou a se estruturar há cerca de 3 milhões de anos, consequência da erupção de dois vulcões.

Situada a 700 quilômetros de Istambul, a distância compensa cada metro deixado para trás. Para ter noção do que é essa imensidão, uma boa dica é começar com um inesquecível passeio de balão. Lá de cima, a vista é surpreendente e até mesmo surrealista. São castelos, casas, igrejas e até hotéis esculpidos nas rochas.

Göreme, pequena cidade que serve de base para explorar a região, chama a atenção por suas formações rochosas e antigas habitações escavadas nas pedras. É lá que fica o Museu ao Ar Livre de Göreme, que reúne dez igrejas em cavernas, adornadas com lindíssimos afrescos do período Bizantino. Um tema recorrente nas igrejas da região é São Jorge com seu dragão. Não deixe de adentrar a Apple Church, lá chamada de Elmali Kilise, com afrescos datados do século 11. A Capadócia, diferentemente de Istambul, não é um local cosmopolita nem voltado às compras. É um ponto de encontro com o passado e com a natureza.

Texto Françoise Terzian Fotos Arthur Simões

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