PALAVRA DO ECONOMISTA

COPOM: corte da taxa SELIC segue no radar condicionado a andamento das reformas

COPOM de maio/19

Veja o relatório em PDF aqui

Ontem o COPOM decidiu por unanimidade manter a taxa SELIC em 6,5% como era amplamente esperado por nós e pelo mercado. Apesar da decisão em linha com o esperado, o BCB trouxe algumas novidades na comunicação.

Em primeiro lugar, o Comitê reforçou a leitura de atividade econômica decepcionante e sugere que não tem havido ganho de tração este ano. Em outras palavras, isto sugere maior hiato durante maior tempo e, portanto, viés baixista para a inflação prospectiva.

“Indicadores recentes da atividade econômica sugerem que o arrefecimento observado no final de 2018 teve continuidade no início de 2019. ” Comunicado do COPOM, maio/19.

Tal fato levou o balanço de riscos para um patamar marginalmente mais confortável (mais propicio ao corte), apesar de ainda continuar simétrico. Tal movimento dá continuidade aos outros passos do BCB que nos últimos meses vem se tornando mais dovish.

“O Comitê avalia que, embora o risco associado à ociosidade dos fatores de produção tenha se elevado na margem, o balanço de riscos para a inflação mostra-se simétrico.” Comunicado do COPOM, maio/19.

Por fim, no parágrafo onde o BCB pontuava que voltaria a observar a economia no curto prazo, há um destaque para a questão da incerteza, o que o COPOM não havia destacado nas comunicações passadas. A comunicação atual do BCB sugere que ainda há grau de incerteza relevante e que deverá aguardar sua redução para terminar sua reavaliação da conjuntura econômica.

“Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente. O Comitê julga importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, com menor grau de incerteza e livre dos efeitos dos diversos choques a que foi submetida no ano passado. ” Comunicado do COPOM, março/19.

“Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente. O Comitê julga importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, livre dos efeitos remanescentes dos diversos choques a que foi submetida no ano passado e, em especial, com redução do grau de incerteza a que a economia brasileira continua exposta.” Comunicado do COPOM, maio/19.

Esta comunicação, em nossa opinião, está se referindo ao andamento da Reforma da Previdência, ou seja, a aprovação/encaminhamento da reforma que geraria a redução do grau de incerteza. Se for este o caso, o provável corte de juros fica condicionado ao andamento da reforma.

Conclusão, a avaliação do BCB em relação a conjuntura é marginalmente mais dovish, como sinalizado pelo melhor balanço de riscos. Entretanto, o possível link entre corte de juros e reforma da previdência deve postergar uma ação do BCB mesmo se respaldado por dados de inflação, expectativa e atividade.

Desta forma, esperamos cortes de juros ainda este ano, dado que acreditamos que a reforma deva caminhar no Congresso. Neste sentido a taxa SELIC deve atingir 5,5% no final de 2019.

 

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

 Antônio Castro

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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