PALAVRA DO ECONOMISTA

IPCA: inflação de serviços segue em baixa apesar de choques pontuais

IPCA de abril/19

Veja o relatório em PDF aqui

O IPCA de abril variou 0,57% em relação ao mês anterior, abaixo do esperado por nós (0,64%) e pelo mercado (0,62%). A abertura do indicador indica que o as altas dos grupos Alimentação e Bebidas e Transportes verificado nas últimas leituras de inflação está se dissipando. Além disso, a inflação de serviços que despertou preocupações no início do ano voltou a patamar confortáveis em termos anualizados. Por outro lado, o grupo Saúde e Cuidados Pessoais acelerou na margem e representou impacto importante. Outro ponto marginalmente negativo desta leitura foi a aceleração dos núcleos, que apesar de não preocupar, deve ser monitorada de perto nos próximos meses.

Os alimentos no domicílio que vinham sendo pressionados por vários choques começa a apresentar alguma dissipação na margem especialmente em cereais, leguminosas e oleaginosas. Neste sentido, o grupo Alimentação e Bebidas já exerce impacto bem menor no índice fechado (0,16p.p. em abril frente 0,34p.p. em março). A alta em Transportes, ainda que em menor intensidade frente ao mês passado, reflete os efeitos da variação do câmbio e petróleo sobre o preço de combustíveis dada a política de preços da Petrobras. Além disso, houve menor alta de etanol e de transporte público. Já a alta de Saúde e Cuidados Pessoais foi devido especialmente ao reajuste de medicamentos que já era esperado para o mês e representou o principal impacto (0,18p.p.) no índice fechado.

As métricas com viés mais qualitativo, por sua vez, mostraram certo avanço na margem mais uma vez, mas ainda em patamar bastante confortável. A média dos núcleos acumulados em 12 meses e a média trimestral dessazonalizada e anualizada avançaram de 3,12% e 3,35% para 3,39% e 3,79% respectivamente. Já a inflação de Serviços e Serviços subjacentes, continuaram arrefecendo na média trimestral dessazonalizada e anualizada, saindo de 3,38% e 3,86% para 3,17% e 3,23% respectivamente.

Em linhas gerais, o IPCA de hoje foi pouco melhor que o esperado devido a dissipação dos choques recentes pouco mais intensa do que o estimado. Além disso, a inflação de serviços, que veio a ser o principal ponto de preocupação no início do ano, retrocedeu sensivelmente. Do lado negativo podemos pontuar a aceleração dos núcleos nos últimos meses, mas que não gera preocupações devido ao baixo nível atual de tais métricas e ao fato de entendermos ser uma pressão pontual que deve ser revertida adiante.

Com isso não há grandes alterações para o cenário prospectivo durante o ano. Em maio a inflação acumulada em 12 meses, segundo nossas projeções, deverá permanecer nos patamares atuais, entretanto, já em meados de julho deverá ceder para próximo a 3,5%. Para o fechado do ano de 2019 mantemos nossa expectativa de 3,9% de taxa de inflação (IPCA).

Neste cenário, de retomada gradual da atividade econômica, baixa inflação e apoiado na mais recente comunicação do Banco Central do Brasil esperamos que o COPOM inicie um novo ciclo de queda da taxa SELIC ainda este ano a levando para 5,5% no final de 2019.

 

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

 

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