ENTRETENIMENTO

Joias verdes por toda parte

Conscientes de que a sofisticação não pode prescindir da sustentabilidade, arquitetos apostam em soluções parceiras da natureza. O resultado são construções que fazem bem aos olhos sem prejudicar o meio ambiente.

“Você deve ser a mudança que gostaria de ver no mundo.” Quando disse essa frase, há mais de cem anos, o líder e pacifista indiano Mahatma Gandhi não poderia imaginar que ela representaria uma grande causa em pleno século 21, a da sustentabilidade. Se transportado para os dias atuais e relacionado à questão da preservação do meio ambiente, o pensamento poderia ser traduzido em poucas palavras: basta ter vontade e atitude para construir um futuro melhor.

Em arquitetura, esse raciocínio não é diferente. Belas formas e traços ousados deixaram de ser características suficientes para definir um bom projeto – falta um toque de verde nessa combinação. Atualmente, os profissionais do setor podem lançar mão de uma série de alternativas que ajudam a preservar a natureza, como sistemas de captação da energia solar, reúso da água, iluminação natural e telhados verdes, entre outras. Quanto mais completo for o projeto nesse sentido, maiores são as chances de a construção obter selos sustentáveis. Um dos mais respeitados é o LEED – Leadership in Energy and Environmental Design, criado pelo Conselho de Construção Sustentável dos Estados Unidos (USGBC). Presente em mais de 130 países, a certificação começou a ser aplicada no Brasil há cinco anos e visa contribuir para o desenvolvimento da indústria da construção sustentável. A seguir, conheça construções ecologicamente corretas mundo afora.

Natureza sem fronteiras

Desativada desde 1980, uma linha de trem histórica que passava sobre as ruas de Nova York corria o risco de ser demolida. No entanto, bastou um novo olhar para que fosse preservada e transformada em um dos parques mais visitados da cidade: o High Line. O corredor suspenso, que se estende por 1,6 km, ganhou vegetação densa e oferece uma bela vista para a paisagem ao redor – um contraste com o cenário cosmopolita nova-iorquino. Bancos de ipê brasileiro e peruano, elevadores, escadas rolantes, mais de 50 mil mudas de plantas e luminárias de LED, mais eficientes, compõem a nova paisagem.

Fruto de uma parceria entre os escritórios James Corner Field Operations e Diller Scofidio + Renfro, o cartão-postal oferece ar puro e incentiva o contato com a natureza. O complexo tem ainda uma característica curiosa: os trilhos originais foram preservados e podem ser observados entre os canteiros, planejados pelo paisagista holandês Piet Oudolf. A reforma da linha férrea foi desenvolvida em três fases. A primeira foi inaugurada em 2009 e a última será aberta em 2013.

Estufa gigante

A estrutura parece ter saído de um filme de ficção científica e desperta curiosidade. Os olhos se voltam para as grandes bolhas climatizadas, que abrigam espécies vegetais de diferentes localidades, como Brasil, Malásia, Chile e Estados Unidos. O Eden Project, maior estufa do mundo, fica em Cornwall, no Reino Unido, em uma área de 23 mil metros quadrados e foi planejado pelo arquiteto britânico Nicholas Grimshaw.

As cúpulas são feitas com um filme plástico transparente chamado de ETFE e ficam apoiadas sobre estruturas de aço – cada uma abriga exemplares de plantas com necessidades e características diferentes. O material é muito mais leve que o vidro – equivale a apenas 1% de seu peso, característica que contribuiu para reduzir o tempo e, principalmente, o custo da obra.

Sustentabilidade em casa

Com 300 metros quadrados, esta morada localizada em Ericeira, 35 quilômetros a noroeste do centro de Lisboa, foi desenhada pelo arquiteto português Jorge Graça Costa para um tricampeão de surfe, sua mulher e suas duas filhas. A implantação do projeto foi estudada de acordo com a orientação solar e a incidência do vento, para garantir conforto térmico naturalmente, dispensando o uso de equipamentos que consomem energia elétrica. “Nosso interesse mútuo pela questão da sustentabilidade nos permitiu desenvolver um projeto completo”, afirma o profissional.

O projeto da casa é composto de um pátio central cercado por dois braços laterais, que formam um grande U. A piscina também foi posicionada de maneira estratégica: no verão, suas águas evaporam e ajudam a refrescar os espaços. Um sistema de captação de água da chuva foi instalado para que o recurso pudesse ser empregado na limpeza e na rega do jardim. O arquiteto também optou por usar placas coletoras de energia solar. Para o isolamento térmico, a solução encontrada foi a cortiça.

Agradável encontro

Primeiro arranha-céu de Nova York a receber a certificação LEED, em 2006, a Hearst Tower é mais uma criação surpreendente do arquiteto britânico Norman Foster. Ele projetou uma torre de 42 andares sobre um prédio com traços da art déco erguido em 1928, que abrigava a empresa de comunicação Hearst Corporation. O miolo da antiga edificação foi demolido, restando apenas as paredes laterais. A partir daí, o profissional optou por uma estrutura metálica leve e trançada, o que consumiu 20% menos aço que uma armação tradicional e representou uma economia sem precedente. O prédio é repleto de soluções sustentáveis, como sistemas que ajudam a reduzir em até 25% o consumo de energia elétrica e o telhado com coletores de água da chuva. O recurso é utilizado na queda d’água do lobby, responsável por umidificar o ambiente. Aproveitamento da luz natural, devido aos grandes panos de vidro; iluminação automatizada; e poucas paredes, característica que favorece a circulação de ar, também fazem parte do admirável projeto.

Ideia do futuro

O projeto batizado de Bionic Arch é mais uma invenção do arquiteto belga Vincent Callebaut, famoso por suas soluções ousadas e em sintonia com a natureza. A torre de uso comercial será construída com o intuito de garantir um ar mais puro à cidade de Taichung, em Taiwan, e terá formato orgânico, como o de um arco. O destaque, porém, é o conjunto de plantas que colorem a fachada. De acordo com o profissional, a ideia é desenvolver uma paisagem vertical e transformar as unidades em verdadeiros jardins suspensos.

A obra, prevista para ser finalizada em dezembro de 2016, pro – mete não emitir gases causadores do efeito estufa. As plantas também serão responsáveis por absorver CO2 e, assim, purificar o ar. Quando concluído, o prédio de 119 metros de altura produzirá sua própria energia, por meio de sistemas que captarão a luz solar e a força do vento. “O projeto será um novo ícone do desenvolvimento sustentável no coração de Taiwan”, afirma Callebaut.

Floresta vertical

Duas torres sustentáveis transformaram a paisagem de Milão, na Itália. Elas têm 110 e 76 metros de altura e compõem a primeira floresta vertical do mundo, batizada de Bosco Verticale. O projeto, elaborado pelo arquiteto italiano Stefano Boeri, está em fase de construção e promete incentivar a relação entre meio ambiente e arquitetura.

De uso residencial, o condomínio tem varandas repletas de plantas – ao todo, são 900 exemplares de até 9 metros de altura, além de arbustos e flores. No verão, as árvores farão sombras nos apartamentos e filtrarão a poeira, enquanto no inverno serão iluminadas pelos raios solares. Segundo o profissional, o intuito é absorver grandes quantidades de CO2 e proporcionar uma vida mais saudável aos moradores da região.

As edificações ainda serão equipadas com sistemas de energia eólica e solar fotovoltaica, o que dispensa o uso da eletricidade. A água usada na limpeza e nas máquinas de lavar roupas será armazenada em um sistema coletor, para ser tratada e reutilizada na rega dos jardins.

Renovação e ousadia

Os profissionais do escritório de arquitetura Chartier-Corbasson tinham um desafio nas mãos: criar uma extensão da Câmara Regional de Comércio e Indústria da cidade de Amiens, no norte da França. O prédio antigo, com traços do estilo art nouveau, foi conectado à nova construção por um grande átrio, responsável por garantir iluminação e ventilação aos espaços.

Brises metálicos instalados na fachada sul são usados para regular a entrada de luz e deixam os ambientes mais frescos. Na face oposta, é possível avistar um grande jardim vertical. As plantas ajudam a manter o conforto térmico no interior do prédio e contribuem para melhorar a qualidade do ar.

Texto Juliana Duarte

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