PALAVRA DO ECONOMISTA

IPCA-15: deflação em alimentos contribui para inflação baixa em junho

IPCA-15 – Junho/2019

Veja o relatório em PDF aqui

O IPCA-15 de junho variou 0,06% em relação ao mês anterior, pouco acima do esperado por nós (0,04%) e pouco abaixo da expectativa do mercado (0,07%) segundo mediana das expectativas da Bloomberg. Com este resultado, o índice acumula alta de 3,84% no acumulado em 12 meses.

Na abertura do indicador vemos que a principal agremiação responsável por este resultado mais contido dos preços foi Alimentação no domicílio (-0,13 p.p.). Tal deflação é resultado da devolução da alta de preços que houve nos meses de março e abril devido a choques de oferta em algumas categorias como Cereais, leguminosas e oleaginosas; Tubérculos, raízes e legumes; Hortaliças e verduras e Frutas. Para os próximos meses, os dados do atacado sugerem continuidade da tendência de devolução do choque de preços de alimentos ao consumidor.

As métricas com viés mais qualitativo, continuaram a mostrar retração na margem, a média dos núcleos caiu de 0,27% em maio para 0,20% em junho. E permanecem ainda em patamar bastante confortável no acumulado em 12 meses (de 3,51% em maio para 3,35% em junho). Já a inflação de Serviços e Serviços subjacentes apresentaram alta de 0,25% e 0,08% na margem e de 4,06% e 3,85%, respectivamente, no acumulado em 12 meses. Esperamos que a inflação de serviços acumulada em 12 meses ceda ao longo dos próximo meses e volte ao patamar próximo de 3,5% em meados de julho/agosto.

Em linhas gerais, o IPCA-15 de hoje confirmou a passagem do choque de preços de alimentos em ritmo maior que o imaginado anteriormente. Além disso, as pressões positivas ficaram centradas em preços administrados que tem comportamento menos atrelado a demanda.  Já as métricas qualitativas continuam com comportamento benigno e devem continuar arrefecendo nos próximos meses.

Com isso não há grandes alterações para o cenário inflacionário corrente e prospectivo durante o ano. Em meados de julho a taxa acumulada em 12 meses deverá ceder para próximo a 3,5%. Para o fechado do ano de 2019 mantemos nossa expectativa de 3,9% de taxa de inflação (IPCA).

Neste cenário, de retomada gradual da atividade econômica, baixa inflação e apoiado na mais recente comunicação do Banco Central do Brasil esperamos que o COPOM inicie um novo ciclo de queda da taxa SELIC em julho a levando para 5,5% no final de 2019.

 

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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