PALAVRA DO ECONOMISTA

Macro Alerta | IPCA: Bandeira tarifária verde e combustíveis contribuem para inflação mais contida

IPCA de junho/19

Veja o relatório em PDF aqui

O IPCA de junho variou 0,01% em relação ao mês anterior, pouco acima do esperado por nós (0,0%) e do mercado (-0,02%). Com este resultado o índice acumula alta de 3,36% no acumulado em 12 meses.

Na abertura do indicador, vemos que as principais agremiações responsáveis por este resultado mais contido dos preços foi: Alimentação no domicílio (-0,06 p.p.); Energia elétrica residencial (-0,04 p.p.); e Combustíveis para veículos (-0,14 p.p.). A deflação em alimentação no domicílio é resultado da devolução da alta de preços que houve nos meses de março e abril devido a choques de oferta em algumas categorias como Cereais, leguminosas e oleaginosas; Tubérculos, raízes e legumes; Hortaliças e verduras e Frutas. Para os próximos meses, os dados do atacado sugerem fim da devolução do choque de preços de alimentos ao consumidor.

A queda nos preços de energia elétrica residencial é resultado da alteração da bandeira tarifária de amarela para verde em junho. A queda nos preços de combustíveis reflete os efeitos da variação do câmbio e petróleo sobre o preço de combustíveis dada a política de preços da Petrobras, o item avançou 2,01% em maio, para cair -2,41% em junho gerando um impacto negativo de -0,14 p.p. que por um lado foi minimizado pela alta de preços no transporte público de 1,76% que gerou um impacto positivo de 0,08 p.p..

Fonte: IBGE – Elaboração: Daycoval Asset

Já as métricas com viés mais qualitativo mostraram certo avanço na margem, mas de forma contida. Por outro lado, a média dos núcleos acumulados em 12 meses e a média trimestral dessazonalizada e anualizada recuaram de 3,40% e 3,72% para 3,23% e 3,37% respectivamente. A inflação de Serviços e Serviços subjacentes, apresentaram comportamentos distintos. Serviços recuou na margem, na média trimestral dessazonalizada e anualizada, saindo de 4,26% para 3,99%, enquanto serviços subjacentes avançou, na mesma métrica de 3,70% para 4,06%. Para os próximos meses esperamos continuidade do comportamento benigno que deverá levar tais categorias a rodar mais próximo a 3,5% em meados de julho.

Em linhas gerais, o IPCA de hoje foi em linha com o esperado devido a dissipação dos choques recentes e efeitos benignos de energia elétrica e combustíveis, conforme destacamos na última edição deste relatório.

Com isso não há grandes alterações para o cenário prospectivo durante o ano.  Em julho a inflação acumulada em 12 meses, segundo nossas projeções, deverá se aproximar de 3%. Para o fechado do ano de 2019 mantemos nossa expectativa de 3,9% de taxa de inflação (IPCA).

Neste cenário, de retomada gradual da atividade econômica, baixa inflação e apoiado na mais recente comunicação do Banco Central do Brasil esperamos que o COPOM inicie um novo ciclo de queda da taxa SELIC ainda este ano a levando para 5,5% no final de 2019.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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