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ENTRETENIMENTO

Aventure-se na Rota das Emoções

Regido pela dinâmica da natureza, o roteiro, que passa pelo Maranhão, Piauí e Ceará, conecta paraísos tropicais com paisagens pouco exploradas e oferece uma boa dose de adrenalina.

O tom verde-esmeralda das quase cinco mil piscinas naturais que se intercalam na imensidão de dunas parece uma miragem em um deserto de horizonte infinito. Os contornos da paisagem que logo se materializam aos olhos de quem visitam o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses formam uma daquelas cenas tão incomuns que chega a ser difícil compará-lo a outros cartões-postais do Brasil – e mesmo do mundo. O nome do parque criado em 1981 vem de uma imagem poética: há quem diga que, vistas de longe, as curvas que se formam na sucessão de dunas de areia branca lembram grandes lençóis estendidos ao vento.

A sensação de nunca ter experimentado algo parecido é compreensível. Nessa região do país, as temperaturas são mais intensas, as águas mais cristalinas e as marés seguem os caprichos da lua, avançando e recuando quilômetros a cada meia dúzia de horas. O vento forte esculpe falésias e redesenha a paisagem diariamente. Mesmo que uma pessoa visite os Lençóis Maranhenses centenas de vezes, o cenário será sempre inédito, com as areias delineadas por curiosas formas e grafismos de rara beleza.

Bem ali, em meio às montanhas de areia recriadas o tempo todo, começa um roteiro que promete panoramas singulares: praias, desertos, manguezais, reservas de água doce e salgada, pescados frescos e a chance de passar a noite em vilarejos repletos de silêncio.

 

Paraíso tropical

Batizada de Rota das Emoções, a viagem que conecta o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (MA), a Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba (PI) e o Parque Nacional de Jericoacoara (CE) é uma prova de que o Nordeste tem muito mais a oferecer que o simples relaxamento em praias paradisíacas. A ideia ali é ir além do óbvio: sacolejar em um off road por terrenos íngremes, caminhar por cantos inexplorados do “deserto brasileiro”, navegar contornando ilhas e igarapés e quem sabe até se render a uma aula de kitesurf embalado pelos melhores ventos da costa brasileira.

O passeio é oferecido por agências especializadas em veículos 4×4. O percurso tem cerca de 800 quilômetros, que podem ser percorridos em sete dias ou mais. Como os roteiros são personalizados, o ritmo depende do interesse e da disponibilidade de cada visitante. O mais interessante da rota, porém, é fazer pausas demoradas, conhecer atrações menos famosas, partilhar almoços simples e sem pressa com moradores locais e colecionar pores do sol em paisagens particulares. Há operadoras que oferecem experiências integradas ao tour tradicional, como uma travessia com estadia em comunidades dos Lençóis Maranhenses ou traslados de bicicleta no Piauí.

 

 

Deserto brasileiro

Uma das portas de entrada para o Parque Nacional Lençóis Maranhenses é o município de Barreirinhas, a 277 quilômetros da capital, São Luís.

A cidade de 55 mil habitantes oferece pousadas aconchegantes, flats e até um resort, o Porto Preguiças, com chalés espalhados por um campo de carnaúbas, culinária apurada e piscina com fundo de areia do rio Preguiças emoldurando a propriedade. A partir dali, a exploração dos Lençóis segue em clima mais rústico. O período de maior visitação da região é entre maio e agosto, época de chuva no Nordeste, quando as lagoas ficam cheias. Todos os dias, vários jipes partem de Barreirinhas levando turistas até os chamados Grandes Lençóis, onde estão as principais lagoas do parque. A Azul é uma das mais disputadas, por causa de sua cor vibrante e águas fartas. Vizinha dela, a lagoa do Peixe permite mergulhos o ano inteiro e serve de abrigo a peixinhos que logo se misturam aos visitantes, sem cerimônia alguma. Já a lagoa Bonita é a maior da região. Para chegar até ela, é preciso vencer uma duna de 30 metros de altura. Como o nome já sugere, o esforço compensa. A maior parte dos veículos que adentra o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses chega, no máximo, até ali. Um desperdício. Quem está fazendo a Rota das Emoções, no entanto, tem a opção de explorar cenários mais reservados e silenciosos, com direito a mergulhos demorados.

Cenário mutante | Diariamente, veículos partem de Barreirinhas, uma das portas de entrada para o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, rumo aos Grandes Lençóis, onde estão lagoas como a Bonita (acima), que faz jus ao nome. Abaixo, as dunas entremeadas por cursos d’água que compõem a paisagem

 

Com uma área praticamente igual à da cidade de São Paulo, o parque é um imenso deserto. Além de dunas, seus 155 mil hectares abrigam mangues, restingas, lagoas, 70 quilômetros de litoral e povoados entregues ao sabor do vento. Considerado uma formação geológica rara no planeta, merece ser explorado com calma.

Com uma área praticamente igual à da cidade de São Paulo, o parque é um imenso deserto. Além de dunas, seus 155 mil hectares abrigam mangues, restingas, lagoas, 70 quilômetros de litoral e povoados entregues ao sabor do vento. Considerado uma formação geológica rara no planeta, merece ser explorado com calma.

 

Labirinto de areia

Resolvemos aceitar o convite para deixar o carro em Barreirinhas e encarar uma travessia de 54 quilômetros pelo parque a pé. O percurso foi feito em quatro dias de muito sobe e desce, passando por formações de areia dourada, lagoas azuis e outros cenários reservados apenas aos visitantes dispostos a pôr o pé na areia, literalmente. A missão exige certa disposição para vencer dunas de até 50 metros de altura em um verdadeiro labirinto. Só os nativos conseguem se localizar naquele ambiente em que o horizonte parece mudar o tempo todo. Os pacotes das agências que operam a Rota das Emoções incluem um guia especializado em navegação, capaz de conduzir os aventureiros com segurança.

Apesar do desafio de uma travessia sem trilha, aos poucos o deserto vai revelando suas recompensas. Uma delas é a oportunidade de passar a noite em áreas de restinga verdejantes, repletas de buritis e cajueiros, que abrigam vilarejos totalmente rústicos, como Atins. A vila de pescadores serve de ponto de partida para a nossa caminhada. Saindo de Barreirinhas, navegamos uma hora pelo rio Preguiças até sua foz no Atlântico, onde acessamos a pacata vila com ruas de areia. A primeira surpresa do caminho é o contraste das praias desertas e montanhas de areia branca com a abundância dos pés de açaí e outras árvores às margens dos igarapés que atraem aves migratórias.

 

O povoado recebe turistas vindos de longe, como franceses, italianos e alemães, que se hospedam na única pousada do lugar, a Rancho do Buna, ou na casa de moradores. Apesar do clima hospitaleiro, a maioria dos viajantes está ansiosa para pôr o pé na areia. Era também o nosso caso.

Logo no começo do percurso, nos deparamos com um bom motivo para a primeira pausa: o camarão da cabana da Luzia, ainda em Atins. Marinado com um tempero secreto, é servido grelhado, tenro e com uma casquinha crocante. O cardápio inclui ainda cabra, galinha caipira e peixe assado. Apesar da tentação, não abuse dos prazeres da mesa. A jornada está apenas começando. Poucos quilômetros de caminhada depois, começamos a cruzar as lagoas do parque, muitas de cores inimagináveis, múltiplos tons de verde, azul e amarelo, um cenário quase irreal.

A ordem para o dia seguinte é cumprir o trecho de caminhada antes do almoço, pois as tardes são muito quentes. Acordar antes das cinco da manhã não parece tão ruim quando se tem a chance de observar o tom prateado das lagoas pelo efeito da luz da lua e as cores vibrantes do amanhecer. Com a missão devidamente cumprida, é hora de desacelerar após o almoço e se entregar a mergulhos e às histórias dos moradores de lugares como Baixa Grande e Queimada dos Britos, vilas de criadores de cabras seminômades. Aqui, a rusticidade das instalações é compensada pelo excesso de autenticidade. Na última parada, em Britos, um veículo está à nossa espera para a etapa seguinte da viagem.

 

No caminho das águas

O próximo ponto alto do roteiro está escondido no pequeno litoral do Piauí, a cerca de 200 quilômetros de distância de Queimada dos Britos, mais especificamente na Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba, na divisa do estado com o Maranhão.

Essa área é formada por um complexo emaranhado de canais, que ligam cinco grandes braços de rios e abraçam 77 ilhas fluviais. Trata-se do terceiro maior delta oceânico do mundo, perdendo apenas para o Nilo (Egito) e o Mekong (Vietnã). Apesar da exuberância, a região ainda é pouco explorada, ficando reservada a viajantes mais determinados, que se rendem a navegações silenciosas entre florestas impenetráveis, manguezais, ilhas e dunas que compõem um complexo ecossistema.

Ao chegar ao município de Parnaíba (PI), o carro é deixado de lado novamente. O único problema ali é decidir entre tomar um banho de rio ou mar. Para tirar a dúvida, embarcamos em uma lancha rápida até a foz do Rio Parnaíba, que se desdobra em três braços, formando um triângulo, ou delta, para desaguar em mar aberto. Os arredores são repletos de mangue vermelho, habitado por jacarés, aves raras e caranguejos.

Na Ilha das Canárias, uma das várias ao longo do rio, os caranguejos são servidos em porções fartas. No fim do dia, o espetáculo fica por conta dos guarás, pássaros de cor escarlate que sobrevoam a região pintando o céu com seu colorido intenso. A dica aqui é voltar cedo para aproveitar a noite no Hotel Casa de Santo Antônio, um belíssimo imóvel tombado, com suítes elegantemente decoradas e um jardim com piscina, banheira e sala de massagem.

Delta do Parnaíba | Acima, o pôr do sol acentua a beleza do Delta do Parnaíba, região formada por um emaranhado de canais. Abaixo, uma das elegantes suítes do Hotel Casa de Santo Antônio, em Parnaíba, que faz parte da associação Roteiros de Charme e está instalado em um imóvel colonial

 

Mais um pouco de sacolejo em meio aos terrenos acidentados do Delta do Parnaíba e chegamos a Barra Grande, a 50 quilômetros de Parnaíba. Nessa tranquila cidadezinha, além de se deixar hipnotizar pelas manobras radicais dos praticantes de stand-up paddle, a dica é fazer um passeio pelo mangue e conhecer de perto uma colônia de cavalos-marinhos. Na maré seca, é possível fazer o tour a pé.

Uma das melhores dicas de estadia ali é a pousada BGK, que oferece bangalôs suspensos por palafitas com vista para o mar. Trata-se de uma típica hospedagem praiana em meio a coqueirais, com clima caiçara e arquitetura rústica. A pousada oferece cursos de kitesurf e aulas de stand-up paddle, uma ótima forma de encerrar o dia. À noite, escolha entre o badalado bar de praia da pousada, ou o restaurante La Cozinha, indicado para quem prefere clima intimista e um cardápio mais refinado.

 

Alma hippie

Na última parte do roteiro está Jericoacoara (CE), que já se tornou um dos destinos mais cobiçados do Nordeste. Praticamente inacessível por veículos convencionais, encanta pela combinação de praias, lagoas, dunas, falésias e predominância de dias ensolarados ao longo do ano. A maior parte dos visitantes, assim como nós, chega de veículo com tração nas quatro rodas, essencial para vencer os terrenos íngremes. Saindo de Barra Grande, foram 185 quilômetros a bordo do nosso incansável 4×4.

Protegida por uma colossal formação de dunas, a antiga vila de pescadores, que há décadas faz sucesso entre viajantes aventureiros, tardou a cair no gosto dos turistas de malas de rodinha. A instalação de pousadas caprichosas, como a Vila Kalango, tratou de tornar o destino mais acolhedor. Atualmente, a região é repleta de restaurantes, casas de shows e bares descolados.

Apesar da badalação, a pesca artesanal ainda faz parte do cotidiano do lugar, que preserva a atmosfera hippie e exige um pouco de disposição para vencer o acesso difícil e as ruas de areia. Nada que não seja devidamente compensado pelas belezas das praias de águas mornas, tranquilas e cristalinas, rodeadas de dunas brancas.

Dois dias são suficientes para conhecer os atrativos principais. O script ali inclui mergulhar na Lagoa Azul, com areia fina e simpáticos guarda- sóis de buriti, caminhar até o pórtico da Pedra Furada, curiosa rocha em forma de arco, tirar uma soneca nas redes estendidas no meio da Lagoa do Paraíso e passar alguns minutos em silêncio no alto da Duna do Pôr do Sol.

Todas as atrações fazem parte do pacote principal da Rota das Emoções e podem ser acessadas em 4×4 ou buggies.

Explore Jericoacoara com calma e se arrisque em experiências inusitadas, como uma pedalada até a Praia de Tatajuba, onde uma antiga vila de pescadores foi encoberta pelas dunas nos anos 1980. Do lado da vila que desapareceu, foi construída a Nova Tatajuba, que atrai turistas em busca de uma alternativa mais tranquila.

À noite, aproveite para curtir a luz do luar ao som de jazz no restaurante Naturalmente ou provar peixes frescos no jardim do restaurante Tamarindo.

Jeri também é famosa pelos esportes de natureza e tem algumas das melhores escolas de kitesurf do país. A Praia do Preá, por exemplo, é perfeita para a prática desse esporte e uma ótima opção para se despedir da Rota das Emoções deslizando por águas cristalinas, movido pelos fortes ventos que sopram do continente africano.

 

SERVIÇO

INFORMAÇÕES
Conheça os principais atrativos da Rota das Emoções rotadasemocoes.com.br

OPERADORAS
Natur Turismo
Oferece roteiros personalizados a partir de sete dias, com opções de hospedagem mais rústicas ou de alto padrão. Pode incluir esportes de aventura, como a travessia a pé pelos Lençóis
Maranhenses e trechos de bicicleta. naturturismo.com.br

HOSPEDAGEM
E-Group
Oferece opções de hospedagem de charme e escolas de kitesurf e windsurf em vários trechos do roteiro. As opções da rede são: Porto Preguiças, em Barreirinhas (MA), pousada BGK, em Barra Grande (PI), Ilha dos Poldros, em Parnaíba (PI), e Vila Kalango, em Jericoacoara (CE). egroup.net.br | portopreguicas.com.br | bgk.com.br | ilhadospoldros.com.br | vilakalango.com.br

Atins (Lençóis Maranhenses – MA)
Rancho do Buna ranchodobuna.com

Parnaíba (Delta do Parnaíba – PI)
Hotel Casa de Santo Antônio mvchoteisdecharme.com.br

 

Texto: Camila Fróis

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O Daycoval tem a honra de patrocinar e participar do projeto Veneza, de Miguel Falabella

O Banco Daycoval tem a honra de patrocinar e participar das operações de câmbio para viagem do projeto Veneza, de Miguel Falabella – EM BREVE NOS CINEMAS!

 

Conhecer a Veneza sempre foi o maior sonho de Gringa (Carmen Maura), uma cafetina dona de um bordel no sul do Brasil. Lá, ela espera reencontrar seu único e verdadeiro amor. Rita (Dira Paes), provável herdeira de Gringa, e Tonho (Eduardo Moscovis), protetor do bordel, decidem realizar esse sonho. Juntos, eles precisarão superar todos os desafios para levar Gringa à romântica cidade italiana.

Roteiro de Miguel Falabella

Adaptação livre da obra teatral de Jorge Accame

O cinema no Brasil viveu uma grande transformação nestes últimos 20 anos. Demos um salto de qualidade técnica e artística, nitidamente notado pelo público, que passou a prestigiar o filme nacional. Temos, também, a crescente participação de produtores nacionais, gerando novos conteúdos para os diferentes canais de comunicação, registrando nossa história.

Parceiro, e patrocinador de filmes, o Banco Daycoval, participou de forma ativa junto às produções que realizamos: S.O.S. Mulheres ao Mar 2 e Veneza, contribuindo para o audiovisual brasileiro.

Giovanna Antonelli, Reynaldo Gianecchini, Fabíola Nascimento, Dira Paes, Miguel Falabella, dentre outros, são talentos que viveram carinhosamente a participação do Banco. O Daycoval viajou sempre conosco com seu cartão viagem em moeda estrangeira, promovendo o envio internacional de valores, viabilizando os pagamentos internacionais que foram necessários.

Um Viva ao Blog Daycoval Cinema! Um Viva ao Banco Daycoval!

Por Julio Uchôa

 

Faça como esse grande elenco e utilize o Daycoval em suas viagens internacionais.  Seja dinheiro em espécie ou cartão pré-pago em moeda estrangeira, o Daycoval tem a solução para você viajar tranquilo. Para mais informações, acesse

www.daycovalcambio.com.br ou ligue 0300 111 2009.

 

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Expedição Conexão Schurmann Patagônia

Buscar a excelência a todo minuto, seja numa avaliação de crédito, seja no atendimento ao cliente, no desenvolmento de soluções tecnológicas de ponta, em estar sempre junto com o seu cliente, oferecendo o que há de melhor independentemente de como esteja o cenário. Assim é o Banco Daycoval.

E assim também são os projetos desenvolvidos pela Família Schurmann, comandada pelo capitão Vilfredo Schurmann, em suas voltas pelo mundo, desbravando o desconhecido e fazendo o seu trabalho com muita excelência.

Por esse motivo o Banco Daycoval apoia a Conexão Patagônia, a mais nova expedição desse intrépido grupo de exploradores e que levou, para os confins do mundo, nossos produtos e serviços de câmbio turismo, como moeda estrangeira em espécie e nossos cartões pré-pagos em moeda estrangeira.

 

 

 

Conexão Schurmann: a ideia foi abrir a nossa “casa” o veleiro Kat, para pessoas que não estão acostumadas à esse tipo de aventura e à vida no mar para viverem emoções no nosso estilo. Um grupo de quatro personalidades e influenciadores digitais embarcaram para ter experiencia única, em uma das regiões mais belas e inóspitas do planeta. Durante oito dias, os novos tripulantes, Carla Salomão, Aisha Mbikila, Flavio Samelo e Gianluca Perino, aprenderam o que é a vida em um veleiro no extremo do planeta.

 

A aventura iniciou na cidade de Ushuaia, Argentina com uma escalada ao Glaciar Vicinguerra, a 800 metros de altura. Uma expedição repleta de dificuldades, com mais de 8 horas e 14 quilômetros de caminhada e escaladas em baixo de uma nevasca e temperaturas extremas. Esse foi o primeiro teste! Os próximos seis dias foram de navegação, passando por Puerto Williams e Puerto Toro (cidade mais austral do planeta) até cruzarmos o alto mar chegando no temido “Cabo Horn”, cemitério de mais de 800 barcos e 10 mil almas. Esse momento marcou os participantes da Conexão Schurmann – Patagônia, e acabou sendo umas das experiencias mais transformadoras na vida de cada um. A cada local explorado descobríamos algo novo e inusitado, como no vilarejo de Puerto Toro, com 36 habitantes, onde conhecemos a dura vida dos pescadores de Centolla (caranguejo gigante). Durante a navegação avistamos golfinhos e nos emocionamos com as baleias de 15 metros, ao lado do barco.

 

No dia a dia, o grupo vestiu a camisa de “tripulante” e participou de todas funções a bordo com as noções básicas de navegação, treinamento de segurança, e as tarefas do dia a dia: arrumaram e organizaram o deck do barco, lavaram os banheiros, limparam o interior e a cozinha. E quando estávamos navegando ajudaram nas funções de içar as duas velas, manobrar o leme, abaixar e levantar ancora, e ajudar na navegação visual pelo canal de Beagle. Aprenderam o desapego, a viver de forma simples respeitando o meio ambiente.

 

Essa experiência foi compartilhada nas redes sociais dos participantes assim como da Família Schurmann, e foi filmada por uma equipe de profissionais, o que se tornará um programa especial no National Geographic Channel.

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Restaurantes de alta gastronomia se rendem a ingredientes orgânicos

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Em busca de oferecer opções mais saudáveis e reduzir o impacto no planeta, restaurantes de alta gastronomia se rendem a ingredientes orgânicos, culinária natural e práticas sustentáveis.

Reinvenção da cozinha nórdica

Situadas no Atlântico Norte, entre a Islândia e a Escócia, as Ilhas Féro e pertencem à Dinamarca. Embora suas belas paisagens ainda sejam pouquíssimo conhecidas, o arquipélago com apenas 47 mil habitantes tem se destacado em veículos de gastronomia recentemente, aguçando a atenção e o paladar dos apreciadores da boa mesa. Isso porque o restaurante Koks acaba de conquistar sua primeira estrela no Guia Michelin Países Nórdicos 2017.

Paisagem selvagem das Ilhas Féroe: as águas geladas do Atlântico Norte provêm os frutos do mar, as algas e os pescados utilizados no preparo dos pratos servidos no premiado Koks. O menu inclui criações como o ouriço-do-mar com sementes de salsa em conserva e a bexiga crocante de bacalhau.

 

Culinária Ilhas Feroé

 

Inaugurado em 2011, o Koks fica em Streymoy, a maior e mais populosa ilha de Féroe. O restaurante abriu as portas assumindo o compromisso com a sustentabilidade e a identidade dos ingredientes locais. A proposta está alinhada aos princípios do movimento Nova Cozinha Nórdica, cujo manifesto não só destaca a importância do uso de matérias- primas saudáveis e métodos de cultivo sustentáveis, mas também enfatiza a responsabilidade social e global do setor de alimentos. Desde então, ano após ano, o Koks vem recebendo menções nos mais conceituados guias gastronômicos da Dinamarca e de outros países da Europa.

No Koks tudo é feito à moda antiga, com muita paciência e respeito à sazonalidade. Os processos incluem secagem de alimentos, salga, defumação e fermentação. Devido ao clima frio da Escandinávia, os ingredientes demoram a crescer e amadurecer, o que dá a eles, segundo o chef Poul Andrias Ziska, um sabor excepcionalmente rico. Nascido e criado ali, Ziska trabalhou em diversas cozinhas premiadas, entre elas a do Geranium, em Copenhague, detentor de três estrelas Michelin, e do espanhol Mugaritz, em San Sebastián, que tem duas estrelas

Michelin e ocupa o 7o lugar na lista dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo no ranking feito pela revista inglesa Restaurant.

Nas receitas do chef dinamarquês são utilizados frutos do mar, peixes e algas vindos do mar selvagem e gélido da região. Estão no cardápio, por exemplo, o bacalhau com molho de mexilhão azul e a couve-flor com creme de rabanete e molho de vieiras. Entre as sobremesas, destaca-se a musse de algas com chocolate escuro cristalizado e mirtilo. A paisagem deslumbrante das Ilhas Féroe já faz valer a pena enfrentar o frio intenso, ainda mais quando é possível ver a aurora boreal no céu da capital, Tórshavn. Mas agora há mais um motivo para pegar um avião rumo ao arquipélago: conhecer a original e inventiva gastronomia praticada no Koks.

 

Cada detalhe importa

Desde o início, nos acostumamos a questionar criativamente: como reciclar? O que poupar? Quando procurar sinergia? A partir daí, o caminho em direção a uma abordagem ética e sem concessões em tudo o que fazemos foi quase natural.” É assim que o chef Christian Puglisi resume a proposta do Relæ. Localizado na rua Jægersborggade, umas das mais gastronômicas de Copenhague, o restaurante foi criado em 2010 por Puglisi, que nasceu na costa da Sicília, na Itália, e mudou-se para a Dinamarca ainda garoto. Alimentos produzidos de forma sustentável, com valores éticos, e que impressionam pela criatividade são os pilares do Relæ. Mais de 90% dos ingredientes dos pratos são orgânicos. Até mesmo o sal utilizado é produzido sem aditivos químicos. O salão tem estilo rústico e informal, e a casa procura manter baixos os níveis de emissão de gases que causam o efeito estufa.

restaurant-relae

As criações do Relæ são inspiradas na cozinha nórdica e na origem italiana do chef. Legumes, cereais, frango e peixes são as bases das receitas. Alguns exemplos são os cogumelos com amêndoas e pão de fermento, a truta em folhas secas e a cebola cozida em água de bétula. “Temos nossa própria fazenda orgânica, a 45 minutos de Copenhague, que abastece o restaurante com legumes e vegetais”, diz o chef. O Relæ conta ainda com uma padaria própria. “É de lá que vêm os pães – todos orgânicos – que servimos.” Detalhe: o transporte dos ingredientes da fazenda ao restaurante é feito de bicicleta. Em breve, a casa vai ampliar a oferta de alimentos em sua propriedade e passará a criar algumas espécies de animais.

A preocupação com uma atividade menos impactante para o planeta está presente também no salão. Tanto as cadeiras quanto as mesas do Relæ são recicladas, e as lâmpadas são de LED, até 70% mais econômicas que as convencionais. Até mesmo a louça é produzida localmente por um ceramista baseado a poucos metros do restaurante. E tem mais: as sobras de comida são doadas a um centro comunitário e a uma associação de produtores de orgânicos. O material é usado em compostagem. O engajamento do chef passa também pela questão social. Uma equipe treinada por ele desenvolve receitas saudáveis em escolas públicas da capital dinamarquesa e oferece cursos gratuitos de culinária.

Todos esses valores e a conduta “sem concessões”, como Puglisi faz questão de reforçar, trouxeram ao restaurante diversas conquistas importantes. Por dois anos consecutivos (2015 e 2016), o Relæ recebeu o Prêmio Restaurante Sustentável, que reconhece o estabelecimento da lista dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo mais comprometido com valores sociais e ambientais.

Outro passo importante foi ser o primeiro restaurante com certificado orgânico a receber uma estrela no Guia Michelin. Na ocasião, os juízes disseram que a “sustentabilidade está embutida em tudo o que faz do Relæ um dos melhores restaurantes do mundo, embora isso não seja suficiente para fazer justiça à dedicação extraordinária de Christian Puglisi e seu time”.

 

Alta cozinha vegetariana

Ao fundir alta gastronomia com cozinha natural, o Joia, em Milão, se tornou um templo da cozinha vegetariana. O restaurante é fruto da criatividade e habilidade do chef Pietro Leemann, suíço especializado em culinária italiana e francesa que frequentou escolas na Ásia e viveu na China, Japão e Índia.

Em 1989, ele foi convidado por amigos para ser consultor do restaurante do qual hoje é proprietário. Em 1996, o Joia recebeu uma estrela Michelin e não a deixou mais escapar.

Foi o primeiro restaurante vegetariano do mundo a obter tal distinção.

Todos os ingredientes utilizados são orgânicos. A maioria é proveniente de produtores e fazendeiros locais. “A natureza é nossa fonte primária de inspiração. Ela manifesta sua essência em cores e formas, em diferentes estações e lugares. Os pratos vegetarianos simbolizam respeito pelo planeta e por todos aqueles que os consomem. Além disso, são mais leves em gordura, têm menos glúten e açúcar e são ricos em sabor”, diz o chef. Por ser um vegetariano de alta gastronomia e com uma história de quase 30 anos, o Joia pode ser visto como um vanguardista.

“Isso se considerarmos a perspectiva europeia, já que a tradição da alta gastronomia na Europa não é vegetariana”, explica Pietro. “Mas isso é bem diferente do que acontece nos países do Oriente, onde a culinária vegetariana tem séculos de tradição, não apenas nas cozinhas como também nos templos.”

O Joia foi criado como uma resposta à busca das pessoas por um estilo de vida mais saudável. “Decidimos atender a essa demanda, mas fizemos isso porque já éramos vegetarianos. Acho importante ser verdadeiro e coerente”, diz.

A vivência do chef no continente asiático tem grande influência na forma como as receitas são preparadas. Segundo ele, a cozinha apurada é resultado do domínio da técnica. “Servimos tempurá feito no estilo japonês, porque é o melhor jeito de prepará-lo. Pelo mesmo motivo, os assados são ao estilo chinês”, conta. Pietro prefere os temperos indianos, mas quando o assunto é a estética, sua inspiração são os japoneses. A berinjela defumada, o curry refinado, o tartar de chocolate e o pesto de abacate com vegetais são algumas marcas registradas do Joia, que funciona, na visão de Leemann, como um templo que ajuda a fazer do mundo um lugar melhor.

 

Protagonismo vegetal

No espanhol Flax & Kale, em Barcelona, 80% do cardápio é composto por vegetais. Trata-se de “um restaurante saudável flexitariano”, como define a chef e proprietária, Teresa Carles. “Flexitariano” é o termo criado para identificar as pessoas que seguem a dieta vegetariana, mas se permitem consumir carne de vez em quando. Há 35 anos trabalhando com culinária vegetariana, Teresa tem no Flax & Kale sua mais recente empreitada. Inspirado em restaurantes do Soho, em Nova York, a casa oferece menus vegetariano e vegano, além de raw food [comida crua, que não passa por nenhum tipo de cozimento]. Há ainda pratos à base de peixes e opções sem glúten. Todos os sucos, smoothies e leites vegetais derivam de ingredientes orgânicos. Os sucos, aliás, são feitos a partir do sistema de prensa a frio, que mantém vivas as enzimas, preservando as vitaminas e os nutrientes das frutas. Entre as opções do cardápio, destaque para a salada com papaia fermentada, espinafre, tomate-cereja e sementes de gergelim.

O Flax & Kale também é famoso por suas massas artesanais. Alguns exemplos são o ravióli com cúrcuma e recheio de cenoura, pera, maçã e farinha de amêndoas servido com parmesão vegano, e a lasanha crua com molho de tomates, folhas de espinafre e macadâmia. A casa oferece ainda um menu com opções saudáveis para crianças.

 

Texto: Alexandra Iarussi | Colaborou Suzana Camargo[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

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Viaje na música!

Para muita gente, o turismo musical é muito mais que um hobby. É um estilo de vida que permite combinar a paixão pela música com a vontade de descobrir paisagens dos mais diferentes cantos do mundo.


Quantas vezes, ao sentirmos um determinado cheiro ou darmos uma primeira garfada em um prato suculento, não somos imediatamente transportados para outros lugares, seja no tempo ou no espaço? Pois é, assim como o olfato e o paladar, a audição também é capaz de nos fazer viajar. Atire o primeiro vinil quem nunca se desligou completamente do mundo ao ouvir os primeiros acordes de sua canção preferida.

Se você adora música e tem paixão por desbravar o mundo, que tal juntar esses dois prazeres e fazer uma imersão cultural que vai muito além da audição? “O turismo musical não envolve apenas viagens para festivais. A ideia central é conhecer vários lugares tendo a música como fio condutor”, explica a jornalista Priscila Brito, uma das criadoras do site Festivalando, que, como o nome sugere, é dedicado ao tema que ela considera um verdadeiro estilo de vida.

Visitar lugares que tenham uma ligação forte com a música seja por um determinado fato histórico, um gênero ou então pelos festivais e shows que organiza, resume a essência do turismo musical. “Unir música e viagem é um jeito muito prazeroso de conhecer o mundo”, observa Priscila.

Além da paixão pela música, Priscila e a amiga Gracielle Fonseca têm muitas outras coisas em comum: idade, cidade onde moram, profissão, ida a festivais internacionais e um site que nasceu do interesse em juntar viagem e música, o Festivalando. Ambas são jornalistas, têm 32 anos e vivem em Belo Horizonte (MG).

Elas se conheceram na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), quando cursavam Jornalismo. Gracielle já morou na Dinamarca e teve a oportunidade de ir a inúmeros festivais europeus. O Festivalando foi criado em 2014, justamente no período em que ela viveu na Europa. Acima de tudo, o site ajudou a selar a amizade entre as duas, que passaram um mês viajando e indo a festivais como Roskilde (Dinamarca), Brutal Assault (República Tcheca), Popegoja (Suécia) e Sziget (Hungria).

O Sziget Festival, que é realizado todos os anos na ilha de Hajógyári-Sziget, na Hungria, e reúne milhares de pessoas durante uma semana.

 

Aliás, o Roskilde foi a primeira vez de Priscila em um festival internacional. “É um dos mais antigos da Europa e, naquele ano, subiriam ao palco artistas como Rolling Stones e Arctic Monkeys. Não pensamos duas vezes antes de comprar os ingressos”. Já o primeiro festival internacional de Gracielle foi o Brutal Assault, em 2009. Realizado em um forte medieval, reúne bandas de heavy metal e costuma ter ingressos a preços mais amigáveis que outros do gênero no Velho Continente.

Experiências marcantes coordenador de pós-produção Rodolfo Yuzo, 26 anos, decidiu começar suas investidas turístico-musicais por um evento que muitos consideram o melhor de todos: o Coachella Valley Music and Arts Festival, na Califórnia (EUA). Na edição de 2014, ele pôde ver de perto uma de suas bandas favoritas, o Arcade Fire. A experiência foi tão boa que suas datas de viagem passaram a coincidir com o calendário de festivais como Primavera Sound, Sónar Barcelona e Solid Sound, todos na Espanha, onde ele esteve em 2015.

Em 2016, Rodolfo voltou ao Primavera Sound e ainda assistiu ao BUE Festival, em Buenos Aires (Argentina). Já em 2017, decidiu atravessar o globo e conhecer o Fuji Rock, em Tóquio (Japão). “Além disso, já fiz um bate e volta para o Canadá só para não perder os dois últimos shows da turnê Reflektour, do Arcade Fire.” Foi em uma dessas apresentações que ele viveu uma experiência única: o vocalista da banda, Win Butler, pegou a câmera de suas mãos e tirou uma foto. “Em seguida, ele arremessou a máquina para o público, que foi passando até que ela chegasse a mim de novo.”

Com tantos festivais na lista, pode até parecer difícil escolher um preferido, mas nenhum desses três aficionados por música hesita em responder. “Meu favorito é o Primavera Sound, porque tem as melhores atrações por um preço muito bacana”, diz Rodolfo. “É bem equilibrado, conta tanto com bandas grandes, cultuadas, quanto pequenas e promissoras, além de atrações exclusivas, muitos grupos de países emergentes e vários artistas brasileiros.”

Os favoritos de Gracielle são o Sweden Rock (Suécia), pela beleza do entorno, a organização, o público, o clima e a segurança do camping, além da programação, e o maior festival de heavy metal do mundo, o Wacken Open Air (Alemanha). Já Priscila fica dividida entre o Lollapalooza Chile, o consagrado Montreux Jazz Festival (Suíça) e o dinamarquês Roskilde. “O primeiro pela organização e eficiência”, explica. “Montreux pelo clima de Riviera, a paisagem imbatível e a grande quantidade de atrações gratuitas, e Roskilde pela autenticidade.”

Reino Unido além dos Beatles

Dificilmente um fã de rock deixaria o Reino Unido de fora de sua rota. Apesar de ser a eterna “Terra dos Beatles”, a ilha tem muitas atrações além da famosa Abbey Road, em Londres, um dos lugares mais fotografados da capital inglesa, e de Liverpool, onde o famoso quarteto se formou. Manchester, por exemplo, é ainda mais influente, sendo o berço de bandas como Oasis, The Smiths, Joy Division, The Stone Roses e Inspiral Carpets.

Quando se fala em festivais, é impossível não pensar no Reading Festival, criado em 1961, e, principalmente, no Glastonbury. Organizado desde 1970, na pequena cidade de mesmo nome, a 50 quilômetros de Bristol, ele povoa o imaginário de muita gente. “Minha ligação afetiva com a música está profundamente ligada ao rock inglês de diferentes décadas. Quando fui à Inglaterra em 2012, o festival não aconteceu por causa da Olimpíada, mas comprovei o que já imaginava: os ingleses celebram a música de um jeito único”, opina Priscila.

Rodolfo reconhece a importância do evento, mas faz ressalvas. “Para mim, a tríade de maiores festivais é Coachella, Primavera Sound e Glastonbury. Gostaria muito de ir ao Glastonbury, mas os ingleses costumam ser insuportáveis quando bebem muito. Além disso, o preço e o inconveniente de ter que acampar na lama, no frio, me fazem questionar se vale a pena realizar esse sonho.”

Rodolfo terá algum tempo para tomar sua decisão, já que a próxima edição do Glastonbury está programada apenas para 2019. Como já aconteceu em alguns anos, em 2018 o festival fará uma pausa. Uma alternativa é ir ao Reading, na cidade inglesa de mesmo nome.

 

Coachella Valley Music and Arts Festival, o principal evento musical da Califórnia (EUA) e um dos maiores do mundo.

 

Música clássica na Europa

Nem só de rock, heavy metal e música pop vive o turismo musical. Exemplo disso é o serviço oferecido pela empresária Gloria Guerra, de São Paulo, que já organizou turnês de orquestras e músicos clássicos em visita ao Brasil. Em 2010, ela levou um grupo para assistir às finais do Concurso Chopin, em Varsóvia, na Polônia. Desde então, vem sendo procurada por um público interessado em viajar para assistir a concertos de música clássica em importantes festivais europeus. Como Gloria não é agente de viagens, é o cliente que se responsabiliza pelas passagens aéreas e o seguro-viagem. Sua prioridade é se inteirar sobre as apresentações das orquestras, os festivais mais procurados e a agenda dos artistas. “Monto uma programação que inclui diversos segmentos da música clássica: orquestral, de câmara e apresentação de solistas em recital.”

“Para mim, a tríade de maiores festivais é Coachella, Primavera Sound e Glastonbury” – Rodolfo Yuzo

 

Primavera Sound, em Barcelona, o melhor festival do mundo, na opinião do paulistano Rodolfo Yuzo,
apaixonado pelo assunto.

 

A empresária faz a curadoria das viagens, incluindo o hotel e os traslados terrestres. Para grupos com mais de seis pessoas, o serviço oferecido por Gloria inclui uma palestra de um especialista (musicólogo, maestro, jornalista, professor ou artista), que introduz o repertório e os compositores uma hora antes de cada concerto.

Os grupos são formados por, no máximo, 12 pessoas, e os valores variam de acordo com o período, a importância dos concertos e as diárias dos hotéis. Entre os mais procurados, segundo Gloria, estão Salzburg (Áustria), Lucerna (Suíça) e os de fim de ano em Berlim (Alemanha) e Viena (Áustria). “Tenho contato direto com os teatros”, revela. “Para o concerto de fim de ano da Filarmônica de Berlim, por exemplo, consigo os ingressos em maio, sendo que a venda online só começa nos primeiros dias de dezembro.”

Com o apoio da Sociedade de Cultura Artística, que divulga as viagens para centenas de assinantes, ela tem um retorno satisfatório, o que aumenta sua responsabilidade.

“É um público com grande conhecimento musical, há muita interação e troca de informação nas palestras.”

 

Guia do mochileiro de festivais

Sair do Brasil para curtir um grande evento musical em outro país requer um pouco mais que organização. No site Festivalando, as autoras reúnem dicas fundamentais para aproveitar as viagens e os eventos, da escolha do destino ao planejamento financeiro. Preparar- se psicologicamente para fazer a seleção, estar disposto a abrir mão de algum conforto e se inteirar da logística dos festivais são algumas das recomendações. “Não adianta comprar passagem, reservar hotel e só depois procurar um evento no destino escolhido. Fiz isso algumas vezes e acabei perdendo a oportunidade de aproveitar grandes shows”, comenta Priscila. A jornalista aconselha os interessados a verificar a data do festival desejado, comprar os ingressos e só então reservar o hotel e adquirir as passagens. “No caso dos mais concorridos, é preciso se planejar com um ano de antecedência, pois os ingressos começam a ser vendidos muito antes da data e se esgotam rapidamente.” A jornalista sugere ainda disposição para conhecer destinos menos óbvios, especialmente na Europa, já que esses eventos costumam ser realizados em cidades menores. “Você tem a chance de se surpreender com lugares que jamais imaginou conhecer e, ao mesmo tempo, nada te impede de visitar pontos turísticos próximos, basta se planejar.”

 

Jazz n’ Blues

E que tal percorrer a Mississippi Blues Trail no rastro do estilo nascido no sul dos Estados Unidos? Das ruas das cidades do Mississippi, passando por clubes, igrejas e plantações de algodão, o viajante tem a oportunidade de conhecer museus e locais de nascimento de grandes nomes do blues, como B.B. King, Muddy Waters e Robert Johnson.

Outra opção é a chamada Rota do Blues, que começa em Chicago e passa por Nashville e Memphis, no Tennessee, e New Orleans, na Louisiana. Aliás, nesta última, o jazz se destaca: na Bourbon Street, no coração do French Quarter, bairro mais antigo da cidade, é possível não apenas conferir boas sessões de jazz como também provar o melhor da culinária local. Entre o fim de abril e o começo de maio, acontece o New Orleans Jazz & Heritage Festival.

Outros festivais que agradam aos amantes do jazz são o Montreal Jazz Festival, no Canadá, o maior do gênero no mundo, segundo o Guinness Book, e o Montreux, na Suíça, listado como o segundo maior do planeta no livro dos recordes.

Para quem quer pegar a estrada ao som do blues, a dica é percorrer a Mississippi Blues Trail e a Rota do Blues, nos EUA.

 

Tradição verde e amarela

Embora tenha na música uma de suas mais importantes e populares manifestações culturais, o Brasil não tem muita tradição em festivais musicais de grande porte. A exceção é o Rock in Rio. Por aqui, poucos festivais conseguiram ser tão longevos quanto o evento criado pelo empresário Roberto Medina em 1985 e que marcou a vida de muita gente ao trazer ao país astros como Queen, AC/DC, Iron Maiden, James Taylor, Guns N’ Roses, R.E.M. e Rod Stewart, entre tantos outros, dando também visibilidade a artistas brasileiros, como Os Paralamas do Sucesso, Cássia Eller, Ira! e Capital Inicial. Além de transformar o Rio de Janeiro na Cidade do Rock, o festival foi exportado para outras cidades do mundo, como Lisboa (Portugal), Madri (Espanha) e Las Vegas (EUA). Em 2017, chegou à sua sétima edição em solo brasileiro, contando com artistas como Maroon 5, Pet Shop Boys, Red Hot Chili Peppers, Aerosmith e Justin Timberlake.

Quem fez o caminho inverso foi o Lollapalooza. Criado em 1991 e realizado anualmente desde 2005 em Chicago (EUA), o evento desembarcou pela primeira vez no Brasil em 2012 , em São Paulo, trazendo Arctic Monkeys e Foo Fighters como principais atrações. Aliás, quem quiser se programar para a edição de 2018 deve reservar o período de 23 a 25 de março e ficar atento às informações oficiais.

 

Texto Lucie Ferreira

 

 

Serviços:

Planeje sua viagem musical: Coachella Valley Music and Arts Festival (coachella.com) | Festivalando (festivalando.com.br) | Glastonbury Festival (glastonburyfestivals.co.uk) |Gloria Guerra (g.guerra1986@gmail.com) | Lollapallooza Brasil (lollapaloozabr.com) | Mississippi Blues Trail (msbluestrail.org) | Montreal Jazz Festival (montrealjazzfest.com) | Montreux Jazz Festival (montreuxjazz.com) | New Orleans Jazz & Heritage Festival (nojazzfest.com) | Primavera Sound (primaverasound.com) | Reading Festival (readingfestival.com) | Rock in Rio (rockinrio.com) | Roskilde Festival (roskilde-festival.dk) | Sweden Rock (swedenrock.com) | Wacken Open Air (wacken.com)

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