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ENTRETENIMENTO

Comida e Arte

Museus apostam na combinação entre acervo, arquitetura e excelente gastronomia para se tornarem um programa completo.

 

Faz tempo que os museus deixaram de ser apenas lugares onde se vê arte e objetos históricos. As instituições resolveram virar polos de atração por sua arquitetura, contratando estrelas como Frank Gehry, que assina o Guggenheim Bilbao, na Espanha, e Diller Scofidio + Renfro, responsável pelo projeto do The Broad, em Los Angeles (EUA). As lojas desses centros culturais estão cada vez mais
sofisticadas, e suas cafeterias agora são gourmet. Os restaurantes não poderiam ficar para trás. Alguns, como o Nerua, do Guggenheim Bilbao, chegaram a conquistar uma estrela no Michelin, um dos mais importantes guias de gastronomia do mundo. O novo In Situ, no Museu de Arte Moderna de São Francisco, tem um chef com três estrelas no Michelin que coordena um menu composto de pratos vindos de restaurantes consagrados do mundo todo. O Rijks, no Rijksmuseum, em Amsterdã, convida cozinheiros de outros países para dar uma sacudida no cardápio a cada estação. O Otium, no Broad, tem horta própria, mas também é influenciado por cozinhas de outras partes do
mundo. O The Keeper’s House, na Academia Real Inglesa, é um refúgio na efervescente Londres. A Osteria, no Barbican, também na capital inglesa, serve pratos italianos com toque de bistrô, em meio a pinturas e gravuras. E no restaurante The Magazine, o prédio, em si, já é uma obra de arte criada pela premiada arquiteta iraquiana Zaha Hadid (1950-2016). Bon appétit!

 

THE KEEPER’S HOUSE
Academia Real Inglesa | Londres (Inglaterra)

Criada como residência para artistas, a The Keeper’s House esconde alguns segredos de quem passa pela movimentada Piccadilly Road, endereço da Academia Real Inglesa. No subsolo, resguardado do movimento da rua, existe um restaurante, que ficou por anos fechado para o público que não era acadêmico ou membro. Agora, não mais. Todos os dias, o espaço está aberto para almoço, chá da tarde e jantar, com menu sob os cuidados do chef executivo Ollie Couillaud. Há pratos como o risoto de tomate assado e o frango orgânico com croquete, tomate e molho de estragão. As exposições nas galerias do museu também servem de inspiração: o chá da tarde, por exemplo, pode incluir cheesecakes em homenagem à mostra Expressionismo Abstrato, em cartaz até 2 de janeiro, com obras de artistas como Jackson Pollock e Mark Rothko.   royalacademy.org.uk

 

OTIUM
The Broad | Los Angeles (EUA)

Sucesso absoluto desde que abriu as portas em setembro de 2015, o museu The Broad, no centro de Los Angeles, é separado do Otium por uma praça pontuada por oliveiras centenárias e dominada por um grande painel fotográfico do artista contemporâneo Damien Hirst. O restaurante, instalado em um prédio com arquitetura do italiano Osvaldo Maiozzi, tem design do Studio UNLTD e House of Honey. O ambiente preza a rusticidade sofisticada, explorando materiais como vidro, madeira, cobre, pedra e cerâmica. A cozinha aberta do chef Timothy Hollingsworth, ex-French Laundry, uma das casas de Thomas Keller, está baseada em dois princípios: pratos preparados com cozimento à lenha e ingredientes produzidos no jardim do mezanino do restaurante – mais local, impossível. Mas a inspiração é global. Dali saem pratos como o olhete com yuzu, tangerina defumada e chicharrón e o bolo de funil de foie gras com morango, erva-doce e balsâmico. otiumla.com

 

OSTERIA
Barbican | Londres (Inglaterra)

Um dos maiores centros culturais de Londres, com teatro, espaço de exposições e salas de concertos, o Barbican tem um novo restaurante desde fevereiro de 2016. Na Osteria, a arquitetura brutalista do prédio é contrastada com o uso de couro e tecidos ricamente estampados. O bar fica separado por um piso de tacos e pela paleta de cores metálicas. Parceria da empresa Searcys com o chef Anthony Demetre, serve cozinha italiana com jeito de bistrô e faz constantes mudanças dos menus de comidas e bebidas, de acordo com a estação – no outono, o
drinque Bellini tem vodca de figo e xarope de cidra, enquanto no verão leva morangos. A charcutaria é uma das atrações do restaurante, além de pratos como o polvo grelhado, batatas e pimentões defumados e o gnudi de ricota com endívias e molho de maçã e balsâmico. Há também um cardápio fixo no almoço. As paredes expõem obras da Limoncello Gallery, que fica no descolado bairro londrino de Haggerston.
osterialondon.co.uk

 

 

THE MAGAZINE
Serpentine Gallery | Londres (Inglaterra)

Não é todo dia que se pode comer em uma obra de Zaha Hadid. Mas é isso o que oferece o restaurante The Magazine, instalado em um anexo da Serpentine Sackler Gallery, aberta em 2013 após a reforma do antigo armazém de pólvora do século XIX, no meio do Kensington Gardens. Como sempre acontece na obra da arquiteta iraquiana, os traços são orgânicos, com colunas que servem como claraboias e mais parecem tentáculos fincando no chão a estrutura fluida. As paredes de vidro integram ao interior o parque ao redor. O chef Emmanuel Eger serve pratos como o pato com pêssego chamuscado e aspargos brancos e o tamboril assado na manteiga queimada, favas e bacon. O lugar também oferece performances de teatro ou música (The Magazine Sessions), com cardápio de comida e bebida criado pelos artistas em colaboração com o restaurante. magazine-restaurant.co.uk

 

IN SITU
Museu de Arte Moderna de São Francisco (SFMOMA) | São Francisco (EUA)

O prédio original desenhado pelo italiano Mario Botta ainda está lá, mas o Museu de Arte Moderna de São Francisco (SFMOMA) abriu emmaio de 2016 uma extensão, com arquitetura do escritório norueguês Snøhetta. Nada melhor que um novo restaurante para comemorar a inauguração. O In Situ foi projetado pelo escritório local Aidlin Darling Design e tem espaços abertos que misturam o rústico e o refinado. O lugar é como uma ampliação da missão do museu: apresentar grandes obras do mundo inteiro e torná-las acessíveis ao público. Elaborado pelo chef Corey Lee, três estrelas no Michelin com seu Benu, também em São Francisco, o conceito da casa é único: uma colaboração entre criadores do mundo inteiro, que inventaram novidades ou cederam pratos conhecidos de seu repertório. Estão ali, por exemplo, os dadinhos de tapioca do brasileiro Rodrigo Oliveira, do Mocotó, e o “opa! derrubei a torta de limão”, do italiano Massimo Bottura, chef-proprietário da Osteria Francescana, eleito melhor restaurante do mundo em 2016. insitu.sfmoma.org

 

NERUA
Guggenheim Bilbao | Bilbao (Espanha)

O rio Nervión, ou Nerva, em latim, corre ao lado do Guggenheim Bilbao. O restaurante Nerua foi assim batizado em sua homenagem. As cadeiras de madeira com curvas minimalistas fazem menção às sofisticadas formas metálicas do museu onde está instalado, um projeto do norte-americano Frank Gehry. Ali, o chef basco Josean Alija, que começou a estudar gastronomia aos 14 anos, usa em sua cozinha o conceito expressado pela palavra muina, que pode ser traduzida como núcleo, coração ou essência. Com ingredientes sazonais e majoritariamente locais, ele cria três cardápios por ano: Primavera, Verão e Outono-Inverno. Cada um começa a ser elaborado um ano antes, cuidado que é uma das razões de a casa ter conquistado uma estrela no Michelin. Há três opções de menu degustação, com 9, 14 ou 21 pratos, mas também é possível pedir à la carte. Entre os pratos estão chalotas em molho negro e bonito com pimenta-verde e suco de tomate. neruaguggenheimbilbao.com

 

CHEZ MIS

Museu da Imagem e do Som (MIS) | São Paulo (Brasil)

O Museu da Imagem e do Som (MIS), que organiza exposições badaladas, como a de Tim Burton, tem um restaurante à altura. O Chez MIS,que faz parte do grupo Chez (do Chez Oscar e Bar Secreto), se define como um “bistrô mediterrâneo”. No almoço executivo, serve pratos tradicionais, como o picadinho de filé-mignon com vegetais orgânicos, arroz integral, couve, farofa, banana e ovo. Também há opções
para beliscar, como a polenta frita com tapenade e bolinhos de risoto, e à la carte, como o nhoque rústico. Com paredes envidraçadas que se abrem para o jardim do museu e um deque de madeira no entorno, o espaço de arquitetura sem grandes adornos ganha charme graças à decoração, com uma parede de azulejos pretos com cachoeira de velas e a cera derretida formando pequenas esculturas. Um pendente de madeira flutua sobre os dois grandes sofás Chesterfield na cor mostarda e pedras semipreciosas servem de descanso de talheres. Um refúgio no meio da agitação de São Paulo.  chezmis.com.br

 

RIJKS
Rijksmuseum | Amsterdã (Holanda)

O mais importante museu de Amsterdã abriga 800 anos da história holandesa e obras-primas como “A Ronda Noturna”, de Rembrandt. Sua Ala Philips é sede de exposições temporárias e do badalado Rijks. Com design de Paul Linse, o restaurante mistura em seu salão bronze, carvalho, mármore, aço azul e camurça e abriga 36 pessoas no espaço interno e mais 130 no terraço. A cozinha aberta expõe o minucioso trabalho de Joris Bijdendijk, que preza produtos vindos do solo holandês e oferece pratos para compartilhar. O chef recebe convidados do mundo inteiro, como o alemão Tim Raue (do restaurante de mesmo nome em Berlim) e a holandesa radicada na África do Sul Margot Janse (do The Tasting Room, no hotel Le Quartier Français, em Franschhoek), que preparam um menu especial. Os principais pratos permanecem no cardápio ao longo da estação. De olho nas tendências, o mais recente convidado foi o peruano Virgilio Martínez, do Central, em Lima, considerado o quarto melhor restaurante do mundo em 2016. rijksrestaurant.nl

 

Texto Mariane Morisawa

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ENTRETENIMENTO

O queridinho da rainha

Aromático, complexo e versátil, o Gim nasceu como remédio, já foi responsável por crise de saúde pública, está na lista de preferências da matriarca do Reino Unido e conquista novos apreciadores a cada dia.

 

Os compromissos da agenda real não são suficientes para atrapalhar um antigo hábito da rainha Elizabeth II. Todos os dias, antes do almoço, ela sorve um drinque preparado com gim e vinho doce. O ritual se tornou conhecido como gin o’clock (hora do gim). À noite, quando não escolhe champanhe, a matriarca do Reino Unido gosta de relaxar degustando o clássico dry martini, preparado com gim, vermute branco seco e uma azeitona espetada no palito.

O estadista britânico Winston Churchill (1874-1965), o cineasta espanhol Luis Buñuel (1900-1983), o escritor inglês Ian Flemming (1908-1964), autor da série de romances de espionagem protagonizada por James Bond, personagem que também é um célebre fã da bebida, e os rappers norte-americanos Snoop Dogg e Dr. Dre, autores de uma música sobre gim, são apenas algumas personalidades que compartilham com a rainha o gosto por essa bebida.

Aromático e complexo, o gim é um destilado feito à base de cereais fermentados, submetido ao processo de infusão com zimbro – item obrigatório na receita – e ingredientes botânicos, ou seja, especiarias, ervas, flores e frutas usadas como aromatizantes. As possibilidades de combinação são quase infinitas. É justamente isso que torna o gim único.

Tradição controversa

As origens do gim são antigas e difusas, mas há quem diga que monges beneditinos italianos, cientes dos poderes medicinais do zimbro e conhecedores do processo de destilação, produziam uma versão primitiva da bebida na Idade Média, por volta do século 12.
Em 1269, o escritor e poeta belga Jacob van Maerlant (1230-1300) relatou a existência de um tônico medicinal feito com grãos de zimbro cozidos no vinho no livro Der Naturen Bloeme (A Flor da Natureza), considerado o mais antigo registro sobre o tema. Para muitos, os tônicos e elixires à base de zimbro poderiam até combater a peste bubônica, responsável pela morte de cerca de dois terços da população europeia no século 14.

Contudo, o que nos aproximou do gim como o conhecemos hoje foi o surgimento da genebra (genever/jenever, em holandês), provavelmente no século 15. A receita mais antiga já encontrada teria sido escrita por volta de 1495 e trazia a descrição de um destilado primitivo, feito à base de vinho, com ingredientes botânicos macerados, entre os quais zimbro, noz-moscada, sálvia, semente-do-paraíso (especiaria nativa da África), canela, galanga (também conhecida como gengibre tailandês), cravo-da-índia, gengibre e cardamomo. O registro consta dos artigos científicos do médico e colecionador irlandês Hans Sloane (1660-1753).

Popularizada na Holanda no século 15, a genebra chegou ao Reino Unido na bagagem dos soldados britânicos que lutaram nos Países Baixos na Reforma Protestante durante o século 16 e na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Ao voltar para casa, eles levaram consigo o destilado que havia lhes dado a “coragem holandesa”, apelido que a bebida carrega até hoje. Foi também na Holanda que o processo de destilação sofreu uma mudança significativa: a substituição de uvas fermentadas por cereais fermentados. Como a produção de grãos na Europa era farta, a troca favoreceu a produção em grande escala.

 

Pátria do gim

Inebriados pelas propriedades da genebra, os ingleses foram os primeiros a simplificar seu tratamento, passando a chamá-la simplesmente de gim. A partir de 1689, a produção no Reino Unido disparou, estimulada pelo novo rei britânico, o holandês William III (conhecido como Guilherme III), que impôs altas taxas à importação de conhaque e vinho da França, com quem tinha uma disputa política e religiosa. Foi o suficiente para popularizar o destilado produzido em solo britânico a ponto de causar um problema de saúde pública, conhecido como Gin Craze. No início do século 18, os níveis de consumo eram tão altos que o governo instituiu os Gin Acts, leis que dificultavam a venda e perduraram até 1751, quando o consumo – que chegou a uma média anual de 10 litros por pessoa em 1743 – atingiu patamares mais aceitáveis. Mas, a essa altura, o gim já havia se tornado uma instituição nacional para os britânicos.

Com a produção cada vez mais profissional, a “pátria do gim”, como o Reino Unido se tornou conhecido, investiu na criação de novas variedades, como o cultuado London Dry, obtido a partir de rígidos processos de destilação seca. Grande parte dos rótulos mais vendidos no mundo, como Gordon’s, Tanqueray, Beefeater e Seagram’s, são London Dry.

Para o especialista José Osvaldo Albano do Amarante, degustador de gim desde 1989 e autor do livro Os Segredos do Gim (Mescla Editorial), o grande diferencial da bebida é sua personalidade. “Ela passa por um duplo processo de destilação, e isso muda tudo. Na segunda destilação, são incorporados os ingredientes botânicos, que variam de acordo com a receita. A única regra é que o zimbro esteja presente e seja perceptível.”

 

Sutilezas e particularidades

O processo de produção do gim começa quando os grãos de cereais são moídos e diluídos em água. Essa mistura recebe enzimas para que o amido se transforme em maltose. A esse cereal maltado adiciona-se levedo. É quando começa a fermentação alcoólica. Posteriormente, o fermentado passa pelo primeiro processo de destilação, em que perde água até ser considerado neutro e puro, sem cor nem sabor. A partir de então, volta a ser diluído, tendo a água como base, e inicia-se uma nova destilação, agora com a presença dos botânicos, que definirão a personalidade de cada gim.

Os botânicos podem tanto ser incorporados diretamente à bebida como apenas vaporizados.

Cada mestre-destilador tem sua receita secreta e sua lista de botânicos favoritos. O rótulo The Botanist Islay Dry Gin, por exemplo, é produzido em uma ilha da Escócia e, além de nove ingredientes dos mais clássicos (zimbro, semente de coentro, raiz de angélica, raiz de lírioflorentino, casca de acácia, raiz de alcaçuz, casca de canela, casca de laranja e casca de limão-siciliano), leva outros 22 botânicos nativos da região, como camomila, erva-cidreira e hortelã-verde, todos colhidos manualmente.

O uso de ingredientes locais e métodos diferenciados de produção é a aposta de várias marcas. A consagrada Martin Miller’s realiza as duas etapas de destilação em um mesmo alambique de cobre. Na primeira fase, entram o zimbro e os botânicos terrosos e, na segunda, apenas os ingredientes cítricos. Depois desse processo, o destilado é enviado à Islândia, onde é diluído com água da ilha, considerada uma das mais puras do mundo.

À semelhança do que acontece com vinhos e espumantes, também há gins com Denominação de Origem Controlada (DOC). Um exemplo é o Plymouth Gin, que, por determinação legal, desde 2008 só pode ser produzido em Plymouth, no sudoeste da Inglaterra. Preparado com sete ingredientes botânicos, entre os quais cardamomo e laranja-doce, o Plymouth Original Strengh foi o gim mais vendido no Reino Unido na década de 1930 e ficou famoso por ser o favorito dos soldados da marinha.

 

Renascimento artesanal

Dois séculos depois de seu surgimento, as pequenas destilarias voltaram a se instalar em Londres. Em comum, as novas marcas têm o fato de estarem em áreas residenciais da cidade e fabricarem gins de alta qualidade em pequena quantidade.

Fundada em 2009, a Sipsmith tem orgulho de ser a primeira destilaria com alambiques de cobre (prática comum atualmente) a abrir as portas na capital britânica em quase 200 anos.

Os pequenos alambiques da Sipsmith rendem lotes numerados de cerca de 300 garrafas de um gim reconhecido internacionalmente pela qualidade. A trajetória da marca vem inspirando outros produtores, como a City of London, microdestilaria instalada no coração da capital inglesa em 2012, e a minúscula Sacred Spirits, que desde 2009 produz limitadíssimos lotes de gim em uma garagem (!).

O apetite dos ingleses pelo gim tem aumentado. E muito. A rede de supermercados Waitrose, que oferece uma seleção de produtos bastante sofisticados – tanto que tem junto a seu logotipo o celebrado selo da rainha “By Appointment to Her Majesty The Queen”, o que significa que fornece alimentos e bebidas à casa real –, registrou um aumento de 50% nas vendas de gins artesanais locais em 2016. A rede, que comercializa mais de 2.500 marcas, anunciou que está em busca de mais fornecedores.

Para tentar abrandar a sede dos britânicos, a East London Liquor Company abriu as portas em 2013. A empresa produz e importa vodca, rum, uísque e, claro, gim.

A fábrica mantém um bar em suas instalações, onde são preparados drinques com as bebidas que fabrica e importa. Entre as opções, está o DryGin, que, depois de passar 14 meses em diferentes barris, ganha um sabor de baunilha, frutas secas e um toque de cardamomo. Já para quem prefere algo diferente, uma boa pedida é o Premium Batch no 2. Com 47% de concentração alcoólica, o gim carrega sabores e aromas típicos de um jardim de ervas inglês.

 

Versão brasileira

Dados divulgados pela consultoria IWSR revelam que os brasileiros consumiram 900 mil litros de gim em 2016, um aumento de 13,2% em relação a 2015. Fortemente impulsionado pela febre do gim-tônica, esse crescimento inspirou produtores brasileiros a buscarem sua fatia desse bolo. “O gim-tônica é consumido desde o século 18, mas a demanda caiu bastante durante as duas grandes guerras”, explica José Osvaldo. “No começo dos anos 2000, no entanto, a Espanha começou a renovar a receita, acrescentando ingredientes diferentes e usando copos grandes, com enormes pedras de gelo. Foi um sucesso.” Segundo ele, a onda chegou ao Brasil em 2015, muito influenciada pelo consumo europeu.

Ao criar as primeiras marcas de gim brasileiras, os produtores apostaram em uma estratégia semelhante: produzir uma bebida com DNA nacional, usando especiarias nativas, e em pequenas quantidades.

O gim Arapuru se diz o primeiro London Dry da América Latina e aposta em ingredientes botânicos tipicamente brasileiros, como aroeira, puxuri e caju desidratado. A ideia partiu do empreendedor eslovaco Mike Simco. Ao notar a falta de uma marca premium nacional, ele decidiu transformar seu hobby em negócio. Para isso, contou com a consultoria do mestre-destilador inglês Rob Dorsett, que já criou mais de 250 gins.

Já a proposta do Virga é traduzir o espírito brasileiro de uma maneira bastante original: acrescentando à receita pequenas doses de cachaça pura de alambique. Felipe Januzzi, sócio da marca, justifica a subversão. “Muitos puristas não entendem e batem na tecla do London Dry”, diz. “Mas esse estilo um dia também foi novidade. A genebra, assim como o Virga, leva na composição uma porcentagem de álcool não
neutro, o álcool de malte.”

Uma degustação realizada pelo especialista José Osvaldo em São Paulo, em junho de 2017, reuniu 12 rótulos brasileiros, entre marcas já comercializadas e outras ainda não disponíveis no mercado. O primeiro lugar ficou com o gim BEG, de Campinas (SP), que usa ingredientes como imbiriba, pacová (que lembra o cardamomo), amburana e cumaru.

Um dos fundadores da BEG é o mestre-destilador Arthur Flosi, que está otimista quanto à expansão do consumo de gim por aqui. “As grandes marcas estão gastando milhões para difundir o produto, nós pretendemos surfar nessa onda. Tudo indica
que é uma tendência que veio para ficar, e não uma moda passageira.”

José Osvaldo concorda e acrescenta que há outros mercados em torno do gim a serem explorados. “As tônicas, por exemplo, ainda vão crescer. A maioria dos bares ainda serve a mesma marca do fornecedor de refrigerante, mas as casas especializadas já oferecem tônicas especiais, algumas até produzidas internamente.”

 

Clássicos que nunca morrem

Gim-tônica, negroni e dry martini. Clássicos que têm o gim em comum ganham cada vez mais prestígio. Conheça a história desses drinques:

Tudo indica que o negroni foi criado em 1919, no Caffè Casoni (hoje Giacosa), em Florença, na Itália. Na ocasião, o conde Camilo Negroni pediu ao bartender Fosco Scarcelli para adicionar gim ao Americano, que leva vermute tinto doce e bitter (bebida à base de ervas de sabor amargo). Nascia o drinque de sabor forte e amargo, ótimo para abrir o apetite.

O cineasta Orson Welles, fã da bebida, falou sobre o tema em uma entrevista de 1947: “O amargo é excelente para seu fígado, o gim é ruim para ele. Um equilibra o outro.” José Osvaldo concorda e acrescenta: “O zimbro é perigoso, porque é alcaloide e pode causar intoxicação se consumido em grande quantidade”, adverte. “Isso sem contar que o gim causa uma das piores ressacas que existem.”

O cultuado dry martini – o preferido de James Bond – tem inúmeras referências e histórias. Uma delas conta que Winston Churchill era apreciador do drinque, mas desde que preparado de forma peculiar. Certa vez, ao ser perguntado sobre o quanto de vermute seco preferia, respondeu: “Eu gostaria da presença de vermute na sala ao lado, enquanto eu estiver bebendo meu martíni”. Foi atendido e, sem saber, criou a variação Churchill Martini, apenas gim derramado sobre gelo e uma azeitona no palito.

Talvez o mais popular atualmente, o gim-tônica nasceu na Índia, no século 18, durante a ocupação inglesa. Para se protegerem da malária, os soldados ingleses precisavam tomar quinino. E, como o quinino puro é muito amargo, eles acrescentaram gim a ele. Era o início da história de um drinque que é sucesso absoluto no verão.

 

Para fazer em casa – JEP GAMBARDELLA (drinque do Bar., em São Paulo)

  • 50 ml de gim(o bar usa Tanqueray London Dry)
  • 15 ml de Aperol
  • 15 ml de suco de limão-siciliano
  • 15 ml de suco de laranja
  • 15 ml de xarope de açúcar
  • 1 ramo de manjericão
  • Gelo

Preparo: Bata os sucos com o açúcar e o gim em uma coqueteleira com bastante gelo. Coe em um copo baixo, complete com Aperol e decore com as folhas de manjericão.

 

Gins diferentões
Conheça gins que chamam a atenção por terem processos ou ingredientes inusitados:

  • Fords Gin: é produzido na Inglaterra e enviado aos EUA, onde é ajustado com água pura de poços da Califórnia, para só então ser engarrafado.
  • Anty Gin: fruto da parceria da destilaria inglesa Cambridge com o laboratório gastronômico dinamarquês Nordic Food Lab, usa a essência de aproximadamente 62 formigas da espécie Formica rufa. O primeiro lote contou com apenas 99 garrafas, vendidas a US$ 800 cada.
  • Moonshot Gin: é feito com zimbro e botânicos submetidos à baixa pressão estratosférica (enviados a 24 quilômetros de altura). Na sequência, para garantir o frescor, os ingredientes são embalados a vácuo. Esgotado o primeiro lote, produzido no início de 2017, o segundo contou com 2.200 garrafas.

 

Onde beber
Confira boas opções para apreciar gim puro ou em drinques clássicos ou autorais:

SÃO PAULO

  • SubAstor – O pequeno balcão no subsolo do Astor está sempre repleto de interessados nos drinques criativos do premiado bartender Fabio La Pietra, que retornou recentemente à casa. R. Delfina, 163, Pinheiros (entrada pelo Astor) | subastor.com.br
  • Sóshots & Gin Club – No fim de 2016, o bar se uniu aos portugueses do Gin Club e aumentou sua carta de gins, que tem alguns rótulos ainda raros no país. R. Pedroso Alvarenga, 974, Itaim Bibi | 11 3078-3774
  • G&T Bar – Dispõe de cerca de 20 rótulos de gim, entre nacionais e internacionais, que servem de base para mais de 70 drinques. R. Peixoto Gomide, 1.679, Jd. Paulistano
  • Negroni Bar – Dedicado ao clássico coquetel de gim, vermute tinto doce e bitter italiano, permite personalizar a bebida a partir de uma boa oferta de marcas. R. Padre Carvalho, 30, Pinheiros | negroni.com.br
  • Frank Bar –  O bar do Maksoud Plaza homenageia Frank Sinatra, que fez show ali nos anos 1980. Seu ambiente sofisticado combina com os drinques autorais do celebrado bartender Spencer Jr. Al. Campinas,150, Bela Vista | maksoud.com.br/frank-bar.html
  • Bar. – Primeiro bar especializado em gim da cidade, usa a tônica 202, criada por um dos sócios. R. Joaquim Antunes, 248, Pinheiros | barbar.com.br
  • Bar Número Sofisticado, tem o experiente barman Derivan de Souza no comando do bar, executando bons drinques clássicos. R. da Consolação, 3.585, Jd. Paulistano | barnumero.com.br

RIO DE JANEIRO

  • Garoa Bar Lounge – Filial do badalado bar de Santiago de Compostela, na Espanha, tem ambiente intimista e charmoso, com destaque para a ampla carta de drinques com gim, seguindo a vocação da matriz. R. Dias Ferreira, 50, Leblon | 21 3591-7617 San Remo
  • Com vista para a Lagoa Rodrigo de Freitas, o bar do Lagoon oferece a gintoneria Donostia, carta exclusiva de drinques à base da bebida. Av. Borges de Medeiros, 1.424, Lagoa | lagoongourmet.com.br

RECIFE

  • Em Cima Gin Bar – Primeiro bar da capital pernambucana dedicado ao gim fica no andar de cima do restaurante Mingus e oferece rótulos de várias partes do mundo. Serve coquetéis autorais e clássicos. R. do Atlântico, 102, Boa Viagem | 81 3132-6040

 

Texto Julio Simões

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CÂMBIO, VÍDEOS

Vai viajar na Páscoa? Veja qual a forma mais vantajosa de trocar moeda estrangeira

Quem pretende aproveitar os dias de folga em uma viagem para o exterior tem sempre entre as preocupações, além de arrumar malas e reunir documentos importantes, a compra de moeda estrangeira para utilizar no local de destino. O que pouca gente sabe é que, além de dólares e euros, é possível comprar moedas de mais de 20 diferentes países, como África do Sul, Israel e Japão.

Conforme explica Eduardo Campos, diretor da área de Câmbio Turismo do Banco Daycoval, normalmente é mais vantajoso levar a moeda que você realmente vai utilizar no destino do que simplesmente comprar dólares ou euros e trocar quando chegar lá. Isto acontece por causa do chamado spread cambial, a diferença entre o valor de compra e de venda da moeda na casa de câmbio.

Para explicar melhor: spread, na prática, é a remuneração que as instituições financeiras recebem por adquirir, testar contra falsificações (sim, infelizmente há muita moeda falsa em circulação em todo o mundo), armazenar, transportar e prestar o serviço de atendimento aos clientes. Para que sejam remuneradas por todo esse serviço elas compram a moeda por determinado valor e o vendem por um valor acima.

De acordo com Campos, para alguém que vai ao Canadá ou à Austrália, por exemplo, é muito melhor levar dólares canadenses ou australianos do que dólares americanos. “Assim, se evitar gastar duas vezes com a conversão”, ele explica.

Alguns viajantes desavisados também acabam trocando dólares ou euros diretamente em aeroportos, lojas, hotéis e restaurantes para pagar por serviços ou lembranças. “Esta é, em geral, a forma menos segura e vantajosa de fazer câmbio”, resume.

“Vale a pena trocar seus reais por dólares quando você for aos Estados Unidos. E, por Euros, quando decidir visitar países que fazem parte da União Europeia e aceitam a moeda. Fora isso, procure sempre levar a moeda do destino que pretende visitar”, finaliza.

Veja abaixo uma tabela elaborada pela área de câmbio do Banco Daycoval que você pode utilizar como guia para suas próximas viagens.

País

Moeda Símbolo

África do Sul

Rand sul-africano R

Argentina

Peso argentino

$

Austrália

Dólar australiano

AU$

Canadá

Dólar canadense C$
Chile Peso chileno

$

China

Yuan ¥

Colômbia

Peso colombiano

$

Dinamarca Coroa dinamarquesa

kr

Emirados Árabes

Dirham د.إ
Estados Unidos Dólar

US$

Israel

Shekel
Japão Iene

¥

México

Peso mexicano $
Noruega Coroa norueguesa

kr

Nova Zelândia

Dólar neozelandês $
Peru Novo sol

S/.

Reino Unido

Libra £
Rússia Rublo

руб

Suécia

Coroa sueca kr
Suíça Franco

CHF

União Europeia Euro

Uruguai Peso Uruguaio

UYU

 

Confira as dicas do Gestor da Rede de Lojas de Câmbio, Mauricio Lima:

 

Para mais informações sobre produtos e serviços, bem como fazer uma cotação ou encontrar a loja mais próxima acesse agora mesmo o site www.daycovalcambio.com.br

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