ENTRETENIMENTO

Palácio Africano

O hotel seis estrelas The Palace é apenas uma das joias que uma viagem à África do Sul reserva a quem busca conforto, aventura, belas descobertas e contato com a natureza.

 

No lugar da terra, um palácio. Onde um dia foi um deserto, hoje está um hotel seis estrelas chamado The Palace, na surpreendente África do Sul. Ele fica em Sun City, a cidade perdida, como diz a lenda, na província de North West, a duas horas de carro de Joanesburgo, porta de entrada do país. Embora haja outros hotéis no complexo, nenhum deles detém as veneradas seis estrelas que o The Palace exibe sem timidez. Tudo nele é superlativo. O projeto é fruto da excentricidade do bilionário sul-africano Sol Kerzner. Inagurado em 1992, o empreendimento custou, na época, a bagatela de US$ 280 milhões. Kerzner quis transformar uma região árida em um mundo dos sonhos e da imaginação – e conseguiu. Do nada, criou tudo. De uma lenda, inventou um reino próprio onde se pode brincar de ser rei por alguns dias.

 

Para a realeza: o melhor

O burburinho da cidade ficou para trás. O carro deixa a estrada, entra na propriedade e logo é possível avistar a fonte e o chafariz. Um pouco mais para cima estão os leopardos de pedra. Começa, então, uma viagem exótica, singular e certamente marcante. Dali em diante, o mundo se resumirá a um grande complexo hoteleiro onde o The Palace reina absoluto. Ele é a grandeza, a riqueza, um projeto megalomaníaco no meio da selva africana, exclusivo para hóspedes.

Na entrada, assim que o carro para, os portões são abertos e, com um sorriso, um funcionário diz: “Welcome to The Palace”. A vida da África selvagem inspira a arte e a decoração por aqui. Ao adentrar o lobby, um olhar atento revela o desenho do domo pintado à mão e a escultura do artista Daniel De Jager, representando a fuga de impalas dos guepardos. Nos próximos dias, você será tratado como um rei, com atendimento impecável, digno de toda a honra e pompa da realeza.

Não importa em qual dos 338 quartos você se hospede, em todos encontrará extremo conforto, espaço em abundância e luxo, muito luxo. Além deles, há uma vida surpreendente a descobrir. Fãs e praticantes de golfe dos quatro cantos do planeta sabem o significado de ter dois campos de 18 buracos assinados pelo cultuado sul-africano Gary Player. Anualmente, o campeonato Nedbank acontece nos campos de Sun City com a presença dos melhores jogadores do mundo, o que deixa o resort em total estado de euforia.

A praia com areia branca, intensa vegetação, pequenos quiosques e ondas artificiais de até dois metros de altura foi batizada como The Valley of the Waves e desponta como uma espécie de oásis no deserto. Os dois cassinos abertos 24 horas têm black jack, pocker e roletas. Frank Sinatra, Rod Stewart, Elton John e Joe Cocker já se apresentaram no Sun City Theatre, que tem uma agenda marcada pela apresentação de grandes nomes.

No safári do Pilanesberg National Park, vizinho ao complexo, há a possibilidade de ver os Big Five (leão, leopardo, rinoceronte, elefante e hipopótamo). É fato que nada é garantido na selva, mas só a ideia de estar no hábitat natural desses animais incríveis já vale o passeio, que acontece logo pela manhã ou ao entardecer, horários em que os bichos estão acordados para caçar. O passeio de balão para observar a fauna e a flora locais é outro programa inesquecível, mas depende de o vento estar com a potência certa. Para embarcar nessa aventura a muitos metros do solo, é preciso um pouco de sorte e ficar de olho nas condições climáticas.

 

Fim de tarde | As luzes dão mais glamour à fachada rebuscada do The Palace (acima). Abaixo, vista para o Water Front: o antigo cais de Cape Town se tornou um charmoso ponto turístico

Voltando ao hotel depois de um dia de muitas descobertas, a dica é um jantar no elegante The Villa del Palazzo. Com vista para a piscina, prepara pratos da cozinha italiana e tem uma incrível carta de vinhos. Outra opção é o The Crystal Court, especializado na culinária internacional. Quem quiser um jantar mais romântico pode solicitar que uma mesa seja montada no Gazebo. Já o “pre and after hours” deve ser desfrutado no Tusk Bar and Lounge, que conta com uma generosa lista de coquetéis premiados. Ah, isso sem falar no café da manhã, momento solene em que diversas ilhas servem crepes, ovos e um vistoso bufê, com frutas, frios, caviar, pães e belos exemplares da mais fina pâtisserie. O bar da piscina e o The Crocodile Lounge são ideiais para fazer lanches rápidos e saborear petiscos no meio do dia.

De cima da torre do The Palace, a vista é privilegiada. Em primeiro plano, está a piscina rodeada de árvores, colunas, gazebos, guarda-sóis e espreguiçadeiras. Mais adiante, fica a praia.

No topo do hotel, com o mundo a seus pés, o melhor a fazer é entrar no clima e descobrir como é a vida seis estrelas.

 

Do palácio à mais bela cidade do mundo

Lindíssima cidade à beira-mar, com uma formação rochosa nada menos que espetacular e banhada por dois oceanos: a oeste, pelo Atlântico, e a leste, pelo Índico. Na pontinha dos dois mares, o lendário e mítico Cabo da Boa Esperança, descoberto pelo navegador português Bartolomeu Dias, em 1488. Dramática, linda, moderna e cheia de personalidade, a Cidade do Cabo – ou Cape Town – conquista no primeiro encontro, levando o viajante a questionar: “Seria ela a verdadeira cidade maravilhosa?”. Sim, muita gente a compara ao Rio de Janeiro, não apenas pela beleza, mas também pelo recorte geográfico que ambas exibem de forma única. Devido à sua localização, as constantes mudanças climáticas fazem com que o cenário mude ou desapareça em segundos, engolido pela neblina. E logo volta a surgir, majestoso.

 

Porta de entrada para a região vinícola do país, a Cidade do Cabo é extensa, um lugar para se andar de carro. A menos que você seja um exímio atleta e queira acompanhar os ciclistas e corredores que percorrem longas distâncias em meio a cenários paradisíacos. Eles estão por toda parte, a qualquer hora do dia. Mas se esse não for o caso – ou seu caso no momento –, o melhor é contratar um carro com motorista, já que a direção é na mão inglesa. Assim, você também fica livre para apreciar os ótimos vinhos sul-africanos.

Como há muito para ser visto, em diferentes regiões da cidade, cada passeio pode levar um dia inteiro, por isso é fundamental estabelecer uma agenda. Independentemente do estilo do viajante, há alguns programas quase obrigatórios, como subir a Table Mountain; percorrer o cais do porto de Victoria & Alfred Water Front; passear de barco no final da tarde, quando o sol ilumina toda a cidade; fazer compras na feira de artesanato ao ar livre de Hout Bay, aproveitando para admirar e fotografar os leões-marinhos; visitar a charmosa cidade de Simon e conhecer a colônia de pinguins de Boulder Beach; ir até o Cabo da Boa Esperança; jantar na praia de Camps Bay; admirar as montanhas dos Doze Apóstolos; descobrir vinhos de Stellenbosch e tomar um chá das cinco no hotel Table Bay.

 

Passo a passo

Ficou perdido em meio a tantas possibilidades? Então, vamos por partes. Comece seu passeio pelo Water Front, o antigo cais do porto que se tornou um movimentado, charmoso e bem frequentado ponto turístico, com lojas de grife e bons restaurantes. De lá, aproveite para admirar de camarote a Table Mountain, o principal cartão- -postal da cidade. É verdade que dá para vê-la de diversos pontos, mas a patir do Water Front a montanha parece ganhar charme especial. Quando o sol estiver prestes a se pôr, faça um passeio de barco pela baía e prepare-se para “cair de joelhos” por Cape Town e desejar voltar sempre que possível. A cidade é simplesmente arrebatadora!

 

Rótulos premiados Acima, uma das propriedades de Stellenbosch, a cidade dos vinhedos e da arquitetura vitoriana. Abaixo, vista de Cape Town a patir de Water Front

 

Uma vez que a Table Montain foi vista a partir de baixo, é hora de subir até seu ponto mais alto, a 1.067 metros de altura, e caminhar na base reta da “mesa”. Bondinhos como os do Pão de Açúcar, no Rio, levam os turistas até o topo. Pode ser que o tempo feche e você não consiga ver nadinha; ainda assim, vale a pena. Com alguma sorte, você terá a melhor visão da cidade, portanto, arrisque.

A praia da Camps Bay é a mais badalada da região. No verão, a temperatura da água é tão quente quanto a do Sul do Brasil. No inverno, segue o mesmo comportamento e pode ser bem fria. De um jeito ou de outro, tente almoçar ou jantar em Victoria Road, rua que abriga restaurantes badalados. Aproveite para observar o conjunto montanhoso dos Doze Apóstolos, que está bem atrás da Camps Bay. Um pouco antes de chegar nela, estão as mansões de Clifton Beach. A próxima parada é na simpática Simons, pequena cidade e base naval a cerca de 40 quilômetros de Cape Town.

Passeie pela St. George’s Street e observe as casas construídas há 150 anos em perfeito estado de conservação. Depois, vá até Boulder Beach, praia que fica ao lado, para ver bem de pertinho os pinguins africanos. Uma passarela conduz os visitantes para perto das aves. Em Hout Bay, agradável cidade costeira a 20 minutos do centro da Cidade do Cabo, há uma feira de artesanato no porto que merece a visita. A propósito, você vai encontrar guerreiros africanos e máscaras por todos os lados, em lojas, feiras e até na beira da estrada. Impossível não comprar algumas peças, portanto, reserve espaço na mala ou traga-as na bagagem de mão.

Apreciadores de vinhos do Novo Mundo devem programar uma visita aos deslumbrantes vinhedos e propriedades de Stellenbosch, a cidade dos vinhos, das universidades, da arquitetura vitoriana e dos imigrantes holandeses.

Finalmente, reserve um dia inteiro para ir ao Cabo da Boa Esperança. No caminho, você vai se deparar com vários babuínos. Pare para fotografar, mas não chegue muito perto, eles são ariscos e fortes. Chegando ao Cabo, há um farol no alto, de onde a vista para o oceano é única. É possível chegar até a beira da praia, cheia de pedras, embora o vento seja forte e constante. Nessa esquina do mundo, os dois oceanos se encontram. No passado, a região foi marcada por muitos naufrágios, mas foi aqui também que Bartolomeu Dias fez a “curva”, descobrindo assim o caminho para as Índias, um grande feito que inaugurou as relações comerciais com a Ásia.

No último dia, entregue-se sem cerimônia à gula no elegante salão de chás do hotel Table Bay, incrustado no Water Front. Através das janelas, é possível admirar a Table Mountain. Escolha um sofazinho e deguste com calma os finger foods e uma bela xícara de Earl Grey Tea, enquanto relembra os dias incríveis em terras africanas, no seu palácio e na cidade maravilhosa.

 

Texto e fotos Cris Berger

 

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