ENTRETENIMENTO

Paraíso Particular

Inspirado pelas aventuras de Robinson Crusoé, o alemão Farhad Vladi cresceu desejando ter sua própria ilha. Transformou o sonho em negócio e hoje ajuda sonhadores (e celebridades) do mundo todo a comprar um pedaço de terra em pleno oceano.

 

Apaixonado pelas aventuras dos personagens de Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, e A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, o menino Farhad Vladi imaginou pela primeira vez como seria ter a própria ilha. O encantamento nascido na infância atravessou décadas e transformou o então garoto de 10 anos em um dos maiores corretores de ilhas particulares do mundo. “A sensação de olhar para o horizonte e ter a impressão de que você está no comando de tudo é inebriante. Talvez isso explique meu fascínio por ilhas”, diz Vladi.

O empresário alemão herdou o nome do pai russo. Nascido em Hamburgo, estudou economia, mas nunca deixou de sonhar com os paraísos idílicos dos tempos de garoto. Vivia cercado por mapas e livros. Aos vinte e poucos anos, leu uma reportagem sobre a venda de uma ilha em Seychelles, país insular no Oceano Índico formado por arquipélagos no norte e nordeste de Madagascar. Ele juntou o pouco dinheiro que tinha e decidiu publicar um anúncio em um jornal da região. “Esperava um anúncio pequeno pelo valor que paguei, mas me deparei com uma página inteira, dizendo: ‘Vladi procura ilha’”, relembra.

Na época, Vladi sabia que o pouco dinheiro que tinha não seria suficiente para fazer a aquisição. O que ele não poderia imaginar, entretanto, é que do episódio nasceria um negócio. Graças ao anúncio, conseguiu o primeiro cliente e vendeu a primeira ilha. “Foram quase dois anos de negociação. Não foi nada fácil, mas certamente valeu a pena ”, revela Vladi.

Luxo centenário A ilha de Maia, em Angra dos Reis, no Rio, está à venda por US$ 8 milhões e inclui construções em estilo colonial

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US$ 8 milhões e inclui
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Quase 40 anos depois, a Vladi Private Islands já intermediou a compra e venda de mais de 2 mil ilhas. Ajudou celebridades como Diana Ross, Nicolas Cage, Johnny Depp e David Copperfield a encontrar o pedaço de terra perfeito no meio do mar. Bill Gates e o casal Brad Pitt e Angelina Jolie também usaram o serviço da corretora alemã para buscar uma ilha para passar as férias. Foi ainda graças ao trabalho da empresa que Kate Middleton e o príncipe William conseguiram realiza o sonho de passar a lua de mel em Seychelles. Este é, inclusive, o segmento de mercado em que a empresa atua mais fortemente hoje: o de aluguel de ilhas. “Temos tido uma taxa de ocupação muito alta em resorts de luxo e ilhas, o que fez com que nosso foco mudasse um pouco de corretagem para o setor turístico.”

Se existe um mercado que pode ser considerado exclusivo, o de compra e venda de ilhas é, definitivamente, um deles. Como há pouquíssimas à venda, não é difícil entender por que os valores das transações podem chegar às alturas. Interessados em comprar uma ilha na Grécia, por exemplo, terão de desembolsar cerca de US$ 60 milhões. Cave Cay, nas Bahamas, está à venda por US$ 110 milhões.

Mas qual é o perfil de quem compra uma ilha? “Individualista no coração”, diz o megacorretor. E seriam, na maioria, homens? “Certamente, no papel, temos mais clientes homens, mas, nos bastidores, quem costuma dar a última palavra são as mulheres”, entrega.

Entre os lugares mais procurados pelos clientes que desejam comprar uma propriedade com a Vladi Private Islands estão a Europa Oriental, a Costa Leste dos Estados Unidos e o Canadá. Nova Zelândia e a costa australiana também vêm se tornando destinos cada vez mais desejados. Mas, quando o objetivo é alugar, Seychelles, Maldivas e Bahamas são imbatíveis. Apesar de nunca ter estado no Brasil, o empresário afirma ter clientes aqui. No site da empresa, há hoje dois anúncios de ilhas no país, uma em Angra dos Reis (RJ), à venda pela bagatela de US$ 8 milhões, e outra, mais modesta, na Bahia, que pode ser arrematada por pouco mais de US$ 620 mil.

Desde a realização do primeiro negócio, Farhad Vladi percorreu um longo caminho. E teve uma ascensão impressionante. Sediada na Alemanha, sua companhia tem escritórios no Canadá, Nova Zelândia e China, além de representantes e corretores em diversos países. Graças ao sucesso profissional, Vladi conseguiu realizar seu sonho de infância: há 35 anos, comprou sua primeira ilha, que, curiosamente, não fica em Seychelles. Sleepy Cove Island está a 30 minutos de Halifax, na Nova Escócia, em território canadense. A propriedade, densamente arborizada, fica no meio do Grande Lago Shubenacadie. “Quando estou lá, gosto de não fazer nada!”, revela. “A coisa mais mágica de uma ilha particular é a simplicidade. É um privilégio poder acordar com o sol e ir para a cama quando ele se põe.”

Privilégio O Te Paruparu Lodge (no alto), na ilha de Forsyth, na Nova Zelândia, oferece passeios de helicóptero. Acima, ilha no lago Mälaren, na Suécia, à venda por 6 milhões de euros

Privilégio O Te Paruparu Lodge (no alto), na ilha de Forsyth, naNova Zelândia, oferece passeios de helicóptero. Acima, ilha no lago Mälaren, na Suécia, à venda por 6 milhões de euros

Com seu astral contagiante, Vladi diz que estar em uma ilha é como visitar uma farmácia da alma – uma combinação de tranquilidade, energia e contato com a natureza. “Não há palavras para descrever essa sensação, é preciso ir, ver e sentir.” A fixação é tamanha que ele não se contentou em ter apenas uma ilha. Questionado se haveria alguma ilha no planeta que adoraria comprar, ele sorri e responde. “Sim, mas eu já comprei!” Ele se refere a uma propriedade de 8 mil m2 em Marlborough Sound, na Nova Zelândia. “Desde que comprei essa ilha, esqueci o que é ter inveja. É o lugar perfeito.”

O alemão tem outra grande paixão: a fotografia. Desde criança, tirava fotos e as revelava em um quarto escuro de sua casa. Recentemente, tornou-se especialista em fotos aéreas. As imagens estão em várias publicações sobre ilhas e acabam de ser incluídas em dois livros.

Com tantas conquistas, é possível imaginar que o menino sonhador já planeja o dia em que vai se aposentar e viver dias inesquecíveis, cercado pelo mar e pela natureza, certo? Que nada. “Me aposentar? Não tenho a mínima ideia do que você quer dizer”, desconversa, sorrindo.

 

Texto Suzana Camargo

 

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