PALAVRA DO ECONOMISTA

PMC: Vendas no varejo patinam

PMC abril/19

Veja o relatório em PDF aqui

O volume de vendas no comércio varejista referente ao mês de abril caiu 0,6% ante março, na série ajustada sazonalmente, porém avançou em 1,7% na comparação contra o mesmo período do ano anterior. Nossa projeção para esta variável foi de queda de 0,9% e o mercado de -0,1% segundo mediana das expectativas de Bloomberg.

O varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, ficou estável na leitura de abril ante março, na série com ajusta sazonal. Na comparação contra o mesmo período do ano anterior, por outro lado, a expansão foi de 3,1%. Nossa expetativa para a variação mensal era de queda de 0,65% e a mediana do mercado era de expansão de 0,3%.

É importante destacar que na publicação anterior deste relatório havíamos enfatizado o efeito calendário do deslocamento do carnaval para março e, consequentemente, a postergação das compras da páscoa, porém tal efeito não foi perceptível em abril conforme esperávamos.

Na análise das categorias que compõem o varejo, apenas três das oito categorias apresentaram desempenho positivo nesta leitura. No varejo ampliado as vendas de Veículos, Motos, Partes e Peças desacelerou na margem e cresceu apenas 0,2% este mês ante expansão 4,3% no mês anterior. Material de construção também avançou menos que no mês anterior com 1,4% na margem ante 2,4% do último mês.

Numa outra ótica, nas últimas publicações, vínhamos enfatizando a perda de dinamismo nos setores relacionados à crédito[1], especialmente pós-greve dos caminhoneiros em maio/18. Porém, na análise trimestral dos últimos dois meses é possível verificar ritmo de expansão semelhante ao início de 2018.

Setores ligados ao crédito têm relação próxima com decisões de longo prazo e atrelados à necessidade de expectativa de renda futura, acesso a crédito e confiança para realiza-las. Neste sentido, o melhor desempenho frente aos setores relacionados a renda nos surpreendem. Os setores mais relacionados a renda[2], por outro lado, apresentam tendência de crescimento muito tímida desde o início de 2017 atrelado à fragilidade do mercado de trabalho e ao consequente menor dinamismo dos ganhos salariais.

De modo geral, a leitura desta publicação é mais um dado que reforça o cenário de retomada bastante gradual da economia. Desta forma, após publicação do PIB do primeiro trimestre revisamos nossa expectativa de crescimento para este ano de 1,8% para 1,0%. Tal revisão é baseada em diversos fatores dos quais destaca-se: (i) menor dinamismo da atividade econômica global, (ii) queda dos índices de confiança maior que o antecipado e; (iii) alteração do nível de poupança privada na economia brasileira. Para 2020 também revisamos nossa projeção de 2,5% para 2,0%.

Neste sentido, vislumbramos que 2019, assim como 2018, será caracterizado pelo baixo crescimento, inflação abaixo da meta, apesar da política de juros baixos praticada pelo Banco Central. Projetamos 3,9% para o IPCA e 5,5% para a taxa SELIC no final de 2019.

 

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

 

[1] Combustíveis e lubrificantes; Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo; Tecidos, vestuário e calçados; Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; Livros, jornais, revistas e papelaria; Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação; Outros artigos de uso pessoal e doméstico.

[2] Móveis e eletrodomésticos; Veículos, motocicletas, partes e peças; e Material de construção.

 

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