PALAVRA DO ECONOMISTA

PNAD: Mercado de trabalho tem leitura pouco melhor em março

PNAD de março/19

Veja o relatório em PDF aqui

A taxa de desocupação (desemprego) medida pela PNAD ficou em 12,7% em março, frente 12,4% em fevereiro. No entanto, em termos dessazonalizados, houve queda de 12,14% para 11,95%. Primeira ocorrência abaixo de 12% em termos dessazonalizados desde setembro de 2016.

Nesta leitura houve uma melhora marginal importante, como redução da taxa de desemprego em termos dessazonalizados conforme citado acima, aumento população ocupada, expansão dos rendimentos médios e massa salarial em termos interanuais e criação de vagas com carteira assinada. Por outro lado, o cenário do mercado de trabalho olhando para os meses anteriores ainda é de baixo dinamismo e de vagas criadas com baixa qualidade, tanto é que taxa de subutilização registrou, também nesta leitura, o patamar mais elevado da série histórica de 25%.

A população ocupada cresceu 0,46% no trimestre terminado em março acima da PEA que cresceu 0,2%, ambos em termos dessazonalizados, o que levou a redução da taxa de desocupação. Em relação ao mesmo período do ano anterior a taxa estava no patamar de 13,1%, 0,4 p.p. acima do patamar atual, o que implica em algum ganho de ímpeto da economia.

O rendimento médio, por sua vez, avançou 1,42%% na comparação contra o mesmo período anterior. A massa salarial se expandiu ainda mais dado o maior número de ocupados e cresceu 3,30% em termos interanuais. Mesmo com o baixo dinamismo dos ganhos salariais, que se devem à composição das vagas criadas (informais e conta própria), a expansão em relação ao mesmo período do ano anterior, infere um aumento de ímpeto nos últimos meses e passível de ser monitorada nas próximas leituras.

Assim como o melhor desempenho do rendimento na margem, o mesmo ocorre para criação de novas vagas. Desde dezembro de 2018 a economia brasileira não gerava dois meses consecutivos de vagas com carteira, tampouco na intensidade que se gerou. A formalização do emprego é condição importante para a retomada do consumo das famílias dada maior previsibilidade e rigidez dos rendimentos contribuindo para as decisões de consumo de longo prazo.

Em linhas gerais, a melhora dos dados na margem com a expansão da população ocupada, aumento do rendimento médio e massa salarial e criação de vagas com carteira assinada ainda não altera o cenário que se apresenta até o momento de mercado de trabalho bastante fragilizado com lenta recuperação da ocupação, baixo dinamismo dos rendimentos e composição pobre das vagas criadas. Tal cenário nos parece condizente com o ritmo da atividade econômica e a percepção dos consumidores/empresários em torno da situação atual extraída das pesquisas de confiança. Desta forma, analisando os dados de atividade econômica do primeiro trimestre da produção industrial, comércio varejista e serviços alteramos nossa expectativa de crescimento do PIB de 2,3% para 1,8% em 2019 e de 2,5% para 2020.

 

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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