PALAVRA DO ECONOMISTA

Pressões pontuais não alteram cenário benigno de inflação

IPCA-15 – Março/2019

Veja o relatório em PDF aqui

O IPCA-15 de março variou 0,54% em relação ao mês anterior, pouco acima do esperado por nós e pelo mercado (0,52%). Na abertura do indicador vemos que os principais impactos foram centrados em alimentação no domicílio (0,30 p.p) e Transportes (0,09p.p.) como era esperado.

Os impactos altistas como em transportes refletem os efeitos da variação do câmbio e petróleo sobre o preço de combustíveis dada a política de preços da Petrobras e de reajustes de tarifas de transporte público, já alimentação no domicílio tem mostrado bastante resiliência deste o final do ano passado. E, como já havíamos destacado em relatórios anteriores, as pressões de alimentos ficam centradas em Cereais, leguminosas e oleaginosas (0,11 p.p); Tubérculos, raízes e legumes (0,10 p.p); Hortaliças e verduras (0,02 p.p); e Frutas (0,03 p.p). No entanto, a despeito do impacto inflacionário verificado nos últimos meses acreditamos que a causa deste fenômeno seja de oferta e deverá normalizar nos próximos meses.

As métricas com viés mais qualitativo, por sua vez, mostraram certo avanço na margem, mas ainda em patamar bastante confortável. A média dos núcleos acumulados em 12 meses e a média trimestral dessazonalizada e anualizada avançaram de 2,96% e 2,88% para 3,03% e 3,28% respectivamente.

 

Por fim, os núcleos de serviços e serviços subjacentes que apresentaram trajetória de aceleração na métrica dessazonalizada trimestral anualizada no final de 2018 e início de 2019, desde a última publicação têm apresentado comportamento mais benigno e voltaram a rodar na banda inferior da meta.

Em linhas gerais, o IPCA-15 de hoje foi pressionado por choques centrados em Alimentação e Transportes, cuja característica é de choques de oferta e tendem a se reverter ou não se perpetuar. Com isso não há grandes alterações para o cenário inflacionário corrente e prospectivo durante o ano. Entre abril e maio a inflação acumulada em 12 meses, segundo nossas projeções, deverá atingir 4,4%, entretanto, já em meados de julho deverá ceder para próximo a 3,1%.

Para o fechado do ano de 2019 mantemos nossa expectativa de 3,9% de taxa de inflação (IPCA).

Neste cenário, de retomada gradual da atividade econômica, baixa inflação e apoiado na mais recente comunicação do Banco Central do Brasil esperamos que o COPOM inicie um novo ciclo de queda da taxa SELIC em julho a levando para 5,5% no final de 2019.

 

Rafael G. Cardoso, economista-chefe
rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro
antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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