PALAVRA DO ECONOMISTA

Produção industrial: fechamento do primeiro trimestre mostra fraqueza da indústria em 2019

PIM-PF de março/19

Veja o relatório em PDF aqui

Em março, a produção industrial recuou 1,3% frente a fevereiro, na série com ajuste sazonal. Tal resultado foi pior que nossa expectativa de -0,9% e da mediana de -0,6%% do mercado segundo estimativas da Bloomberg. Na comparação contra o mesmo período do ano anterior o recuo foi de 6,1%. O desempenho bastante negativo foi impulsionado pelo efeito calendário com carnaval em março. Entretanto, a fraqueza do dado não é explicada somente por tal fator. O dado de forma geral, excluindo o efeito calendário, continuou mostrando o baixo dinamismo verificado ano longo dos últimos meses e, além disso, voltou a ser fortemente impactado pela indústria extrativa mineral devido ao desastre de Brumadinho-MG. Para os próximos meses não vislumbramos grandes alterações da trajetória errática da indústria.

Nesta leitura especificamente, houve poucas novidades qualitativas sobre a produção industrial. As categorias de Bens de Capital e Bens de Consumo Duráveis, que em nossa opinião são mais relacionadas a decisões de longo prazo, continuam mostrando comportamento anêmico.

Bens de Capital, por exemplo, teve desempenho pouco melhor na margem (+0,4%), entretanto a comparação do primeiro trimestre de 2019 com o mesmo período de 2018 (-4,3%), base que neutraliza o efeito calendário citado acima, explicita a clara perda de dinamismo da categoria durante o último ano. Bens de Consumo Duráveis, por sua vez, apresentou queda de 1,3% na margem e de 3,5% na comparação do primeiro trimestre de 2019 com o mesmo período de 2018.

É importante destacar que Bens de Capital é um importante indicativo dos investimentos produtivos e também da expectativa dos empresários em relação à demanda futura. A despeito da alta da confiança verificada no final do ano passado, não houve mudança no ímpeto de novos investimentos devido, em nossa opinião, a um elevado nível de ociosidade da indústria e também da perspectiva de que talvez a atividade não ganhe tração no curto prazo que justificasse tais investimentos.

Desta forma, os dados da Produção Industrial de março, continuam explicitando situação delicada da indústria especialmente após a greve dos caminhoneiros. O número divulgado hoje dá viés de baixa para nossa expectativa de crescimento do PIB de 0,3% no primeiro trimestre deste ano frente ao quarto trimestre do ano passado. Para o ano, mantemos nossa expectativa de crescimento de 1,8%.

 

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

 Antônio Castro

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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