ENTRETENIMENTO

Qual é a sua praia?

Para fazer uma seleção de destinos perfeitos para jornadas submarinas, consultamos especialistas, viajantes profissionais e proprietários de operadoras de mergulho. O resultado são dez lugares onde vale muito a pena ir mais fundo.

 

Se você espera algo mais do verão do que simplesmente sombra, água fresca e dolce far-niente, conheça alguns destinos onde a vida submarina pode fazer de suas férias uma experiência muito mais intensa. Tem mergulho para todos os tipos de viajante. Para ver naufrágio, para clicar a fauna marinha, para dar os primeiros “tibuns” como mergulhador autônomo… Dá ainda para escolher entre companhia de grandes predadores e de simpáticos golfinhos, render-se aos práticos mergulhos de praia, encarar aventuras a 30 metros de profundidade, e até desbravar cavernas e contemplar recifes de corais gigantes. Além de avaliar a temperatura, os tons de azul, a visibilidade e a variedade da vida marinha de cada destino, não deixe de dar a devida atenção aos momentos pós-mergulho. Estrutura, autenticidade, opções gastronômicas e hospitalidade fazem toda a diferença. E, claro, avalie se as dificuldades técnicas dos roteiros escolhidos são compatíveis com o seu preparo. Depois disso, é só colocar o snorkel e ser feliz.

 

VIAGEM NO TEMPO

Sharm el Sheikh

Apesar do nome, o Mar Vermelho é, na verdade, um golfo no Oceano Índico que banha de águas azuis-turquesa alguns privilegiados países do Oriente Médio, como Egito, Israel e Jordânia.

 

Proprietário da operadora Oxigenação, Sandro César indica um roteiro pelo Egito para quem quer se esbaldar com as belezas subaquáticas do lendário mar e ainda embarcar em um fabuloso túnel no tempo. “É uma viagem às antigas dinastias de faraós, aos caminhos de Moisés em busca da terra prometida e à batalha das Pirâmides de Napoleão”, ressalta.

 

Depois de zanzar pela cidade do Cairo, clicar o platô de Gizé, no subúrbio da capital egípcia, fitar a enigmática esfinge e sentir o clima das mesquitas mulçumanas, é hora de trocar o clima árido da cidade pelo aconchegante balneário de Sharm el Sheikh. Ali, não há tempo a perder. “São mais de 250 espécies de corais, que formam recifes que mais parecem jardins multicoloridos, e uma variedade e quantidade de peixes que deixam os mergulhadores sem saber para onde olhar”, diz César. O mais interessante é que 17% das espécies da fauna marinha são endêmicas, ou seja, só podem ser encontradas na região. Entre os animais mais cultuados pelos mergulhadores, estão os peixes-palhaço , parentes do simpático Nemo, da ficção da Disney, e o famoso lionfish.

 

PARAÍSO À BRASILEIRA

Fernando de Noronha

O arquipélago é, disparado, o melhor destino de mergulho no Brasil. Os motivos são óbvios: visual inspirador dentro e fora d’água, visibilidade perfeita e água quente o ano todo. Também, pudera – Fernando de Noronha é um dos lugares com a menor variação de temperatura no mundo. A fauna marinha do paraíso pernambucano inclui uma impressionante diversidade de tartarugas, os famosos golfinhos-rotadores – que cativam os turistas com saltos entusiasmados – e os mal-encarados tubarões-martelo, que podem ser avistados com facilidade.

 

Apesar do frenesi em torno do destino, Noronha continua mantendo os ar de paraíso. Muita coisa mudou nos últimos anos, mas não houve ocupação próxima às praias, o que garante o mais completo sossego em costões cujo acesso se dá apenas por trilhas ou de barco.

 

O arquipélago de Noronha é, disparado, o melhor destino para mergulhar no Brasil.

 

DESBRAVANDO O MEDITERRÂNEO

Córsega

Quarta maior ilha do Mar Mediterrâneo em extensão, a Córsega está em território Italiano, mas pertence à França. Segundo o instrutor de mergulho e agente de viagens da Set Sail, Guilherme Kodja, é uma das opções mais interessantes para explorar o Mediterrâneo.

Ele explica que a vida marinha nesse mar não costuma ser muito rica; por isso, é preciso saber escolher os pontos mais recomendados para cair na água. É o caso da ilha francesa, cuja biodiversidade está protegida em duas reservas naturais. As águas claras e cristalinas permitem mergulhos para ver de perto declives, formações rochosas, desfiladeiros e até destroços da Segunda Guerra Mundial. É possível fazer a operação com charter (viagens personalizadas em embarcações próprias). “Ele permite ao visitante passear, relaxar, ir ao continente para visitar os principais atrativos e montar a própria programação de mergulhos”, explica Kodja.

Segundo ele, a Córsega também convida a outras aventuras, como trilhas de bicicleta, escalada e à prática de esqui (no inverno, claro). A ilha reserva ainda muita história, como a do comandante Napoleão Bonaparte, nascido nessas terras, e oferece a boa gastronomia típica do Mediterrâneo.

 

IMERSÃO TOTAL

Tailândia

Banhada pelo Golfo da Tailândia e pelo surreal Mar Andaman, a Tailândia se revela aos viajantes em pequenas porções de terra cercada de águas límpidas e mornas por todos os lados. É o caso das ilhas Similan, do Píer de Raja (em Koh Samui) e do Shark Point, onde basta afundar 20 metros para se misturar a grandes cardumes de peixes tropicais, às arraias-manta e ao imponente tubarão-baleia. As ilhas Phi Phi, que serviram de cenário para o filme A Praia (2000), estrelado por Leonardo Di Caprio, são o grande cartão-postal do país asiático.

Apesar de ser um ponto de parada obrigatória (daqueles de deixar o turista boquiaberto), não é o melhor lugar para fazer mergulhos autônomos, por causa do excesso de badalação. Um destino desconcertante e menos disputado é a ilha Phuket, a maior da Tailândia, formada por uma infinita cadeia de baías e ilhotas que servem de base para mergulhos entre formações de corais exóticos e coloridos.

SOB O SOL DO CARIBE

Bonaire

Envolvendo dezenas de ilhas e ilhotas, cada uma com suas peculiaridades, seu idioma e sua cultura, o Mar do Caribe concentra praias de areias brancas intermináveis, boa comida, resorts de alto padrão, coquetéis à base do melhor rum e o principal: a possibilidade de fazer mergulhos riquíssimos em vida marinha. Tudo logo ali, pertinho do Brasil. Entre as várias opções de balneários nesse mar, José Augusto D’Orsi, responsável pela unidade carica da operadora Narwhal, indica a ilha de Bonaire (a 47 milhas da costa da Venezuela). “A visibilidade é espetacular, entre 40 e 50 metros, a água é quente, com temperatura média de 25 °C, e a vida marinha é riquíssima, sem falar nos mergulhos de praia.”

Estima-se que 470 espécies de peixes vivam nos corais de Bonaire. Dos 86 pontos de mergulho, 60 são acessíveis pela costa, o que torna a ilha conhecida por oferecer o melhor e mais fácil mergulho de praia no mundo. A opção de se equipar na superfície e iniciar a atividade em águas pouco profundas pode ser ótima para quem está iniciando no mergulho autônomo. Já a coloridíssima vida marinha faz de Bonaire, que pertence politicamente aos Países Baixos, um lugar cobiçado pelos amantes da fotografia subaquática.

 

DESAFIANDO DARWIN

Galápagos

Paraíso perdido no Oceano Pacífico, o exótico arquipélago de Galápagos, a quase mil quilômetros do Equador, é formado por 13 ilhas de origem vulcânica. O destino, que serviu de laboratório vivo para o naturalista Charles Darwin (1809-1882), é um consenso no mundo do mergulho, indicado por operadores, viajantes e instrutores. “O maior atrativo é a possibilidade de mergulhar com os ‘grandes’, como o tubarão-baleia, a arraia-manta e o tubarão-martelo”, explica Augusto D’Orsi, da Narwhal.

O economista Rodrigo Junqueira e sua mulher, a publicitária Ana Biselli, desbravaram o continente em uma expedição de carro batizada “1.000 Dias por Toda a América”. Segundo a dupla, Galápagos propiciou os mais fascinantes mergulhos da jornada. “Darwin só conheceu a parte emersa, mas a quantidade e a variedade de organismos debaixo d’água são ainda mais impressionantes”, diz Ana. Ela explica que o encontro de correntes de água quente e fria propicia a riqueza de nutrientes que garante a biodiversidade única do arquipélago. “Mergulhamos com tubarões-baleia, tubarões-martelo, pinguins, lobos-marinhos e peixe-lua”, relembra Ana.

A ilha mais usada como base para explorar a região é a de São Cristóvão. Mas, como os pontos de mergulho estão espalhados, a dica é optar por um liveaboard (viagem em embarcação própria), que garante autonomia para desbravar o território.

 

NA ILHA DE FIDEL

Cuba

Além de propiciar uma viagem aos anos 1950, com o desfile de Cadillacs bem-conservados (às vezes, nem tanto) pelas ruas das cidades e trilha sonora da melhor qualidade, o arquipélago cubano, composto de 4.200 ilhas, está entre os destinos mais interessantes do globo para desbravar as surpresas do fundo do mar. Essa região do Caribe já foi palco de histórias de piratas e tentativas de invasão e fuga de refugiados, mas, hoje, faz sucesso mesmo entre pacíficos mergulhadores.

 

Quem chega a Varadero, estância balneária a 140 quilômetros da capital Havana, descobre logo que a ilha socialista sabe muito bem como paparicar os capitalistas. São 20 quilômetros de praia de areia branquinha, palmeiras e pelicanos, que dividem a beira-mar com os hóspedes de resorts internacionais de alto padrão. Ao todo, a orla exibe 23 pontos de mergulho, com destaque para o naufrágio da Fragata Russa 383, a 33 metros de profundidade, atração para mergulhador nenhum botar defeito.

 

Mergulhador de primeira viagem

Para quem nunca fez um mergulho autônomo (com cilindro), vale a pena investir em um curso Open Water Diver, que garante uma carteira de mergulhador certificado, antes de embarcar para algum (ou alguns) dos paraísos citados nesta reportagem. Para isso, são necessárias cinco aulas em ambientes fechados (piscina ou um lugar semelhante) e quatro aulas em ambientes abertos (oceano, lago, rio etc.). O curso é oferecido por diversas escolas de mergulho brasileiras, como a Narwhal e a Oxigenação. Ambas têm filiais em várias capitais do país.

Caso você vá viajar para um destino de mergulho sem ter certificado, a recomendação é optar pelos programas de “Batismo”, que podem ser realizados no próprio destino. Em apenas meio dia, é possível aprender técnicas básicas de flutuação em águas pouco profundas e a usar o equipamento de mergulho pela primeira vez. Depois disso, já é permitido se arriscar em mergulhos em águas mais profundas (no máximo, 12 metros), acompanhado de um instrutor. E, à medida que o mergulhador se torna mais experiente, passa a participar de níveis de treinamento mais elevados. Portanto, aproveite nossas sugestões para começar a treinar e chegar cada vez mais fundo.

 

 

EM BOA COMPANHIA

Cozumel

Outro destino imperdível no Caribe, Cozumel fica ao sul de Cancún, mas em nada lembra o agitado ritmo das praias vizinhas. A ilha mexicana tem menos resorts e badalação que outros paraísos caribenhos e reúne atributos que costumam entusiasmar os mergulhadores: água quente, praias vazias e mares ricamente povoados.

 

O sul da ilha abriga a segunda maior barreira de corais do mundo, que pode ser admirada com facilidade, graças à visibilidade média de 30 metros. Na verdade, por mais raso que seja o mergulho, a visão por ali é sempre espetacular. E mais: no Parque Chankanaab, é possível nadar com golfinhos bem amigáveis.

 

 

CLIQUES INCOMPARÁVEIS

Indonésia

Insólita e cobiçada por fotógrafos, cientistas e mergulhadores de toda a parte do globo, a Indonésia é um dos lugares mais diversos do mundo para mergulhar – e, paradoxalmente, um dos menos conhecidos pela maior parte das pessoas. Entre as várias opções, estão as ilhas de Raja Ampat, que compreendem 753 quilômetros de praias de areia fina e um mar tão vasto em vida que novas espécies de peixes e corais estão sendo registradas e descobertas a cada instante. Quem dá a dica é o casal de mergulhadores Cláudio e Joyce Guimarães, que percorreu dezenas de países com o projeto “Terra sem Fronteiras”, submergindo sempre que possível.

 

“As águas cristalinas de Raja Ampat propiciam encontros com peixes que parecem extraterrenos, ora bizarros, ora deslumbrantes, como a raia-jamanta”, conta Joyce. Fora d’água, os cenários também são de deixar boquiaberto até o mais experiente dos viajantes. São aproximadamente 18 mil ilhas, das quais 6 mil são inabitadas, o que torna as possibilidades de aventura infindáveis. “A vida selvagem é vibrante. Inclui tigres, elefantes e orangotangos que habitam florestas tropicais próximas a praias idílicas, de areias brancas, nobres arrozais e templos exóticos”, diz a viajante, que documenta as várias expedições que empreende mundo afora ao lado do marido, fotógrafo.

 

 

AVENTURA SOB MEDIDA

Austrália

Para o instrutor de mergulho José Augus – to D’Orsi, a Barreira de Corais da Austrá – lia é um dos lugares mais entusiasman – tes em termos de fauna marinha. São mais de 2 mil quilômetros de extensão de pura diversida – de, no maior sistema de recife de corais do pla – neta.

 

Para conferir as vibrantes cores desse mar, a dica é seguir para o Estado de Queensland, no nordeste do país. Lá, a partir de balneários como Cairns, Port Douglas e Townsville, é possível fa – zer passeios em barcos com casco de vidro, que permitem apreciar o visual mesmo antes de sub – mergir, e se aventurar em mergulhos livres ou com cilindro.

 

O visitante pode optar ainda por fazer a prática em pontos tranquilos ou mais de – safiantes, a exemplo das cavernas submersas. Além dos incontáveis moluscos, peixes e tarta – rugas, as praias costumam ser frequentadas por tubarões de diferentes espécies.

 

Os fãs de adrenalina podem seguir até o sul da Barreira. “Um dos maiores predadores dos mares, o grande tubarão branco, pode ser con – templado em mergulhos com gaiolas”, conta o instrutor Augusto D’Orsi. Esse tipo de operação é realizada na Ilha Netuno, a 70 quilômetros da cidade de Port Lincoln, onde foram filmadas ce – nas do filme Tubarão (1975).

 

 

 

SERVIÇO

Câmbio Turismo n Daycoval Câmbio: 0300 111 2009 / daycovalcambio.com.br

Escola de mergulho n Narwhal: 21 3268-3364 / narwhal.com.br

Operadoras n Kangaroo: 11 3509-3800/kangaroo.com.br

Oxigenação: 11 4337-1393 / oxigenacao.com.br

Charter n Set Sail: setsail.com.br

 

Texto Camila Fróis

 

 

 

 

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