ENTRETENIMENTO

Um jeito diferente de viajar

Sistema de compartilhamento garante praticidade e hospedagem exclusiva em todo o mundo.

 

Consolidados nos mercados europeu e americano, os modelos de tempo e propriedade compartilhados vêm ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. Divididos entre a compra antecipada de semanas de hospedagem – o timeshare – e a compra de frações de empreendimentos – o fractional –, esses sistemas permitem aos clientes adquirir o serviço em um país e desfrutar dos benefícios em várias partes do mundo. Em 2012, mais de 25 mil brasileiros fecharam contratos nesses moldes. Há 10 anos, esse número não passava de 1,5 mil.

A indústria de propriedade compartilhada fatura, em média, US$ 12 bilhões por ano em todo o mundo. Na liderança isolada estão os Estados Unidos, que representam quase 70% desse total. No Brasil, as vendas do setor devem chegar a US$ 500 milhões neste ano – 9% de todo o volume movimentado na América Latina.

Apesar de os conceitos de timeshare e fractional terem chegado ao País há 20 anos, apenas em 2010 o mercado deslanchou na região. Para se ter uma ideia, nos últimos cinco anos, o setor deu um salto de 205% e chegou a um volume de vendas de R$ 1 bilhão em 2012. Para quem atua no mercado, há duas explicações para o avanço: a mudança de cultura do brasileiro, que começou a entender melhor o sistema e a ver vantagens nesse tipo de serviço, e a própria evolução dos meios de hospedagem, com produtos que se adaptam a diferentes perfis.

 

Natureza Acima (à esq.), o Marriott Shadow Ridge, com as montanhas de Palm Desert, na Califórnia, ao fundo; e o Enotel Porto de Galinhas, resort da RCI em uma das regiões mais preservadas do Nordeste

Natureza | Acima (à esq.),o Marriott Shadow Ridge, com as montanhas de Palm Desert, na Califórnia, ao fundo; e o Enotel Porto de Galinhas, resort da RCI em uma das regiões mais preservadas do Nordeste.

 

Presente em 30 países e com três décadas de existência, a RCI (Resort Condominiums International) reúne grande parte dos hotéis e empreendimentos que oferecem esse tipo de serviço no mundo. A empresa atua sob duas marcas, a RCI Weeks (voltada ao timeshare) e a The Registry Collection (para o fractional), e tem parceria com 4,6 mil empreendimentos globalmente, sendo 130 deles no Brasil. No ano passado, os mais de 60 mil clientes da empresa – e suas famílias – fizeram quase 30 mil viagens de férias mundo afora. “Uma das vantagens do timeshare é que o cliente paga um preço de diária preestabelecido, em contratos que podem se estender por um prazo médio de 10 anos. Já no fractional, é possível ser proprietário de parte de um imóvel no Brasil, por exemplo, mas desfrutar de hospedagem em várias partes do mundo”, explica Alejandro Moreno, diretor da RCI no Brasil.

O diretor conta que a maior parte dos clientes que opta pelos sistemas de compartilhamento são pessoas com filhos, que gostam de viajar e procuram empreendimentos que combinam lazer, conforto e praticidade. É o caso do assessor jurídico Thomas Herbert, que pagou R$ 190 mil pela fração de uma casa no litoral da Bahia em maio deste ano. Habituado a viajar pelo menos duas vezes por ano para o exterior com a família, ele viu nas propriedades compartilhadas uma forma de adquirir um imóvel de alto padrão sem precisar se preocupar com a manutenção e com os custos do empreendimento.

“Conheci o fractional no final do ano passado, quando estava viajando para a China com a minha família. Tenho outro imóvel de veraneio e um dos grandes problemas é que, a cada vez que vou utilizá-lo, preciso checar se está tudo funcionando, pagar alguém para fazer a limpeza; isso para ficar apenas dois ou três dias por ano. No sistema de compartilhamento, não me preocupo com nada disso.” Ele cita como outra vantagem a possibilidade de trocar as semanas a que tem direito por pontos, que podem ser utilizados em empreendimentos afiliados à rede em outras partes do mundo. “Em agosto, por exemplo, passei uma semana em Dubai. Como viajo bastante, o sistema me atendeu muito bem.”

Em 2010, a Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR) lançou seu primeiro – e até agora único – empreendimento voltado exclusivamente à venda de propriedade compartilhada, o Quintas Private. Localizado em Sauípe, litoral norte da Bahia o condomínio reúne casas de alto padrão, com acesso a serviços como central de locação e pay-per-use (supermercado delivery, garçom e copeira, entre outras facilidades).

Desde o início da operação, a empresa já vendeu cerca de 150 frações. “Os proprietários têm a possibilidade de usar as semanas adquiridas em várias propriedades no País e no mundo com qualidade equivalente à propriedade que compraram. Caso não venham a utilizar alguma das semanas no Quintas, obtêm um bônus para usar em outros destinos”, afirma Franklin Mira, diretor da OR responsável pelo empreendimento.

O bônus ao qual o executivo se refere é o sistema de “milhagem” do fractional, por meio do qual o cliente pode vender as semanas que não utilizar em sua propriedade e adquirir pontos, que poderão ser trocados por hospedagens em outros empreendimentos ligados à rede.

 

 

 

Hotéis de luxo da RCI no Brasil: o parque aquático Tayayá

Hotéis de luxo da RCI no Brasil: o parque aquático Tayayá.

Cruzeiros s e vinhos

Além da hospedagem em propriedades em várias partes do mundo, alguns tipos de contratos de compartilhamento permitem que o cliente troque seus pontos por outros tipos de benefícios. A rede de hotéis Marriott, que atua na área por meio da Marriott Vacations Worldwide, possibilita que essas milhagens sejam usadas em viagens de cruzeiros, roteiros de vinhos e até safáris.

A bandeira da rede francesa ligada ao timeshare e ao fractional está presente em mais de 40 destinos, em lugares como Estados Unidos, Aruba, França, Espanha, Tailândia, Reino Unido e Ilhas Virgens. O Brasil, por enquanto, não está na lista. “Até agora, não temos resorts na América Latina, mas estamos sempre avaliando novas oportunidades, baseados na demanda”, afirma Edward Kinney, vice-presidente global de Comunicação da Marriott Vacations Worldwide Corporation. Segundo Kinney, o interessado em adquirir um empreendimento por meio desse programa na Marriott desembolsa, no mínimo, US$ 17,8 mil e pode se hospedar em cerca de 1,5 mil clubes de férias. “Há planos para diversos tipos de contratos, que variam de acordo com as necessidades e os desejos de nossos clientes”, diz o executivo.

Para as empresas, o modelo é vantajoso porque permite aos hotéis aumentar a taxa de ocupação. Além disso, a venda antecipada de semanas e o compartilhamento de propriedades atraem público em épocas de menor movimento, minimizando um problema bastante comum no setor – a sazonalidade.

 

 

 

 

Texto Graziele Gonçalves

 

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