PALAVRA DO ECONOMISTA

PIB do quarto trimestre/18 consolida cenário de baixo dinamismo

PIB 4T/2018

Veja o relatório em PDF aqui

O PIB do quarto trimestre cresceu, na série com ajuste sazonal, 0,1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, oitavo trimestre consecutivo de crescimento. No entanto o valor ficou abaixo da nossa expectativa e do mercado que esperava crescimento de 0,2%. No acumulado em quatro trimestres, ou neste caso, o fechado de 2018, o resultado foi 1,1%. Nossa expectativa de era de 1,2%.

É importante destacar que a expectativa sobre o PIB de 2018 no início do ano passado chegou a aproximadamente 2,3% segundo o Relatório Focus. As expectativas foram cedendo para patamares mais baixos à medida que a atividade econômica corrente não apresentou tração. Este efeito foi bastante perceptível nos meses seguintes a paralização dos caminhoneiros em maio e se intensificou no último trimestre.

Destacamos na ótica da demanda a perda de dinamismo no consumo das famílias à partir do 2T2017, quando atingiu seu melhor ritmo de recuperação desde o início da recessão em 2015. Este bom desempenho do consumo na época se deu principalmente aos efeitos da liberação do FGTS. Após este período o consumo vem desacelerando de forma gradual e nesta leitura apresentou crescimento de 0,4% ante 0,5% do trimestre imediatamente anterior na série ajustada sazonalmente. Tal efeito é consequência, em nossa opinião, de um mercado de trabalho mais fragilizado cuja característica é que as vagas geradas na economia são de baixa qualidade marcada por trabalho por conta própria e informal, que são categorias com rendimentos bastante flexíveis.

Outro ponto que nos chama atenção são os dados referente à Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF) que apresentou queda na margem de -2,5% ante o trimestre anterior. Na comparação contra o mesmo período do ano anterior o crescimento foi de 3,0% e no acumulado do ano a agremiação cresceu 4,1%. No entanto, conforme destacamos no último relatório sobre PIB, o 3T2018 foi marcado por uma expansão nos investimentos por questões específicas do setor de petróleo e gás. As alterações no Repetro, regime fiscal aduaneiro que suspende a cobrança de tributos federais na importação de equipamentos para o setor de petróleo, impulsionaram a conta de investimentos incluir as plataformas usadas na exploração do petróleo do país na conta de investimento. Antes as embarcações produziam petróleo no Brasil, mas eram consideradas ativos localizados fora do país.

Descontados estes efeitos a conta de investimentos teria crescido 2,0% e não 4,1% conforme consta na leitura de hoje. Além destes pontos os dados de FBKF mostraram tendência bastante erradica durante todo o ano de 2018 sem tendência clara definida.

Pela ótica da oferta o setor agropecuário avançou 0,1% no trimestre contra o trimestre imediatamente anterior com ajuste sazonal e no acumulado do ano o resultado foi de 1,1%. Já o setor de serviços avançou 0,2% na comparação com o trimestre anterior e 1,3% no acumulado do ano. Por fim, a indústria contribuiu negativamente no último trimestre, recuando 0,3% na comparação com o trimestre anterior e 0,6% no acumulado do ano.

Em linhas gerais, o resultado do 4T18 reforça a percepção de perda de dinamismo da economia brasileira ao longo do segundo semestre de 2018, assim como o cenário prospectivo de retomada muito gradual.

Para 2019 colocamos em revisão nossa projeção de crescimento 2,5% com viés de baixa. Tal revisão é baseada em diversos fatores que em nossa opinião devem limitar a retomada da demanda de forma cíclica. O consumo das famílias, como foi possível verificar em 2018, deverá apresentar comportamento modesto devido, em nossa opinião, a recuperação precária do mercado de trabalho. O investimento (Formação Bruta de Capital Fixo), por sua vez, apesar da retomada da confiança e das menores taxas de juros, deve ter crescimento limitado devido à ainda alta ociosidade de produção em diversos setores, em especial na indústria. Por fim, o setor externo, que havia sido driver importante de crescimento nos últimos anos, deverá ser impactado, por um lado, pela recuperação da demanda interna, mesmo que de forma lenta. E, por outro, pela desaceleração do crescimento global, notadamente na China, que é nosso maior parceiro comercial atualmente.

Neste sentido, vislumbramos que 2019, assim como 2018, será caracterizado pelo baixo crescimento, inflação abaixo da meta, apesar da política de juros baixos praticada pelo Banco Central. Projetamos 3,9% para o IPCA e 6,5% para a taxa SELIC no final de 2019.

 

Rafael G. Cardoso, economista-chefe
rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro
antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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