PALAVRA DO ECONOMISTA

Agenda da Semana – 23/05 a 27/05

Tabela com projeções aqui

Nesta semana, os desdobramentos geopolíticos de uma possível entrada da Finlândia e Suécia na OTAN foram reduzidos frente à forte resposta que era esperada da Rússia, vocalizada por alguns meios de comunicação e pelo próprio País. A despeito do conflito ainda não ter ficado para trás nas formações de preço dos mercados, sua intensidade na pauta dos mercados globais foi diminuída.

Os dados macroeconômicos, por outro lado, mostraram continuidade das pressões inflacionárias em todo o globo, e diante deste cenário, mantemos nossa expectativa para a normalização da política monetária norte americana. Esperamos mais duas altas consecutivas de 0,50 p.p. seguidas de altas de 0,25p.p. resultando em Fed Fund de 2,5% – 2,75% ao final deste ano e de 3% – 3,25% ao final de 2023.

Esta tese está calcada na nova sinalização do FED, de maiores e mais persistentes pressões inflacionárias, especialmente tendo em vista o aquecimento do mercado de trabalho. Ainda que tais pressões já fossem notórias desde o final do ano passado, foi mais recentemente que membros influentes do comitê como Jerome Powell, Lael Brainard e John Williams sinalizaram com tal percepção e têm avançado no tom hawk da comunicação, sugerindo que política monetária americana pode chegar a patamares neutros já em 2022 e contracionista em 2023.

Brasil

Atividade Econômica

No Brasil, não houve divulgação de indicadores relevantes à atividade econômica nesta semana. Os últimos dados, no entanto, mostraram uma relevante melhora no ímpeto da recuperação econômica no primeiro trimestre e diversas casas, inclusive nós, passou a considerar um crescimento maior para o ano de 2022.

O avanço dos indicadores da indústria, comércio e serviços foram todos acima do esperado pelo mercado e por nós e os setores relacionados a bens de consumo foram as principais surpresas, pois era esperado um arrefecimento proveniente das dificuldades na aquisição de insumos, associado à desorganização das cadeias globais de valor e maior tempo de frente, assim como por pressões de custos e estoques baixos. Porém, essa expectativa foi frustrada e o melhor ritmo do mercado de trabalho no final de 2021 e intensificado neste começo de ano, elevando a massa de rendimento total de economia, deu folego extra ao consumo neste início de ano.

A conjunção de dados de atividade e emprego melhores, nos fez revisar nossa expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 0,5% para 1,0% em 2022 e reduzimos 2023 para crescimento de 0,3%, devido principalmente ao freio monetário que tenderá a se materializará em maior intensidade no próximo ano.

Com a divulgação dos dados de março, nossa expectativa para o crescimento do PIB no primeiro trimestre deste ano é de 0,9% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. E para o trimestre seguinte, de aproximadamente 0,2%, ambos, porém, possuem viés de alta, assim como nossa projeção para o ano fechado. Isso porque, as transferências de renda feitas pelo Governo Federal e a liberação do FGTS e antecipação do 13º salário do INSS servirão como impulso extra à atividade econômica no segundo trimestre.

Porém, a melhora vista e esperada para este primeiro semestre, tende a se dissipar no período seguinte, uma vez que uma parcela da renda do segundo semestre foi antecipada ao primeiro (13º salário do INSS) e o impacto da política monetária, segundo as defasagens históricas, tende a se materializar já em 2022 e se intensificar para 2023. Este efeito deve desacelerar serviços, principal proxy da recuperação atual.

Política

Nesta semana foram divulgadas duas pesquisas eleitorais. Os levantamentos mostram um comportamento estável para Lula nos cenários de primeiro e segundo turno, enquanto Jair Bolsonaro desacelera na margem, mas ainda segue em crescimento e reduzindo a diferença entre eles.

No estudo divulgado pela Exame/Ideia os dois principais candidatos caíram 1 p.p. Lula com 41% e Bolsonaro com 32% das intenções no primeiro turno, seguido de Ciro com 9% e Doria com 2%. Para o segundo turno, a diferença entre Lula e Bolsonaro é a menor já registrada, de 7 pontos, 46% a 39% respectivamente.

Na pesquisa divulgada hoje pela XP/Ipespe, Lula continua com 44% das intenções, seguido de Jair Bolsonaro com 32%. Adiante, Ciro aparece com 8% das intenções e João Doria com 4%. Num eventual segundo turno, Lula ganharia de Bolsonaro por 53% a 34% respectivamente. A diferença entre eles diminuiu de 20 para 19 pontos.

Próxima Semana

Para a próxima semana, a agenda será marginalmente esvaziada, com destaque para o índice de atividade econômica do Banco Central do Brasil (IBC-Br) referente a março, mas com incertezas sobre sua divulgação devido à greve de funcionários da autarquia. Nossa projeção, no entanto, é de crescimento de 1,0% na variação mensal e 1,8% na comparação contra igual período do ano anterior.

Ainda sobre a agenda, outro destaque da semana será divulgação do IPCA-15 referente ao mês de maio. Esperamos desaceleração para 0,47%. A principal razão para o arrefecimento vem do grupo de administrados, que após subir 3,2% no IPCA-15 de abril deve apresentar deflação este mês. Isto decorre principalmente por conta da queda mais intensa em energia elétrica por conta da alteração da bandeira tarifária para o patamar verde, pelo aumento menor da gasolina e dos produtos farmacêuticos. Além disso, devemos observar importante arrefecimento também em Alimentação no Domicílio em função de menor pressão em leite e derivados, panificados e dos itens do grupo in natura. Na direção contrária, os grupos de serviços e bens industriais devem mostrar aceleração. No primeiro, alimentação fora e passagens aéreas são os destaques altistas. Em industriais, a alta é mais disseminada conforme já observado no IPCA fechado de abril.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Julio Mello de Barros, economista

julio.barros@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

João Pedro Sanches

joao.sanches@bancodaycoval.com.br

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