PALAVRA DO ECONOMISTA

Agenda Econômica – 01/06 a 05/06

Veja aqui os eventos da próxima semana

Destaques da semana

Nesta semana, os destaques da agenda econômica doméstica foram os dados de inflação com o IPCA-15 de maio e os dados de emprego com a PNAD de abril e do produto com o PIB do primeiro trimestre.

No exterior, destaque para os dados de inflação da Zona do Euro e as releituras do PIB tanto dos Países de região quanto dos EUA.

A começar pela Europa, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu apenas 0,1% na comparação anual em maio, desacelerando de 0,3% observado em abril. Os efeitos deflacionários derivados da queda na atividade econômica devido às medidas de contenção do coronavírus têm afastado a inflação ainda mais da meta do Banco Central Europeu (BCE) de uma taxa ligeiramente inferior a 2%.

Ainda no continente, a segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre na Itália, mostrou uma contração maior, de 5,3% na margem e de 5,4% na comparação anual – há um mês, os porcentuais eram de -4,7% e de -4,8%, respectivamente. Na França, houve encolhimento de 5,3% da atividade na margem, mais brando do que o dado inicial, que revelava uma queda de 5,8%.

Nos EUA, a leitura do PIB mostrou que o produto do País cedeu para -5,0% em termos anualizados, abaixo da leitura anterior de -4,8%.

Outros dois pontos que foram destaque no cenário internacional nesta semana foi o pacote de estímulos da Comissão Europeia de aproximadamente 750 bilhões de euros e a elevação das tensões entre EUA e China.

Sobre o pacote de estímulos, no último dia 18, Alemanha e França haviam proposto a criação de um fundo pan-europeu de 500 bilhões de euros para amenizar os impactos da covid-19, mas a ideia tinha sofrido oposição de holandeses, austríacos, suecos e dinamarqueses. A proposta permitiria novas transferências de recursos entre os membros, que seriam financiadas por emissão de dívida comum da EU.

Em relação a Estados Unidos e China, após várias semanas de crítica do presidente americano, Donald Trump, em relação à China sobre a condução do surto da COVID-19 no País, nos últimos dias as tensões têm como destaque Hong Kong, após Pequim ameaçar na semana passada impor uma nova lei de segurança nacional na região. Trump disse que discutirá a aplicação de possíveis sanções à China nos próximos dias. Em discurso hoje, no entanto, o presidente americano disse que eliminaria isenções que dão a Hong Kong um tratamento especial, pois segundo Trump as incursões chinesas deixam claro que a região perde seu nível de autonomia.

No Brasil, os dados de inflação referente ao mês de maio, segundo o IPCA-15, mostraram que os efeitos da pandemia são, como em outras regiões, deflacionários para a economia. O índice variou -0,59% e no acumulado em 12 meses, passou de 2,9% na leitura de abril para 2,0% em maio. Destaque para o comportamento muito benigno dos núcleos (métricas de inflação com maior correlação com o ciclo econômico) e a trajetória baixista de serviços na margem (para saber mais leia nosso post completo aqui).

Já a taxa de desemprego da economia, no trimestre terminado em abril, subiu para 12,6% ante 12,2% a última leitura de março. Na série livre de sazonalidade, o avanço foi de 11,6% para 12,0% em abril.

Sobre o PIB, os dados divulgados esta manhã pelo IBGE mostrou retração de 1,5% no primeiro trimestre de 2020, comparado ao quarto trimestre de 2019, na série ajustada sazonalmente e –0,3% contra o primeiro trimestre de 2019. No acumulado de quatro trimestres, terminando em março de 2020, o índice registrou aumento de 0,9%, contra os quatro trimestres imediatamente anteriores.

Os efeitos da pandemia de COVID-19 já se fizeram presentes nesta leitura, mas de forma somente parcial. Neste sentido, a maturação dos impactos deverá ocorrer de forma mais intensa ao longo do segundo trimestre, o qual pode apresentar variação de quase 10% na margem.

Desta forma, com os dados mais atuais em mãos e considerando alguma normalização da atividade econômica ao longo do terceiro trimestre projetamos que o PIB de 2020 cederá em torno de 7%.

Próxima semana

Para a proxima semana, o destaque da agenda econômica fica para os dados de atividade econômica do mês de abril com a divulgação da produção industrial. Nossa expectativa para o índice é de queda de 37,3% em comparação contra abril de 2019.

Em relação ao mês anterior, projetamos queda de 29,3% na série livre de efeitos sazonais.

Também conheceremos o PMI das principais economias desenvolvidos referente ao mês de maio. A prévia do indicador, publicada na semana anterior, mostrou certo avanço na margem, mas ainda abaixo do patamar de expansão.

Por fim, na economia doméstica, também conheceremos os dados de inflação com o IGP-DI, esperamos alta de 0,17% em maio. Lembrando que os índices de preços gerais (IGP) são compostos pelo índice de preços ao produtor ampla (IPA), cujo peso é de 60% na indicador fechado e é fortemente impactado por variações no dólar e commodities, além do índice de preços ao consumidor (IPC) que tem peso igual a 30% e por fim o índice nacional da construção civil (INCC) com peso de 10%.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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