PALAVRA DO ECONOMISTA

Agenda Econômica – 03/08 a 07/08

Veja aqui os eventos da próxima semana

Destaques da semana

Nesta semana, a agenda de indicadores local foi pouco mais limitada e o destaque recaiu principalmente sobre os dados de atividade econômica referente ao segundo trimestre das principais economias desenvolvidas do mundo, além da decisão de política monetária do Fed (Banco Central americano).

Como esperado, a queda da atividade econômica devido à pandemia de coronavírus no mundo no segundo trimestre foi catastrófica. Nos Estados Unidos, em termos anualizados a queda foi 32,9%, o que implica num tombo de aproximadamente 9% na comparação contra o primeiro trimestre do ano. Lembrando que esta é primeira leitura dos dados, mas já indica o pior resultado para o período desde 1947.

Por outro lado, a pesar da magnitude da queda, o resultado foi pouco melhor que o esperado pelo mercado, segundo a mediana das expectativas da Bloomberg, cujo valor era de queda de 34,5%.

Na Europa, a Zona do Euro obteve desempenho pouco pior, o PIB da região encolheu 12,1% frente ao primeiro trimestre, amargando a maior contração da série histórica iniciada em 1995. Em relação ao mesmo período do ano anterior, o PIB do bloco registrou um tombo de 15% entre abril e junho.

A Eurostat, agência oficial de estatísticas da União Europeia, também revisou a retração do PIB da zona do euro no primeiro trimestre ante o quarto trimestre de 2019, de 3,8% para 3,6%.

Nas semanas anteriores, os dados de PIB da região asiática, mostraram dados pouco melhores, o que corrobora com nossa tese de que a retomada da atividade econômica global será heterogênea entre os países devido aos diferentes estágios do ciclo de contaminação de covid-19 ao qual diferentes regiões se encontram.

Além disso, recentemente cresceu os temores sobre uma possível nova onda de contaminações que podem minar as expectativas de uma retomada mais robusta.

Somado a este fator, acreditamos também que haverá uma retomada descompassada entre os setores da economia. Nossa expectativa é que a retomada da atividade econômica no cenário mundial seja gradual mesmo que no curto prazo os dados apresentem certo vigor, como visto nos últimos PMI’s preliminares de julho.

Para as próximas leituras, esperamos dados mais erráticos, uma vez que os impulsos atuais tentem a se perpetuar para o futuro, pois são apoiados numa demanda reprimida derivada do período da quarentena e também pelos efeitos do que ficou conhecido como “corona voucher”, programa de vários governos que sustentou os fluxos monetários das pessoas mais afetadas pela pandemia por um período, mas que perderão efeito ao longo do ano.

Este cenário também poderia ser replicado para a economia doméstica, como visto nas ultimas leituras, os setores da economia têm mostrado certa disparidade, principalmente serviços e vendas no varejo.

Pesa também na atividade doméstica, o combate ineficiente da pandemia no Brasil, já que ondas de contaminação mais perenes minam a confiança dos agentes econômicos de retomar suas atividades e de consumir. Desta forma, vislumbramos uma queda do PIB de 6,1% em 2020 e uma retomada de 3,8% no próximo ano, seguido de um crescimento de 1,9% e 1,6% em 2022 e 2023 respectivamente. Em nível, a atividade econômica só deve retornar ao patamar do final de 2019, no primeiro trimestre de 2023.

Retornando ao exterior, nesta semana também tivemos a decisão de política monetária do Fed, segundo o comunicado da Autoridade monetária, a instituição continuará com sua política monetária acomodatícia, ou seja, fornecendo liquidez aos mercados para apoiar o fluxo de crédito nos próximos meses.

O ponto de destaque foi o anúncio que o Federal Reserve permanecerá com sua compra de títulos tanto do Tesouro quanto títulos lastreados em hipotecas residenciais e comerciais, “pelo menos no ritmo atual para sustentar o bom funcionamento do mercado, promovendo assim a transmissão eficaz de política monetária a condições financeiras mais amplas”.

Na fala de seu presidente, Jerome Powell, chamou atenção a afirmação que a recuperação da economia americana estaria condicionada ao combate à infecção no país, que recentemente enfrenta um surto com recorde de novas contaminações, principalmente na Califórnia, Texas e Florida.

No Brasil, o cenário político seguiu com os desdobramentos da primeira fase da reforma tributária enviada ao congresso semana passada. A reforma, que segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, será dividida em 4 fases, propõe, nesta primeira fase, a unificação do PIS e Cofins em uma Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS) com alíquota de 12%, já as fases seguintes serão: (i) Simplificação do IPI; (ii) Mudanças no IRPJ e (iii) fim do imposto patronal e criação de um imposto sobre transações digitais, conhecido como uma nova CPMF.

No entanto, após pressão do setor de serviços que seria o principal afetado nesta primeira fatia do texto, o governo decidiu por antecipar as próximas fases e enviar para a comissão mista da reforma no Congressos os temas seguintes como: Imposto de renda de pessoa jurídica, desoneração da folha de pagamentos e criação do imposto sobre transações digitais.

Os trabalhos na comissão foram restaurados hoje (31), mas apenas para discussão do cronograma. Na próxima semana, terá início também as audiências públicas e o primeiro convidado a ser ouvido será o ministro Paulo Guedes.

Próxima semana

Para a próxima semana os destaques da agenda doméstica serão os dados de inflação, com o IPCA de julho, a decisão de política monetária do COPOM e os dados de atividade econômica referente à produção industrial de junho.

Sobre a inflação, como vínhamos comentando em publicações anteriores, os efeitos da pandemia sobre a atividade econômica brasileira serão agudos e desta forma elevando ainda mais a ociosidade sobre os fatores de produção, e consequentemente mantendo a inflação em um patamar abaixo da meta do Banco Central até 2022, a despeito de alguma pressão no curto prazo devido a revisões de preço em combustíveis.

Para a leitura de julho, esperamos que o IPCA apresente alta de 0,31%, como destacado acima, com pressão altista focada em combustíveis, como visto na leitura do IPCA-15 passado. Com a materialização deste valor, esperamos que o acumulado em 12 meses do índice passe de 2,1% em junho para 2,0% em julho. Nossas expectativas é que o IPCA fechado de 2020 fique em 1,6%, 2,8% em 2021 e 3,5% em 2022.

Sobre política monetária, em nossa opinião, os fundamentos macroeconômicos, especialmente a ociosidade na economia como explicitado anteriormente e a inflação corrente baixa, somadas às expectativas de inflação abaixo da meta permitiram ao Banco Central levar a taxa SELIC a aproximadamente 1,5%.

Entretanto, como já explicitado na comunicação da Autoridade Monetária e mais recentemente em eventos públicos, na figura de seu presidente, Roberto Campos e do diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, que enfatizaram que o ciclo de cortes se aproxima do fim e deverá, caso haja, ter ajuste somente residual na margem.

Desta forma, esperamos manutenção da SELIC em 2,25% na próxima reunião e que permaneça estável neste patamar pelo menos até o final de 2021.

Por fim, sobre a produção industrial de junho, esperamos certa recuperação da atividade manufatureira na margem com um crescimento de 8,6% contra maio, ajustado sazonalmente, mas ainda abaixo do nível anterior com queda de 9,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

Privacy Settings
We use cookies to enhance your experience while using our website. If you are using our Services via a browser you can restrict, block or remove cookies through your web browser settings. We also use content and scripts from third parties that may use tracking technologies. You can selectively provide your consent below to allow such third party embeds. For complete information about the cookies we use, data we collect and how we process them, please check our Privacy Policy
Youtube
Consent to display content from Youtube
Vimeo
Consent to display content from Vimeo
Google Maps
Consent to display content from Google
Spotify
Consent to display content from Spotify
Sound Cloud
Consent to display content from Sound