PALAVRA DO ECONOMISTA

Agenda Econômica – 06/09 a 10/09

Veja aqui os eventos da próxima semana

Nesta semana, os dados da agenda econômica foram centrados nos dados de atividade econômica com a divulgação do PIB do segundo trimestre de 2021, além dos dados de emprego e da produção industrial de junho e julho, respectivamente. Outro indicador, este referente à inflação, foi o IGP-M de agosto.

No exterior, destaque também para os dados de atividade econômica de diversas regiões, além dos dados de emprego nos Estados Unidos, divulgado hoje.

COVID-19

Nesta semana, os desdobramentos da pandemia de COVID-19 mostram certa deterioração, com avanço das contaminações, principalmente na América do Norte, liderado por Estados Unidos.

A despeito da continuidade do processo de imunização em diversos países, o avanço da variante delta permanece no radar. Na Europa, Ásia e América do Norte a variante é predominante, cuja principal característica é de maior capacidade de espraiamento da doença.

Nos EUA, mesmo com o avanço da imunização, o país enfrenta uma onda de contaminações que tem elevado o número de novos óbitos, isso porque uma quantidade significativa de Estados tem cobertura vacinal é inferior à média nacional. E o país continua nos esforços de incentivar a vacinação.

No entanto, como temos visto em diversas regiões, não é mais esperado medidas de lockdowns amplos, como visto em ocasiões mais agudas da crise pandêmica, à exceção da China, onde recentemente restringiu diversas medidas de mobilidade com a finalidade de evitar o avanço dos contágios no país.

No Brasil, e na América do Sul como um todo, como evidenciado no gráfico 1, as contaminações têm arrefecido tanto pelo avanço da vacinação na população quanto pela região estar num ciclo anterior aos países desenvolvidos.

A ritmo de vacinação no Brasil tem se mantido num patamar elevado e o indicativo é que tenhamos boa parte de nossa população vacinada até o final deste ano.

O Estado de São Paulo, um dos principais contribuintes para o crescimento do país já retirou boa parte das medidas de restrição e já deixou anunciado para novembro uma flexibilização ainda mais ampla das medidas de restrição.

Exterior

No exterior, os indicadores de atividade econômica mostraram certo arrefecimento da atividade econômica em linha com um movimento de maturação da atividade econômica após o período de abertura da economia.

A China, país mais avançado no ciclo de contaminação apresentou na leitura dos índices de gerentes de compra (PMI, no acrônimo em inglês) de agosto um arrefecimento importante da atividade econômica. O PMI composto, que avalia tanto a indústria quanto o setor de serviços registrou queda de 53,1 em julho para 47,2 em agosto, puxado principalmente pela queda do setor de serviços.

Já outras regiões, como Zona do Euro, a despeito de também apontar queda nas leituras dos PMIs quanto em outros indicadores de atividade econômica, como as vendas no varejo, ainda apresentam sinais de recuperação. O PMI composto da região cedeu marginalmente para o patamar de 59 pontos. Valores acima do patamar de 50 indicam expansão das atividades.

Porém, o indicador mais esperado da semana no exterior, os dados de emprego dos EUA, que tem forte influência nas decisões de política monetária do país, mostrou uma frustração significativa em relação ao seu esperado. O Payroll, como é conhecido o relatório de emprego americano, mostrou criação de 235 mil novos postos de trabalho, enquanto o esperado era de próximo de 733 mil novas vagas.

A frustração, porém, deve ser lida com cautela, uma vez que os ganhos salariais avançaram 0,6% ante expectativa de alta de apenas 0,3%. Pressões de custos de salários podem indicar riscos à inflação do país, desta forma, uma leitura de geração de emprego abaixo do esperado, pode não repercutir em falas mais dove, ou seja, baixistas para juros, por parte dos dirigentes do Fed, se o cenário apontar para pressões salariais.

Brasil

Inflação

O IGP-M referente ao mês de agosto mostrou desaceleração para 0,66% em relação ao mês anterior (0,78%). Isto foi permitido tanto pelo arrefecimento observado no IPA quanto no IPC. No primeiro grupo, o IPA industrial apresentou deflação de 1,25%, refletindo a forte redução dos preços de minério de ferro. Já o IPA agro andou na direção contrária e apresentou forte alta (5,7%), puxados pela soja (7,78%), milho (10,97%) e café (20,98%). O destaque no IPC segue sendo os grupos de Alimentos (1,17%) e de Habitação (1,05%). Tomate e Energia foram os principais itens altistas. Nas próximas leituras a expectativa é que os IPAs contribuam para a contínua desaceleração do IGP-M.

Atividade Econômica

O PIB referente ao segundo trimestre de 2021, segundo os dados divulgados pelo IBGE apresentou queda de 0,1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal. Na comparação com igual período de 2020, a alta foi de 12,4%.

Nossa expectativa apontava para um crescimento marginalmente superior, esperávamos estabilidade no período (0,0%) na comparação trimestral. A principal frustração em relação ao número partiu do fraco desempenho do consumo das famílias, que apresentou crescimento nulo, ante nossa expectativa de crescimento de 1%. O investimento também caiu mais do que o esperado por nós.

O grande fator positivo, no entanto, partiu do setor externo, com queda de 0,6% das importações e avanço de 9,4% das exportações, impulsionadas pelo patamar da taxa de cambio e também pela alta demanda global por matérias-primas.

 A leitura, no entanto, acende um sinal de alerta sobre a absorção doméstica e a capacidade do país em continuar a avançar na recuperação econômica, como visto em outros países. Mesmo com esta leitura, marginalmente abaixo do esperado por nós, continuamos com a perspectiva de crescimento para 2021 em 5,2%. Isso porque os dados de emprego têm mostrado recuperação, assim como o fator de serviços, importantes meios para o crescimento da renda.

Para o ano de 2022, ainda esperamos crescimento de 2%, mas o viés da nossa projeção é de baixa, principalmente devido à normalização dos juros, iniciado pelo Banco Central do Brasil e pelo crescente risco de racionamento de energia.

Na linha de uma atividade econômica marginalmente mais fraca, os dados da indústria de julho, mostraram queda de 1,3% na comparação com o mês imediatamente anterior. O resultado foi abaixo do esperado, situado em -0,8%.

E o principal fator que impulsou este resultado pior que o esperado veio da indústria de transformação e principalmente dos bens de consumo duráveis, que englobam a produção de veículos, afetada pela crise de semicondutores no mundo inteiro.

Porém, além dos fatores negativos vindos da indústria de bens duráveis, outros segmentos, como bens de capital, também desaceleraram em relação a leituras anteriores. Esta perda de dinamismo, porém, era esperada, uma vez que parte da renda antes destinada ao consumo de bens, passará agora, ao consumo de serviços, criando maiores barreiras para a continuidade do avanço do setor.

Emprego

Os dados de emprego, divulgados esta semana, no entanto, apresentam sinais na direção contrário ao visto no PIB e na indústria. A taxa de desemprego caiu de 14,6% para 14,1% entre maio e junho, na série original. Na comparação com ajusta sazonal, o desemprego cedeu de 14,3% para 14,0%. O esperado pelos agentes de mercado era de uma queda um pouco menor de 14,4%.

O gráfico 5, num exercício realizado por nós, através de uma taxa de desemprego ajustada, que fixa a população economicamente ativa (PEA) em fevereiro de 2020, com a finalidade de acompanhar qual seria a “real” taxa de desemprego da economia, mostra que após o pico em agosto de 2020, de 21,7%, registra agora 15,9%. Este movimento mostra a volta das pessoas ao mercado de trabalho e indica dinamismo, ainda que incipiente, na geração de emprego.

Porém, assim como no período pré pandemia, a geração de vagas na PNAD tem sido protagonizada por conta própria, ou seja, vagas com rendimentos flexíveis e de baixa qualidade.

Nossa perspectiva é que o emprego, assim como serviços, continue a se recuperar conforme avança a vacinação no país e a população volte a destinar renda para este segmento.

Próxima semana

Para a próxima semana, o destaque da agenda econômica doméstica serão os dados de inflação com o IPCA e o IGP-DI de agosto. Além dos dados de atividade econômica, com as vendas no varejo referente ao mês de julho.

No exterior, o foco recairá para a decisão de política monetária do Banco Central Europa e será bastante acompanhada o discurso da Presidente da instituição, Christine Lagarde, que poderá comentar sobre alguma redução na compra de ativos por parte do BCE, como já fez o Federal Reserve.

Para o IPCA de agosto, nossa expectativa é de elevação de 0,71%, desacelerando em relação ao mês anterior (0,96%). As principais altas são dos grupos de Alimentação e bebidas (0,98%), Transportes (1,17%) e Vestuário (0,98%). Os principais itens altistas são gasolina, energia elétrica, automóvel novo e usado, aves, tomate e roupa feminina. Esta configuração reflete os eventos que ocorreram ao longo do mês como a ocorrência de geadas e secas afetando os alimentos, a contínua falta de semicondutores com dificuldade de produção de veículos e crise energética. Além disso, é esperado também que os preços dos itens ligados aos serviços continuem se elevando seguindo o processo de melhoria da vacinação. Em função da nova rodada de aumento de energia pela introdução da bandeira escassez energética com valor de R$14,2 para cada 100kWh, elevamos para 7,75% nossa expectativa de inflação para 2021 e mantivemos em 3,90% para o próximo ano.

Em relação as vendas no varejo, esperamos alta de 0,9% em julho, na comparação com junho. Já para o varejo ampliado, que incluem as vendas de veículos e material de construção, esperamos queda de 0,3% para o mesmo período. A queda é esperada principalmente pelas dificuldades do setor automotivo.

Fonte: FGV, Bloomberg e Broadcast

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Julio Mello de Barros, economista

julio.barros@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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