PALAVRA DO ECONOMISTA

Agenda Econômica – 09/12 a 13/12

Veja aqui os eventos da próxima semana

Destaque da semana

Nesta semana, os destaques da agenda econômica doméstica foram os dados de atividade econômica e inflação com a divulgação do PIB do terceiro trimestre, a produção industrial de outubro e, por fim, o IPCA de novembro.

No exterior, destaque para os dados de atividade econômica. Nos Estados Unidos houve a publicação do PMI industrial e de dados de emprego, ambos referentes ao mês de novembro. Na Zona do Euro, destaque também para o PMI industrial, vendas no varejo e para a leitura final do PIB do terceiro trimestre.

Os PMI’s industriais tanto dos Estados Unidos quanto da Zona do Euro apresentaram desempenho acima do esperado. Na economia americana, era esperado manutenção do índice em 52,2, porém o resultado foi pouco acima(52,6). Na Zona do Euro, a expectativa também era de manutenção em relação à última leitura de 46,6. O dado também veio melhor que o esperado (46,9). No entanto, a despeito de um resultado melhor que o esperado, o índice da zona do euro ainda permanece em patamares que demonstra queda da atividade industrial (abaixo de 50).

O PIB do bloco comum apresentou crescimento em linha com o esperado de 0,2% em relação ao trimestre imediatamente anterior e 1,2% contra o mesmo período do ano anterior. As vendas no varejo, por outro lado, apresentaram desempenho pouco pior que o esperado, o resultado foi de queda de 0,6, abaixo da mediana das expectativas da Bloomberg (-0,5%).

No cenário doméstico destaque para a divulgação do PIB do terceiro trimestre que apresentou um crescimento de 0,6% frente o segundo trimestre e 1,2% frente ao mesmo trimestre do ano anterior. Desta forma acumula crescimento de 1,0% nos últimos quatro trimestres. O resultado veio acima do esperado por nós na margem (0,3%) e pelo mercado (0,4%). O melhor resultado do PIB frente ao esperado é devido a retomada da demanda doméstica privada (consumo das famílias e investimentos) em contraposição ao desempenho fraco do consumo do governo e do setor externo. (Para saber mais, leia nosso post completo aqui)

Já a produção industrial, também divulgada essa semana mas já referente ao mês de outubro, cresceu 0,8% na comparação com setembro, pouco abaixo da mediana de mercado de 0,9%, e configura a terceira alta consecutiva na margem. A variação contra outubro de 2018 foi de 1,0%, relativamente estável frente o mês anterior.  A alta da indústria na margem foi relativamente disseminada à exceção de bens de capital (-0,3%), que há 6 meses patina, e da indústria extrativa (-1,1%).  Por outro lado, a indústria de transformação (0,8%) e notadamente a produção de bens de consumo duráveis (+1,3%) tiveram desempenho positivo.

Por fim, o IPCA de novembro apresentou alta de 0,51% e acumula variação de 3,27% em 12 meses, frente 2,54% em novembro. O número relativamente alto é explicado por (i) alta de preço de proteínas animais; (ii) bandeirada de energia elétrica e; (iii) reajuste de Loteria. As métricas com viés mais qualitativo, por outro lado, como núcleos e serviços, permaneceram com comportamento benigno na margem a despeito da inflação alta no mês. (Veja nosso comentário completo aqui)

As novas informações disponíveis à respeito de inflação e atividade nos levaram a revisar nossas expectativas tanto para 2019, quanto para 2020. Em relação à inflação, revisamos nossa projeção para 3,8% para 2019 e mantivemos a projeção de 3,6% para 2020. Para o índice de dezembro nossa projeção atual é de 0,70%. Em relação a atividade econômica, considerando a surpresa com o resultado do terceiro trimestre, os melhores dados de atividade já conhecidos do quarto trimestre, efeitos exógenos (como FGTS) e nossos modelos de projeção revisamos nossa expectativa de crescimento do PIB de 2019 para 1,2%, de 0,9%, e de 2020 para 2,1%, de 1,8%.

Próxima semana

Para a próxima semana destaque para os dados de atividade econômica de outubro (vendas no varejo e o índice de atividade econômica do BCB, veja os detalhes no link acima ou aqui) e, especialmente, a decisão de política monetária do BCB.

Na quarta-feira (11) haverá a reunião de política monetária do Banco Central do Brasil (COPOM). Esperamos que a decisão seja de cortar a taxa SELIC em mais 0,5p.p. como já sinalizado pelo Banco Central. Entretanto, em relação a comunicação do COPOM, acreditamos que haverá algum ajuste. Isto por que no comunicado e ata da última reunião foi explicitado que após o corte de dezembro haverá maior cautela na condução da política monetária.

Da reunião de outubro para cá diversos fatos corroboram com tal postura mais cautelosa por parte do BCB nas primeiras reuniões de 2020. Nesta lista podemos destacar: (i) efeitos a se materializar do ciclo de cortes atual (de 6,5% para os 4,5% esperados); (ii) retomada da atividade econômica pouco mais rápida que o esperado retirando urgência de maiores estímulos; (iii) câmbio mais depreciado e; (iv) inflação pressionada no início do ano por choques de oferta.

Desta forma, para além da nossa expectativa de corte na reunião da próxima semana, esperamos que a comunicação do COPOM sinalize uma pausa no ciclo baseada em argumentos semelhantes aos que citamos a pouco, mas não fechará a porta para voltar a agir caso seja necessário. Neste sentido mantemos nossa expectativa que a taxa SELIC termine este e o próximo ano em 4,5%.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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