PALAVRA DO ECONOMISTA

Agenda Econômica – 16/03 a 20/03

Veja aqui os eventos da próxima semana

Destaque da semana

Nesta semana, os destaques tanto da agenda econômica doméstica quanto no exterior tiveram impacto limitado devido aos desdobramentos do surto de COVID-19 no mundo e de condições geopolíticos sobre o petróleo.

No entanto, na agenda doméstica os destaques desta semana ficaram para os dados de inflação com o IPCA de fevereiro e atividade econômica com a produção industrial de janeiro.

Em relação ao IPCA, em fevereiro o índice variou 0,25%, acima do esperado por nós (0,17%) e da mediana das expectativas de mercado segundo a Bloomberg (0,15%). No acumulado em 12 meses, o índice passou de 4,19% na leitura de janeiro para 4,00% em fevereiro (para ler mais veja nosso post completo aqui).

Em relação à produção industrial de janeiro, o índice avançou 0,9% na comparação contra dezembro, na série livre de sazonalidade, recuperando-se parcialmente de dois resultados negativos consecutivos. Em relação ao mesmo mês de 2019, o índice apresentou queda de -0,9%. Tal resultado foi pouco abaixo do esperado por nós (-1,0% YoY) e em linha com o mercado (-0,9 YoY). Na comparação do trimestre terminado em janeiro contra o trimestre imediatamente anterior não coincidente, o índice cai 1,1%.

Na análise por grandes categorias, destaca-se, do ponto de vista positivo, Bens de Capital e Bens de Consumo Duráveis que na comparação contra o mesmo período do ano passado avançaram 3,9% e 1,7% e, na série dessazonalizada, 12,6% e 3,7% contra dezembro, respectivamente. No entanto, a despeito de uma leitura pouco melhor na margem, na comparação do trimestre terminado em janeiro contra o trimestre imediatamente anterior, não coincidente, o índice passou de -5,0% para -5,8%.

Desta forma, a indústria que vinha apresentando desempenho pouco pior que outros indicadores de atividade econômica vistos até o momento, ganha agora contornos de maior incerteza devido ao cenário externo que demonstrou rápida deterioração com o surto de COVID-19 gerando relevantes choques de oferta, demanda e financeiro e incertezas sobre o impacto econômico tanto global quanto na economia doméstica (Para saber mais leia nosso post aqui).

Próxima semana

Para a próxima semana, o destaque da agenda será a decisão de política monetária do COPOM na quarta-feira, no entanto, é importante ressaltar que o novo coronavírus, surto iniciado na China em meados de janeiro, tomou proporções globais no final de mês de fevereiro e nesta semana a OMS classificou o vírus como uma pandemia global após mais de 130 mil casos confirmados e 4,9 mil mortes em todo mundo.

Os impactos econômicos derivados do surto ainda são desconhecidos, no entanto, o esforço de contenção da doença, principalmente na China, paralisaram boa parte das manufaturas das regiões afetadas gerando problemas de suprimento nas cadeias globais de valor. E preocupa os desdobramentos possíveis vindos das regiões fora da China que foram afetadas pelo vírus, notadamente Europa, classificada como novo epicentro e Estados Unidos, que nesta semana em discurso dirigido à nação, o Presidente Donald Trump, decidiu por cancelar todos os voos para a região por 30 dias.

Tais eventos geraram um novo movimento de afrouxamento monetário por parte dos principais Bancos Centrais, liderado pelo Federal Reserve (Fed) que cortou 0,50 p.p. em reunião extraordinária além de acenos dos governos com pacotes emergenciais para conter os impactos causados pela doença nas economias.

Em linha com este movimento, nossas perspectivas sobre algumas variáveis macroeconômicas domésticas foram alteradas ante cenário anterior. Em relação à atividade econômica, após a divulgação do PIB do quarto trimestre, que chancelou a perda de dinamismo da economia, revisamos nossa perspectiva de crescimento para o ano de 2020 de 2,1% para 1,8%. Em relação à inflação, notadamente o IPCA, também revisamos nossa estimativa para o final deste ano de 3,3% para 3,0% em alguma parcela devido ao menor crescimento econômico e persistência de um hiato ainda bastante elevado.

Por fim, em relação a política monetária, contrariamente a modelagem explicitada pelo BCB, nossos modelos apontam para inflação ainda bem abaixo da meta tanto em 2020 quanto em 2021, especialmente para medidas de inflação subjacentes (núcleos). Adicionando a este processo os efeitos do cenário externo com o surto de COVID19 cujos impactos ainda são desconhecidos, mas claramente baixista para atividade econômica tanto global quanto doméstica nos levou a revisar nosso cenário de juros anterior. Acreditamos que o BCB adotará novamente uma postura favorável a juros baixos já na próxima reunião do COPOM, com um corte de 0,50 p.p. e de mais 0,25 p.p. na reunião posterior, levando a taxa SELIC à 3,50% patamar que acreditamos permanecer até o final deste ano.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

Privacy Settings
We use cookies to enhance your experience while using our website. If you are using our Services via a browser you can restrict, block or remove cookies through your web browser settings. We also use content and scripts from third parties that may use tracking technologies. You can selectively provide your consent below to allow such third party embeds. For complete information about the cookies we use, data we collect and how we process them, please check our Privacy Policy
Youtube
Consent to display content from Youtube
Vimeo
Consent to display content from Vimeo
Google Maps
Consent to display content from Google
Spotify
Consent to display content from Spotify
Sound Cloud
Consent to display content from Sound