PALAVRA DO ECONOMISTA

Agenda Econômica – 18/03 à 22/03

Principais eventos e indicadores

Veja aqui os eventos da próxima semana

Destaques da semana

Nesta semana a agenda econômica local foi marcada pela publicação do IPCA de fevereiro e os dados de atividade da Pesquisa Industrial Mensal, a Pesquisa Mensal do Comércio e a Pesquisa Mensal de Serviço, todos referentes ao mês de janeiro.

Para o IPCA, cuja variação foi de 0,43% em fevereiro frente ao mês anterior, valor pouco acima do esperado por nós (0,34%) e pelo mercado (0,38%). Os destaques do índice foram os avanços em alimentação no domicílio e Educação, que impactaram em 0,20 p.p e 0,17 p.p respectivamente. Na publicação anterior deste semanal havíamos destacado o comportamento do núcleo de serviços que vinha nos chamando atenção nas ultimas publicações devido à sua trajetória ascendente. No entanto nesta publicação foi possível verificar arrefecimento deste grupo, reduzindo nossas preocupações. No mais, à despeito de o número fechado vir superior à nossa expectativa a composição qualitativa foi melhor que a publicação anterior, pois as métricas com viés mais qualitativo arrefeceram na margem e apresentaram comportamento bastante benigno. A média dos núcleos acumulados em 12 meses e a média trimestral dessazonalizada e anualizada ficaram abaixo da banda inferior da meta, em 2,97% e 3,11% respectivamente. Para 2019 esperamos que o IPCA feche em 3.9%. (Para saber mais leia nosso relatório completo aqui)

Já os indicadores referentes à atividade econômica em sua primeira leitura do ano sugerem ainda bastante gradualismo na retomada econômica.

A Industria apresentou queda de 0,8% frente a dezembro, na série com ajuste sazonal, abaixo do esperado por nós de -0,6% e do mercado de -0,1%. Na aberturado do indicador, o destaque recaiu, assim como nas publicações anteriores, no desempenho negativo das categorias de Bens de Capital e Bens de Consumo Duráveis. Na margem Bens de Capital caiu 3,0% em relação a dezembro e 7,7% frente a janeiro de 2018. Bens de Consumo Duráveis, por sua vez, avançou 0,5% em comparação ao mês anterior (na série com ajuste sazonal). No entanto, apesar do avanço na margem, Bens Duráveis continua com baixo dinamismo como é explicitado pela queda de 4,8% frente ao trimestre anterior. Na comparação trimestral, Bens de Capital apresenta desempenho ainda pior com queda de 7,6%. É importante destacar que Bens de Capital é um importante vetor dos investimentos produtivos no setor e também da expectativa dos empresários em relação à demanda futura. (Para saber mais leia nosso relatório completo aqui)

Já a Pesquisa Mensal do Comércio apresentou aumento do volume das vendas no comércio varejista de 0,4% em janeiro frente a dezembro, na série com ajuste sazonal. Tal desempenho ficou acima da nossa expectativa de -0,1% e da mediana de mercado de 0,1%. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, sem ajuste sazonal, o crescimento foi de 1,9%. O varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, também avançou na comparação contra dezembro ajustado sazonalmente em 1,0%. Nossa projeção era um avanço mais contido de 0,1% e o mercado esperava 0,2%. Na comparação contra o mesmo período do ano anterior o avanço foi de 3,5%. No entanto, a despeito de um desempenho positivo e acima do esperado, a perda de dinamismo nos setores relacionados à crédito, especialmente pós-maio, continua nos chamando atenção nas ultimas publicações. Na análise do trimestre terminado em janeiro contra o período imediatamente anterior, vemos que o grupo cede -2,0% acelerando ante o trimestre finalizado em dezembro cujo resultado havia sido de -0,3%. Os setores mais relacionados a renda, por outro lado, apresentam tendência de crescimento desde o início de 2017, porém bastante tímida, por estarem limitados à fragilidade do mercado de trabalho e o menor dinamismo dos ganhos salariais. (Para saber mais leia nosso relatório completo aqui)

Por fim a Pesquisa Mensal de Serviços recuou 0,3% em janeiro em comparação com dezembro, na série com ajuste sazonal. Porém, na comparação com janeiro de 2018, o setor acumulou ganho de 2,1%, a maior evolução desde março de 2015, quando cresceu 2,3%. Duas das cinco atividades monitoradas pela pesquisa recuaram frente a dezembro de 2018. O segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio caiu 0,6% e o setor de serviços de informação e comunicação, 0,2%. Juntos, os dois setores representam 63% dos serviços no país.

De modo geral, a atividade econômica tem mostrado retomada bastante gradual e o baixo dinamismo já reflete nas revisões das taxas de crescimento para o ano de 2019 no Relatório Focus publicado pelo Banco Central. Nós mantemos nossa perspectiva de crescimento em 2,3%, mas com viés de baixa.

Próxima semana

Na próxima semana o destaque ficará por conta da reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária), primeira sob a tutela do novo presidente da instituição, Roberto Campos Neto. Além disso, também será divulgado o IBC-Br, indicador de atividade econômica do Banco Central, também conhecido por ser uma relativa boa proxy do PIB.

Em relação a decisão do COPOM, esperamos manutenção da taxa SELIC em 6,5%. Além disso, também não esperamos grandes alterações na comunicação da instituição, apesar da discussão que tem se intensificado em torno da possibilidade de retomar o ciclo de queda da taxa de juros.

Em nossa opinião, o BCB ainda deverá olhar mais dados de inflação e atividade econômica antes de dar nova sinalização para os próximos passos. Neste sentido, como acreditamos que não haverá ganho de ímpeto relevante da atividade e da inflação, vemos que a próxima movimentação do BCB, após analisar tais dados, será no sentido de mais afrouxamento, entretanto somente sinalizando com juros em patamar baixo durante período relevante. Desta forma, um novo ciclo de queda da taxa de juros ainda nos parece relativamente improvável nos próximos meses. Sendo assim, ainda mantemos nosso cenário base de manutenção da taxa SELIC em 6,5% até pelo menos o primeiro trimestre de 2020.

Já o IBC-Br deverá apresentar leve queda na margem, -0,2%, e alta de 1,4% na comparação com janeiro do ano passado. Assim como os outros indicadores de atividade econômica de 2019 já divulgados, o IBC-Br deverá continuar sugerindo que a retomada da atividade econômica permanece em ritmo bastante gradual. Desta forma, mantemos nossa projeção de crescimento do PIB de 2,3% em revisão de baixa.

 

Rafael G. Cardoso, economista-chefe
rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro
antonio.castro@bancodaycoval.com.br

Privacy Settings
We use cookies to enhance your experience while using our website. If you are using our Services via a browser you can restrict, block or remove cookies through your web browser settings. We also use content and scripts from third parties that may use tracking technologies. You can selectively provide your consent below to allow such third party embeds. For complete information about the cookies we use, data we collect and how we process them, please check our Privacy Policy
Youtube
Consent to display content from Youtube
Vimeo
Consent to display content from Vimeo
Google Maps
Consent to display content from Google
Spotify
Consent to display content from Spotify
Sound Cloud
Consent to display content from Sound