PALAVRA DO ECONOMISTA

Agenda Econômica – 18/05 a 22/05

Veja aqui os eventos da próxima semana

Destaques da semana

Nesta semana, os destaques da agenda econômica doméstica foram os dados das vendas no varejo, o desempenho do setor de serviços e o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-BR), todos referente ao mês de março.

No exterior, o foco também ficou nos dados de atividade econômica das principais economias desenvolvidas. Na Europa, foi divulgado a produção industrial da região consolidada referente ao mês de março, além do PIB do primeiro trimestre da Alemanha. Nos EUA, também conhecemos a produção industrial, as vendas no varejo e o índice de inflação, todos referentes ao mês de abril.

Na China, por sua vez, foram divulgados os dados de produção industrial e vendas no varejo, além da formação bruta de capital fixo urbana, todos em relação ao mês de abril.

A começar pela Europa, os dados da produção industrial mostraram que a região apresentou uma queda de 11,3% em março comparado com fevereiro na série livre de sazonalidade. Em relação a março de 2019, a queda foi de 12,9%. No entanto, ambos os resultados, foram levemente acima da mediana das expectativas segundo a Bloomberg com -12,5% e -13,6% respectivamente.

Em relação à Alemanha, o PIB do país encolheu 2,2% no primeiro trimestre de 2020 em relação ao trimestre imediatamente anterior, a maior queda em 11 anos, desde a crise financeira internacional. Também recuou 2,3% de janeiro a março ante os mesmos meses de 2019. As expectativas, no entanto, eram de baixas maiores, de 2,5% nos dois casos. Além da queda informada, uma mudança no dado do quarto trimestre de estabilidade do crescimento (0%) para uma queda de 0,1% fez o país entrar tecnicamente em recessão.

Nos Estados Unidos, a volume da produção industrial caiu 11,2% em abril contra o mês anterior, acentuando a queda de -5,4% em março. As vendas no varejo do País também apresentaram queda drástica, na comparação contra o mês anterior, abril cedeu 15,3% ante expectativa de -5,0%.

Por fim, em linha com os efeitos deflacionários visto em diversas regiões, o CPI (Consumer Price Index, equivalente ao IPCA no Brasil), dos EUA, cedeu de 1,5% em março para 0,3% em abril na comparação anual. A meta do Fed (Federal Reserva, o BC americano) é de taxa de inflação de 2% a.a.

Na China, os dados, no entanto, foram positivos para a produção industrial. Em abril o índice avançou 3,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, no entanto, no primeiro quadrimestre do ano, a queda acumulado ante o mesmo período do ano anterior é de 4,9%. Os dados do varejo também indicam letargia, mesmo com a reabertura da economia, no mesmo mês as vendas caíram 7,5%, abaixo da expectativa de -6,0%.  A formação bruta de capital fixo urbana, também cedeu abaixo do esperado, após retroceder 16,1% em março em relação a março de 2019, em abril a variação foi de -10,3% na mesma métrica.

Desta forma, o que podemos observar na consolidação destes dados é que não há ainda indícios de uma recuperação econômica nas principais economias, pelo contrário, o mês de abril têm mostrado um aprofundamento dos dados relativos à indústria e ao comércio.

A China, origem do surto de coronavírus, está num estágio mais avançado da recuperação, mas a indústria ainda não retornou à capacidade de produção pré-crise e o comércio ainda sofre, mesmo com a retirada parcial das medidas de contenção. Mostrando que a retomada econômica será lenta e descompassada, conforme indicou o presidente do Fed, Jerome Powell em discurso nesta semana.

No Brasil, os dados em relação à atividade econômica não foram diferentes. Em março as vendas no varejo cederam 2,5% ante o mês anterior, na série ajustada sazonalmente. Em relação a março de 2019, a queda foi de 1,2%.

Já no conceito ampliado, que inclui as vendas de veículos e material de construção, a queda foi muito mais acentuada. Na comparação de março contra fevereiro, excluído os efeitos da sazonalidade, o índice registrou queda de 13,7%. Na comparação interanual, a queda foi de 6,3% (para saber mais, leia nosso post completo aqui).

O volume de serviço também apresentou queda de 6,9% em março, em comparação com fevereiro, alcançando o pior resultado do setor na série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), iniciada em janeiro de 2011. Na comparação contra o mesmo período do ano anterior, a queda foi de 2,7%.

Por fim, o IBC-BR de março cedeu 5,90% ante fevereiro, na série ajustada sazonalmente e 1,52% ante o mesmo período do ano anterior.

Desta forma, os dados de março referente à atividade econômica mostraram os efeitos desastrosos do impacto do novo coronavírus na economia brasileira, no entanto, as medidas de contenção tiveram início nas principais regiões do País no final de março, deste modo, os resultados de abril, serão ainda mais agudos.

Com os dados mais recentes em mãos revisamos nossa projeção de PIB deste ano de -3,4% para -5,0%. Dada a incerteza e magnitude do choque acreditamos que tal número tem viés negativo a depender a duração das medidas de contenção. Em um cenário mais pessimista vislumbramos que a retração do PIB pode chegar a 7%. Em relação a recuperação subsequente as incertezas também são grandes. As retiradas das medidas de contenção deverão ser realizadas gradualmente de forma que a recuperação não seja muito vigorosa. Além disso ainda não está claro se haverá projetos de recuperação econômica domesticamente, uma vez que as medidas anunciadas até aqui têm viés emergencial.

Próxima semana

Em relação à próxima semana, os eventos da agenda local serão mais limitados, com destaque para o IGP-10 de maio e a arrecadação federal de abril.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

Privacy Settings
We use cookies to enhance your experience while using our website. If you are using our Services via a browser you can restrict, block or remove cookies through your web browser settings. We also use content and scripts from third parties that may use tracking technologies. You can selectively provide your consent below to allow such third party embeds. For complete information about the cookies we use, data we collect and how we process them, please check our Privacy Policy
Youtube
Consent to display content from Youtube
Vimeo
Consent to display content from Vimeo
Google Maps
Consent to display content from Google
Spotify
Consent to display content from Spotify
Sound Cloud
Consent to display content from Sound