PALAVRA DO ECONOMISTA

Agenda Econômica – 18/10 a 22/10

Veja aqui os eventos da próxima semana

Nesta semana, os destaques da agenda econômica doméstica foram os dados de atividade econômica com as divulgações da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). No exterior, o foco recaiu para os dados de inflação e a ata de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central americano).

COVID-19

Sobre a pandemia de COVID-19, nesta semana, os dados de novas contaminações continuaram a arrefecer na Ásia, América do Norte e América do Sul. Por outro lado, na Europa, após certa estabilidade em patamares elevados de novos casos, a região volta mostrar alta nas taxas de contaminações.

Na classificação do Our World in Data (OWID) para o continente Europeu, Rússia, Reino Unido e Ucrânia apresentaram alta significativa nas últimas semanas e vem pressionando o número de novos casos e novos óbitos da região.

No Brasil, porém, a situação da pandemia segue em trajetória de arrefecimento conforme avança a vacinação no País. 87% da população acima de 12 anos, ou 154,8 milhões de brasileiros e brasileiras já foram vacinados com ao menos uma dose e outros 57%, ou 100,6 milhões, já concluíram o ciclo vacinal. Uma ampla cobertura vacinal é fundamental para a redução da contaminação e novos óbitos, como amplamente divulgado pela comunidade cientifica em todo o mundo.

O número de novos óbitos na média móvel de sete dias até 14/10 foi de 327, porém no dia 13/10 registramos o menor número da série desde 27 de abril do ano passado. A redução das taxas de forma consistente tem auxiliado os governos estaduais em todo o Brasil a reduzir, de forma progressiva, as restrições de mobilidade, fomentando a volta da mobilidade e reabertura da economia de forma mais ampla e sustentável e refletindo nos dados de atividade econômica, conforme veremos abaixo.

Exterior

No exterior, como antecipado, o CPI americano e a ata do FOMC, comitê de política monetária do Fed, foram os destaques da semana.

Sobre a inflação, a alta dos preços no mês de setembro foi marginalmente maior que o esperado pelo mercado. Segundo os dados publicados o CPI teve alta de 0,4% na comparação com o mês anterior. A despeito da alta marginal maior, a ata do FOMC reforçou o comunicado da última reunião de política monetária do Fed, indicando que o Tapering, redução das compras de ativos, deveria ter início ainda este ano, e redução num ritmo de US$ 15 bilhões.

Brasil

Atividade Econômica

Na última semana, o IBGE iniciou a divulgação dos dados de atividade econômica referente ao mês de agosto. Na ocasião conhecemos os dados da indústria e do comércio, com ambos demostrando queda nas atividades e surpreendendo, negativamente, as expectativas tanto do mercado quanto as nossas.

Porém, em sentido oposto, os dados de Serviços, divulgados na última quinta-feira (14), mostrou avanço de 0,5% na comparação mensal e ajustada sazonalmente. Desempenho este superior ao projetado por nós (0,3%).

Em publicações anteriores deste semanal, apontávamos o crescimento de Serviços como principal proxy ao crescimento do segundo semestre de 2021. Isso porque com o avanço da vacinação, esperávamos a volta da mobilidade e consequente migração da demanda, anteriormente focada em bens, para serviços. Este movimento de substituição vem acontecendo, conforme gráfico acima.

Mas nossa tese também apontava no sentido que a diminuição da demanda por bens contribuiria para uma retomada dos estoques na indústria, que devido à grande demanda, estavam em patamares historicamente baixos. Este segundo ponto, porém, não se concretizou, devido principalmente à desorganização das cadeias globais de valor, restrições de oferta de insumos e maiores tempo de frete, fatores estes enfrentados em todas as partes do mundo.

A indústria automotiva segue como exemplo simbólico de escassez de insumos, devido à dificuldade de normalização da produção de semicondutores, mas cerca de 20% dos empresários industriais, apontam a falta de insumos como fator limitante dos negócios, segundo dados da FGV.

Com a frustração desta tese, o crescimento econômico para o terceiro trimestre, antes esperado por nós em torno de 0,5% na comparação com o segundo trimestre de 2021, passou a ter viés de baixa, e de forma preliminar, esperamos algo mais próximo de 0,3% ~ 0,4% na comparação trimestral e 4,7% ~ 5,0% na comparação com igual período de 2020.

E este viés negativo foi corroborado pelo IBC-Br de agosto, principal proxy do PIB em termos mensais. A divulgação do indicador esta manhã (15) pelo BCB, mostrou queda de 0,15% na comparação com julho e alta de 4,74% na comparação com igual período do ano passado. O resultado foi abaixo tanto do esperado por nós (-0,1%) quanto pelo mercado (-0,05%).

Mesmo com a frustração advinda do setor de bens (indústria e comércio), Serviços ainda tem espaço para recomposição. Serviços prestados às famílias, principal segmento afetado pelas restrições de mobilidade impostos durante o período de maior combate ao espalhamento da COVID-19, ainda esta cerca de 17,4% abaixo do período pré-pandemia (fev/20), como indica o gráfico abaixo.

Isso nos informa, que até o final deste ano há espaço para normalização deste segmento e recomposição da renda das famílias.

Para 2022, no entanto, as incertezas sobre a crise hídrica e taxas juros mais elevadas podem moderar o crescimento num ano de eleições gerais no País. Atualmente esperamos que o produto avanço avance 1,8% no próximo ano, mas uma frustração no crescimento em 2021, poderia retirar parte do carrego estatístico positivo para o ano seguinte, além de revisões negativas para o crescimento da economia mundial neste ano, principalmente para a China, um dos principais parceiros comerciais do Brasil.

Nesta seara, o FMI em seu relatório “Global Economic Outlook”, reduziu a previsão de alta do crescimento global de 6,0% para 5,9% neste ano, e manteve a estimativa de expansão de 4,9% em 2022. O Fundo reduziu a projeção do crescimento do Brasil para 2021, de 5,3% para 5,2% e, para 2022, a revisão para baixo foi maior, de 1,9% para 1,5%. O fundo internacional também reduziu a previsão de crescimento dos EUA de 7% para 6% neste ano, mas elevou de 4,9% para 5,2% em 2022. No caso da China, o FMI reduziu a projeção de expansão do PIB de 8,1% para 8,0%, em 2021, e de 5,7% para 5,6%, a estimativa para 2022. Somente a zona do euro teve a previsão de PIB deste ano elevada, de 4,6% para 5,0% neste ano, e mantida em 4,3% em 2022.

Com isso, num ambiente de incerteza política associada com maiores taxas de juros no front doméstico e normalização de juros nas principais economias desenvolvidas, os desafios para crescimento em 2022 seguem elevados, e nossa projeção de crescimento de 1,8%, como enfatizado anteriormente, apresenta viés de baixa.

Próxima Semana

Na próxima semana, os destaques da agenda econômica doméstica serão limitados restando para o setor externo, onde teremos a produção industrial dos EUA e os dados de atividade econômica da China, estes no final de semana, onde conheceremos a produção industrial, as vendas no varejo e os investimentos em ativos fixos referente a setembro e o PIB do terceiro trimestre.

O crescimento esperado do PIB chinês no terceiro trimestre é de 0,4% na variação trimestral, desacelerando em relação a leitura anterior, quando cresceu 1,3%. E de 5,0% contra igual período do ano passado.

Fonte: FGV, Bloomberg e Broadcast

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Julio Mello de Barros, economista

julio.barros@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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