PALAVRA DO ECONOMISTA

Agenda Econômica – 20/09 a 24/09

Veja aqui os eventos da próxima semana

Nesta semana, os indicadores macroeconômicos mostraram que a atividade econômica doméstica continua a se recuperar. A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-BR), ambos referente a julho, mostraram alta no período. Para o IBC-Br o crescimento foi acima do esperado pelo mercado.

No exterior, o foco recaiu para os dados de inflação e atividade econômica. O índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) mostrou, no entanto, inflação abaixo da mediana dos especialistas, para surpresa dos mercados. Já a inflação referente à Zona do Euro mostrou alta em linha com o projetado.

Por outro lado, os dados de atividade econômica mostraram heterogeneidade nesta semana. A China apresentou dados piores frente ao esperado tanto na produção industrial quanto nas vendas ao varejo; Enquanto Estados Unidos e Zona do Euro cresceram tanto quanto esperado pelos analistas e para a Europa, o resultado foi ainda melhor que o projetado.

Acreditamos que regiões como Zona do Euro, América do Norte e América Latina estão em estágios anteriores no ciclo de contaminação, quando comparados à China, origem da pandemia de COVID-19. Com isso, esperamos que essas regiões cresçam em taxas maiores conforme progride a vacinação. No médio prazo, no entanto, sua tendência é de retorno para crescimento compatível com o período anterior à pandemia, como acontece atualmente na China.

COVID-19

A pandemia de COVID-19 continua a assolar a população mundial e a variante Delta permanece como desafio para as autoridades sanitárias de muitos países. Os Estados Unidos, após o surto da Delta na Ásia, se tornaram uma das principais regiões afetadas pela variante. Com isso, o número de novos óbitos, mais preocupante que novos contágios, tem diminuído na Ásia, mas crescido na América do Norte, conforme gráfico 1.

Mesmo com o arrefecimento de casos na Ásia, a China tem combatido de forma dura o surgimento de novos focos da doença no País. Para evitar o espraiamento da variante, o Governo colocou as regiões afetadas em lockdown. Estes movimentos, no entanto, tendem a afetar a recuperação da atividade econômica, principalmente no setor de Serviços. Desde o início da pandemia, a China tem consigo manter sua produção industrial pouco afetada pelos efeitos dos lockdowns.

Nos EUA, no entanto, o espraiamento da Delta causou um crescimento dos óbitos, principalmente na Florida e Texas. Os Estados Unidos conseguiram avançar rapidamente no início da campanha de vacinação, mas o País enfrenta dificuldades em continuar a expandir a cobertura vacinal da população. Atualmente, os EUA possuem 63,1% de sua população, acima de 12 anos, vacinada com dosagem completa. Canada e Chile, nas Américas, já avançaram para mais de 80% na mesma métrica.

As implicações do avanço da doença para a saúde pública são óbvias, mas o impacto na atividade econômica é desconhecido. Isso porque progressivamente os efeitos das altas taxas de contaminação foram sendo diminuídos em termos de redução da mobilidade, e em última instância, isso denota impacto menor na produção. Porém, mesmo com o impacto reduzido, a queda das expectativas correntes já mostra certa diminuição da euforia com a reabertura.

No Brasil, a vacinação continua em ritmo satisfatório com um progressivo aumento da população vacinada com dosagem completa. Atualmente, 43,6% da população brasileira, acima de 12 anos, já se vacinou no País. O progresso da vacinação já é refletido em taxas de contaminação e mortalidade menores; suportando a abertura da economia em andamento.

Brasil

Os dados de atividade econômica da semana continuaram a apresentar recuperação no início do terceiro trimestre mesmo com dados industriais ruins. Segundo o Banco Central, o IBC-Br, considerado uma prévia do resultado do PIB em termos mensais, registrou variação de 0,6% em julho na comparação com junho de 2021. Os setores de serviços e vendas no varejo também avançaram em julho. Serviços cresceu 1,1% na comparação mensal e o varejo ampliado subiu 1,1% na mesma base. Porém, a indústria, em maiores dificuldades, cedeu 1,3% no período, também na variação mensal.

Com isso, os desafios do segundo semestre ainda estão focados na indústria, e, principalmente, no setor automotivo. Devido ao gradualismo da migração do consumo de bens para serviços, como mostra as vendas no varejo, os estoques da indústria e do comércio estão em níveis historicamente reduzidos. Num ambiente de escassez de insumos devido à restruturação, ainda em andamento, das cadeias globais de valor, este se torna um importante desafio a ser superado para a continuidade da recuperação da indústria.

O setor de Serviços, e principalmente os prestados às famílias, muito penalizado pelas medidas de restrição de mobilidade, segue como principal segmento em recuperação, segundo indicação da leitura de julho. Esse segmento é um importante fator de geração de renda e emprego e sua retomada será o mais importante drive de crescimento no segundo semestre.

O ajuste das cadeias globais de valor e a melhora da oferta de insumos, poderá auxiliar a recomposição dos estoques e tende a ser também um importante vetor de crescimento pelo lado da oferta do PIB.

Os dados preliminares do terceiro trimestre contribuem com nossa expectativa de crescimento de 0,5% no trimestre comparado com o segundo e nos leva a manter nossa projeção de crescimento de 5,2% em 2021.

Em termos gerais, a economia será puxada por serviços no segundo semestre de 2021 e com impulso adicional vindo da indústria, caso exista redução da pressão por insumos e seja possível recompor estoques no período.

Próxima Semana

A decisão de política monetária do Bando Central do Brasil, na próxima quarta-feira, através do Comitê de Política Monetária (COPOM) será o evento mais esperado da semana. Nossa expectativa é que o Banco Central (BC) aumente a taxa básica de juros em 100 pontos base, ou seja, que ocorra um aumento do patamar atual de 5,25% a.a. para 6,25% a.a.

A elevada inflação do ano corrente, associada com a alta das expectativas de inflação para 2022, medida pelo FOCUS, atualmente com 60 pontos bases acima da meta de inflação de 3,5% para o período, em conjunto com os riscos fiscais crescentes e dificuldade de solução para o problema dos precatórios e numa conjuntura de desejo de ampliação do Bolsa Família para R$ 300,00 (novo programa Auxílio Brasil) com forte turbulência política, exigem atuação firme do BC para combater a inflação.

Neste sentido, o BC não só deve elevar a taxa de juros como também deve manter a comunicação de que será necessário continuar com este movimento na próxima reunião. Diante deste quadro desafiador para a inflação, entendemos que o BC deverá continuar neste ritmo e atingir 8,25% a.a. no fim do ano. Em função da necessidade de não permitir que a elevação das expectativas de inflação para 2022 contamine a inflação de 2023, entendemos que seja necessário ainda mais um ajuste adicional de 75 bps na primeira reunião do COPOM em 2022, levando a Selic para 9% a.a. e mantendo-a nesse patamar até o fim do próximo ano.

Na próxima semana também será divulgado o resultado do IPCA-15 referente ao mês de setembro. Nossa expectativa é de alta de 0,95%, mostrando aceleração em relação ao mês anterior (0,89%). Os principais destaques altistas ficam por conta do grupo de Habitação (1,50%) e de Transportes (1,75%). Com a adoção da bandeira patamar “escassez hídrica” (R$ 14,20 por 100 kWh), o item energia elétrica é o principal destaque para a alta do primeiro grupo. Já a elevação das passagens aéreas e da gasolina foram os itens que impactaram fortemente o segundo grupo. Por fim, o grupo de Alimentos e Bebidas deve ficar apresentar elevação próxima ao verificado no mês anterior (1%). Neste sentido, é esperado que a inflação corrente continue apresentando elevações, refletindo um cenário inflacionário desafiador.

No exterior, as falas dos dirigentes do Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês), nesta semana, foram acompanhadas de perto pelos analistas que buscavam indicativos sobre a decisão de política do BC americano.

É esperado que o Fed, na próxima reunião do FOMC (Federal Open Market Committee), na semana seguinte, mantenha inalterada sua política monetária, inclusive programa de compras de ativos, atualmente em US$ 120 bilhões ao mês. Porém, como há muitos dirigentes da instituição apontando para a vontade de inicializar o tapering ainda este ano e restando apenas dois encontros do FOMC em 2021, há grandes chances de o BC americano acenar com informações sobre o início e o ritmo ao qual irá reduzir o atual QE (Quantitative Easing).

Fonte: FGV, Bloomberg e Broadcast

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Julio Mello de Barros, economista

julio.barros@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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