PALAVRA DO ECONOMISTA

Agenda Econômica – 27/07 a 31/07

Veja aqui os eventos da próxima semana

Destaques da semana

Nesta semana, os destaques da agenda de indicadores domésticos foram os dados de inflação com o IPCA-15 de julho e da arrecadação federal de junho.

Conforme destacamos na última publicação deste semanal, nossas expectativas para a inflação fechada no ano de 2020 fique em 1,6%, 2021 em 2,8% e 2022 em 3,5%. Ou seja, em um patamar abaixo da meta do Banco Central até 2022.

Na leitura deste mês, o IPCA-15 avançou 0,30%, abaixo tanto do esperado por nós (0,49%) quanto pelo mercado (0,52%). Com este resultado, o acumulado em 12 meses passou de 1,9% para 2,1%.

E como antecipado, as pressões altistas foram centradas em combustíveis, principalmente gasolina (0,20 p.p.). Nós esperamos que a inflação em julho medida pelo IPCA fique no intervalo de 0,3-0,4% e já em agosto com a passagem de alguns desses choques na margem, a inflação apresente números mais comportados, abaixo de 0,2%.

Em relação as métricas mais qualitativas, e neste caso, os núcleos de inflação e a inflação de serviços continuam a mostrar trajetória benigna. A nova média de núcleos (EX0, EX3, MS, DP e P55) divulgada pelo Banco Central no Relatório Trimestral de Inflação em junho, por exemplo, segue estável em 2,0% no acumulado em 12 meses. Já o novo núcleo, especificamente, chamado de P55 acelerou de 0,06% para 0,31% na variação mensal. O núcleo de serviços, na média trimestral dessazonalizada e anualizada passou de -0,4% no mês anterior para -2,2% nesta leitura.

Em nossa opinião, os fundamentos macroeconômicos, especialmente a ociosidade na economia, a inflação corrente e as expectativas de inflação permitiram ao Banco Central levar a taxa SELIC a aproximadamente 1,5%. Entretanto, como já explicitado na comunicação da Autoridade Monetária e nesta semana, em eventos públicos o Presidente do BCB Roberto Campos e o diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, enfatizaram que o ciclo de cortes se aproxima do fim e deverá, caso haja, ter ajuste somente residual na margem.

Desta forma, nossa expectativa é que a autoridade monetária faça manutenção da taxa Selic nos atuais 2,25% a.a. pelo menos até o final de 2021.

Sobre os dados da arrecadação federal, o mês de junho mostrou uma queda de 29,6% na comparação contra o mesmo período do ano anterior em termos reais (descontado a inflação). Em valor monetário, o total arrecadado foi de 86,3 bilhões de reais.

Segundo as estimativas da Instituição Fiscal Independente do Senado Federal (IFI) o resultado primário de 2020 foi mantido em déficit de R$ 877,8 bilhões, ou 12,7% do PIB. A projeção mais recente (junho de 2020) da Secretaria Especial de Fazenda, do Ministério da Economia, indica déficit primário do governo central de R$ 675,7 bilhões em 2020, ou 9,4% do PIB[1].

Outro ponto de destaque desta semana foi o encaminhamento para o Congresso Nacional da primeira fase da reforma tributária do Governo. A reforma, que segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, será dividida em 4 fases, propõe, nesta primeira fase, a unificação do PIS e Cofins em uma Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS) com alíquota de 12%.

As fases seguintes serão: (i) Simplificação do IPI; (ii) Mudanças no IRPJ e (iii) fim do imposto patronal e criação de um imposto sobre transações digitais que ficou conhecido como uma nova CPMF.

Em relação à retomada dos debates na comissão mista sobre a reforma Tributária, o senador Roberto Rocha (PSDB-MA), presidente da comissão, decidiu retomar os trabalhos do colegiado na próxima semana. E na semana seguinte, no dia 4 de agosto, retomar as audiências públicas.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, deve ser o primeiro a ser ouvido virtualmente pelo colegiado. O líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), afirmou que a conclusão da reforma na comissão mista deve ficar para setembro ou outubro.

Indo em direção ao exterior, a semana foi marcada por elevação das tensões entre EUA e China e de dados de atividade econômica melhores que o esperado.

Na quarta-feira (22), as rixas entre Washington e Pequim ganharam novo capítulo, quando os EUA ordenaram abruptamente o fechamento do consulado chinês em Houston (Texas) num prazo de 72 horas com o objetivo de proteger propriedade intelectual americana. A medida foi tomada após hackers tentarem roubar informações sobre pesquisas de vacinas, segundo informou a mídia.

Em seguida, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirmou que consulado chinês em Houston era um centro de espionagem chinesa e de roubo de propriedade intelectual.

Nesta sexta-feira, em retaliação ao movimento dos americanos, o governo chinês ordenou o fechamento do consulado dos Estados Unidos na cidade de Chengdu.

As rixas geopolíticas afetaram o movimento das bolsas que caíam mesmo com dados positivos divulgados sobre a retomada econômica, principalmente na Europa.

A leitura preliminar dos índices de gerentes de compras (PMIs) mostraram que a Europa voltou a se expandir à medida que os países do continente gradualmente reverteram medidas de isolamento motivadas pela Covid-19. Segundo a IHS Markit, o PMI composto da Zona do Euro, que engloba os setores industrial e de serviços, subiu de 48,5 em junho para 54,8 em julho, atingindo o maior patamar em 25 meses e superando expectativas do mercado. A leitura acima de 50 indica expansão da atividade.

Na abertura, o PMI industrial da região foi de 47,4 em junho para 51,1 em julho, alcançando o maior patamar em 19 meses enquanto o PMI de serviços do bloco avançou de 48,3 para 55,1 no mesmo período, tocando o maior nível em 25 meses.

No Reino Unido, o setor varejista também surpreendeu positivamente pelo segundo mês consecutivo em junho. Em relação a maio, o ganho foi de 13,9%, ante consenso de alta de 8%.

Desta forma, o cenário de curto prazo tem se mostrado melhor que o esperado, no entanto, conforme destacamos na ultima publicação, as incertezas sobre a atividade econômica continuam. O avanço de novos casos de contaminação por Covid-19 nos EUA e os novos desdobramento sinoamericanos, além de países, principalmente nas Américas, estarem mais atrasados no ciclo de contaminação e com ondas mais perenes, como o caso brasileiro, dificultaria a retomada da atividade nestas regiões fomentando que ela seja heterogênea tanto entre os setores quanto entre os países.

Outro ponto importante a ser monitorado é a tradução destes indicadores de atividade melhores na margem para a geração e manutenção do emprego. Na ausência deste efeito, nossas expectativas são de uma retomada da atividade econômica ainda gradual no cenário mundial. Em nossa visão, é inegável que os dados recentes apresentam certo vigor na retomada, mas que não tenderão a se perpetuar para o futuro, pois são apoiados numa demanda reprimida derivada do período da quarentena e também pelos efeitos do que ficou conhecido como “corona voucher”, programa de vários governos que sustentou os fluxos monetários das pessoas mais afetadas pela pandemia, mas que perderão efeito ao longo do ano.

Por outro lado, algumas regiões, como a Europa, buscam elaborar planos fiscais para impulsionar ainda mais suas economias. No início desta semana, foi noticiado que os líderes da União Europeia (UE) chegaram a um consenso sobre um fundo de recuperação de 750 bilhões de euros para retirar o continente da crise econômica desencadeada pela pandemia de Coronavírus. Além disso, o grupo também discutirá sobre o orçamento do bloco comum, que prevê gastos de mais de 1 trilhão de euros entre 2021 e 2027.

Nos Estados Unidos, também há rumores de um plano fiscal pós controle da pandemia, mas ainda não há detalhes completos sobre o tema.

Próxima semana

Para a próxima semana, os destaques locais serão as dados do emprego com a PNAD e o Caged de junho, dos dados fiscais referente a dívida pública federal e o resultado fiscal do tesouro e por fim, os dados de inflação com o IGP-M de Julho.

No exterior, conheceremos as prévias do PIB tanto da Zona do Euro quanto dos EUA referente ao segundo trimestre de 2020, os dados de emprego da Zona do Euro e a decisão de política monetária do Fed.


[1] Relatório de Acompanhamento Fiscal, nº 42 – 13 de julho de 2020 < https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/574279/RAF42_JUL2020.pdf>

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