PALAVRA DO ECONOMISTA

Agenda Econômica – 27/09 a 01/10

Veja aqui os eventos da próxima semana

Nesta semana, o destaque da agenda econômica doméstica ficou para os dados de inflação com o IPCA-15 de setembro e a decisão de política monetária por parte do Banco Central do Brasil. No exterior, o foco também recaiu para a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central americano).

COVID-19

Os dados da pandemia, nesta semana, apresentaram certo arrefecimento, principalmente para os países da América do Norte. Estados Unidos, que vinha sofrendo com altas taxas de contaminação devido ao espraiamento da variante delta no País, passou a desacelerar a quantidade de novos casos, mesmo com uma indicação de óbitos ainda elevado.

Na América Latina, o avanço da vacinação é acompanhado de um arrefecimento importante do número de novos casos, principalmente no Brasil. No país, a população vacinada com ao menos uma dose é de 84% para a população com 12 anos ou mais e em relação à dosagem completa, cerca de 48% da população.

A continuidade da vacinação é importante fator para a recuperação da atividade econômica da região, principalmente para o setor de serviços, bastante afetado pelas medidas de distanciamento social.

Em relação ao Brasil, nossa projeção é que 100% da população adulta esteja vacinada até o final deste ano, porém com a maior celeridade no ritmo de vacinação este objetivo pode ser concluído ainda antes.

Exterior

No exterior, o evento que manteve os mercados em cautela até sua divulgação, foi a decisão de política monetária do Federal Reserve. Os agentes econômicos esperavam por manutenção da taxa básica de juros da economia americana, mas buscavam por sinalizações sobre o tapering.

O BC americano, por sua vez, indicou início provável do tapering em novembro, ou seja, o início da redução das compras de ativos, atualmente em US$ 120 bilhões. A autoridade monetária também indicou o término da operação em meados de 2022. Esta indicação de um tapering gradual acabou por manter os mercados estáveis no fechamento desta semana.

Nesta reunião do FOMC (Federal Open Market Committee), o Fed divulgou suas projeções para as variáveis chave da economia americana, e nesta leitura, a elevação da projeção dos juros para 2022, somado ao fim do tapering em meados de 2022, indica para o início da normalização dos juros nos EUA para o final de 2022.

Brasil

Política Monetária

O Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central (BC) se reuniu esta semana para decisão da taxa de juros (Selic). O comitê decidiu por unanimidade a alta em 100 pontos base, ou seja, de 5,25% a.a. para 6,25% a.a.

Este movimento já era esperado tanto por nós quanto pelo mercado, sobretudo após o Presidente do BC, Roberto Campos Neto, na semana passada moderar o discurso em relação a alta que estava sendo precificada pelo mercado. Além disto, o BC trouxe avaliação em relação ao cenário externo, atividade, inflação e o balanço de riscos que ele considera para sua tomada de decisão.

Em linhas, gerais o BC manteve o tom neutro em relação ao comunicado anterior. Apontou que o cenário externo, ainda que apresente alguns desafios como inflação elevada e redução da atividade provocada pela variante delta, os estímulos monetários e fiscais devem perdurar e isto deve continuar produzindo um ambiente favorável para os emergentes.

Pelo lado da atividade, o BC continuou pontuando os recentes resultados positivos e manteve a visão positiva para o segundo semestre deste ano. Já especificamente sobre o comportamento da inflação, o BC reconheceu que a inflação segue elevada e que tem havido dificuldades no arrefecimento de alguns itens como bens industriais e que outros problemas como os eventos climáticos também têm contribuído para pressionar itens voláteis como alimentação e energia.

Ao avaliar o comportamento de serviços o BC entende que a elevação de preços caminha conforme a volta gradual da atividade econômica. Já sobre o balanço de riscos, o BC manteve a assimetria indicando que há mais peso para o lado dos riscos fiscais sobre a inflação do que o risco baixista advindo da possível reversão das commodities.

Por fim, o BC também sinalizou novo ajuste de mesma magnitude para a próxima reunião a depender da evolução do quadro acompanhado por eles. Diante do atual quadro inflacionário preocupante e levando em consideração o desejo do BC de ser mais moderado nas altas, passamos a considerar que o BC fará mais dois ajustes de 1% este ano, terminando o ano com a Selic em 8,25% e fazendo mais um ajuste no próximo ano de 0,75%, atingindo 9% ao final do ciclo alta.

Inflação

Também foi divulgado esta semana o IPCA-15 referente ao mês de setembro e a taxa de 1,14% veio acima da mediana das expectativas do mercado (1,03%). O indicador apresentou novamente um quadro inflacionário muito desfavorável.

Verifica-se a contínua pressão altista sobre o grupo de Bens Industriais. Itens ligados ao setor automotivo (veículos novos e usados) tiveram alta expressiva. Além disso, produtos de higiene, eletrodomésticos e móveis também contribuíram para a alta de 1,1% deste grupo. Os Serviços também apresentaram forte aceleração (0,74%) em relação ao mês anterior (0,29%).

Os destaques altistas concentraram-se em 3 subgrupos, a saber: Turismo, Automotivos e Inerciais. Portanto, passagem aérea, pacote turístico, hospedagem, serviços automotivos, pintura de veículos, transporte por aplicativos e aluguéis pressionaram estes subgrupos. Chama a atenção a forte alta de 1% observada em aluguéis. Ainda que estejamos vendo elevação dos preços no grupo de serviços como reflexo da volta gradual da economia, a subida forte neste item cuja inércia (persistência) é maior do que em outros itens, passa a ser um fator preocupante para a inflação à frente.

Por fim, vale comentar o resultado do grupo de Alimentos e Bebidas que apresentou significativa alta ainda em função dos efeitos das geadas e secas observadas em julho. Com esses resultados, nossa expectativa é de alta de 1,23% para o IPCA de setembro e de 8,6% para o fim deste ano.

Próxima semana

Para a próxima semana, os destaques domésticos serão os dados de emprego com a PNAD de Julho e do CAGED de agosto. Também será monitorado a ata do COPOM, na terça-feira, que poderá complementar a visão do comunicado de política monetária desta semana.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Julio Mello de Barros, economista

julio.barros@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

Privacy Settings
We use cookies to enhance your experience while using our website. If you are using our Services via a browser you can restrict, block or remove cookies through your web browser settings. We also use content and scripts from third parties that may use tracking technologies. You can selectively provide your consent below to allow such third party embeds. For complete information about the cookies we use, data we collect and how we process them, please check our Privacy Policy
Youtube
Consent to display content from Youtube
Vimeo
Consent to display content from Vimeo
Google Maps
Consent to display content from Google
Spotify
Consent to display content from Spotify
Sound Cloud
Consent to display content from Sound