PALAVRA DO ECONOMISTA

Agenda Econômica – 28/10 a 01/11

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Destaque da semana

Nesta semana os destaques locais foram a aprovação da Reforma da Previdência no Senado Federal, a divulgação do IPCA-15 de outubro e a declaração da Caixa Econômica Federal que irá antecipar a liberação de todo o montante dos saques de R$ 500 do FGTS para 2019.

No exterior, a arrastada novela sobre a saída do Reino Unido e União Europeia, conhecida como Brexit, parece ter avançado e as incertezas sobre um no-deal Brexit diminuíram consideravelmente.

Na terça-feira, após 244 dias de tramitação, o Senado Federal aprovou em segundo turno por 60 votos a favor e 19 contra a Reforma da Previdência. O texto, cuja expectativa inicial era de uma economia de R$ 1,16 trilhão, foi desidratado e segundo estimativas do Congresso e do Governo a economia final em 10 anos será de aproximadamente R$800 bilhões. No entanto, segundo cálculos do Instituto Fiscal Independente do Senado Federal (IFI), órgão apartidário e consultivo do Senado, a economia será de aproximadamente R$630 bilhões. Nossas projeções iniciais que levavam em consideração estudos da mesma instituição apontavam para uma economia de R$ 662,6 bilhões (para ler o relatório completo clique aqui) bastante próximo do efetivamente aprovado.

No mesmo dia mais cedo, houve também a publicação do IPCA-15 de outubro, cujo resultado foi de 0,09%, acima do esperado por nós (0,0%) e da mediana das expectativas do mercado (0,03%). No acumulado em 12 meses o índice atingiu o menor patamar do ano em 2,73%.

No entanto, a despeito de um resultado acima do esperado, as métricas qualitativas como a média dos núcleos permaneceram em patamares bastante confortáveis e compatíveis com uma inflação prospectiva mais baixa conforme nossas expectativas para o final de 2019 e 2020. (para saber mais clique aqui).

Por fim, a Caixa Econômica Federal, divulgou que antecipará para 2019 toda a liberação dos saques de contas ativas e inativas do FGTS. O valor previsto para 2019 era de aproximadamente R$ 28 bilhões e mais R$ 12 bilhões até marco de 2020. Agora todo o montante será disponibilizado até o final do ano.

No exterior, o destaque foi a redução da probabilidade de um no-deal Brexit, saída do bloco comum sem nenhum tipo de acordo, podendo gerar graves consequências para a economia da região. No entanto, o parlamento inglês aprovou as linhas gerais do acordo do Primeiro Ministro Boris Johnson com a União Europeia, limitando a possibilidade de uma eventual saída sem acordo. No entanto, o prazo fixado para 31 de outubro para deixar o bloco não poderá ser cumprido, dado que o parlamento não aprovou acelerar os tramites para a separação ser concluída até a próxima semana. Agora, espera-se um novo prazo a ser definido pela União Europeia.

Próxima semana

Para a próxima semana, os destaques serão as decisões de política monetária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, além dos dados de atividade econômica com a taxa de desemprego da economia brasileira e a produção industrial, ambas referente ao mês de setembro.

Para a decisão de política monetária dos Estados Unidos pelo FED esperamos a redução do intervalo de juros do Fed-fund, de 1,75% – 2,00% para 1,50% – 1,75%, em linha com movimento já iniciado em reuniões passadas e com a comunicação que, em nossa opinião, migrou de ajustamento de ciclo para data dependente. Neste sentido, os dados relativamente fracos da economia americana da última reunião do FED para cá dão respaldo a mais, pelo menos, um corte de juros.

No Brasil, também haverá decisão de política monetária por parte do Banco Central do Brasil. Nós esperamos que o Comitê de Política Monetária reduza a taxa SELIC para 5,0%, de 5,5%, dando seguimento ao ciclo de cortes iniciado duas reuniões atrás. Tal expectativa se baseia na continuidade do cenário de baixa atividade econômica, baixa inflação e, especialmente, expectativa inflacionária abaixo da meta no horizonte relevante.

Para além da decisão, esperamos que o COPOM sinalize que o ciclo continuará adiante se as condições citadas acima permanecerem em grande medida. Neste sentido, como nós vislumbramos cenário inflacionário ainda muito benigno no final de 2019 esperamos pelo menos mais um corte da taxa SELIC para 4,5%. Vale ressaltar que vemos probabilidade crescente da taxa SELIC chegar a patamares inferiores a este, pois a inflação deverá continuar baixa durante o próximo ano, especialmente em meados da passagem do primeiro para o segundo trimestre, o que pode levar o BCB a estender o ciclo.

Por fim, para a atividade econômica, esperamos crescimento do volume da produção industrial em setembro de 0,7% na comparação contra o mês imediatamente anterior, na séria ajustada sazonalmente e 1,5% na comparação interanual.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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