ENTRETENIMENTO

Comida e Arte

Museus apostam na combinação entre acervo, arquitetura e excelente gastronomia para se tornarem um programa completo.

 

Faz tempo que os museus deixaram de ser apenas lugares onde se vê arte e objetos históricos. As instituições resolveram virar polos de atração por sua arquitetura, contratando estrelas como Frank Gehry, que assina o Guggenheim Bilbao, na Espanha, e Diller Scofidio + Renfro, responsável pelo projeto do The Broad, em Los Angeles (EUA). As lojas desses centros culturais estão cada vez mais
sofisticadas, e suas cafeterias agora são gourmet. Os restaurantes não poderiam ficar para trás. Alguns, como o Nerua, do Guggenheim Bilbao, chegaram a conquistar uma estrela no Michelin, um dos mais importantes guias de gastronomia do mundo. O novo In Situ, no Museu de Arte Moderna de São Francisco, tem um chef com três estrelas no Michelin que coordena um menu composto de pratos vindos de restaurantes consagrados do mundo todo. O Rijks, no Rijksmuseum, em Amsterdã, convida cozinheiros de outros países para dar uma sacudida no cardápio a cada estação. O Otium, no Broad, tem horta própria, mas também é influenciado por cozinhas de outras partes do
mundo. O The Keeper’s House, na Academia Real Inglesa, é um refúgio na efervescente Londres. A Osteria, no Barbican, também na capital inglesa, serve pratos italianos com toque de bistrô, em meio a pinturas e gravuras. E no restaurante The Magazine, o prédio, em si, já é uma obra de arte criada pela premiada arquiteta iraquiana Zaha Hadid (1950-2016). Bon appétit!

 

THE KEEPER’S HOUSE
Academia Real Inglesa | Londres (Inglaterra)

Criada como residência para artistas, a The Keeper’s House esconde alguns segredos de quem passa pela movimentada Piccadilly Road, endereço da Academia Real Inglesa. No subsolo, resguardado do movimento da rua, existe um restaurante, que ficou por anos fechado para o público que não era acadêmico ou membro. Agora, não mais. Todos os dias, o espaço está aberto para almoço, chá da tarde e jantar, com menu sob os cuidados do chef executivo Ollie Couillaud. Há pratos como o risoto de tomate assado e o frango orgânico com croquete, tomate e molho de estragão. As exposições nas galerias do museu também servem de inspiração: o chá da tarde, por exemplo, pode incluir cheesecakes em homenagem à mostra Expressionismo Abstrato, em cartaz até 2 de janeiro, com obras de artistas como Jackson Pollock e Mark Rothko.   royalacademy.org.uk

 

OTIUM
The Broad | Los Angeles (EUA)

Sucesso absoluto desde que abriu as portas em setembro de 2015, o museu The Broad, no centro de Los Angeles, é separado do Otium por uma praça pontuada por oliveiras centenárias e dominada por um grande painel fotográfico do artista contemporâneo Damien Hirst. O restaurante, instalado em um prédio com arquitetura do italiano Osvaldo Maiozzi, tem design do Studio UNLTD e House of Honey. O ambiente preza a rusticidade sofisticada, explorando materiais como vidro, madeira, cobre, pedra e cerâmica. A cozinha aberta do chef Timothy Hollingsworth, ex-French Laundry, uma das casas de Thomas Keller, está baseada em dois princípios: pratos preparados com cozimento à lenha e ingredientes produzidos no jardim do mezanino do restaurante – mais local, impossível. Mas a inspiração é global. Dali saem pratos como o olhete com yuzu, tangerina defumada e chicharrón e o bolo de funil de foie gras com morango, erva-doce e balsâmico. otiumla.com

 

OSTERIA
Barbican | Londres (Inglaterra)

Um dos maiores centros culturais de Londres, com teatro, espaço de exposições e salas de concertos, o Barbican tem um novo restaurante desde fevereiro de 2016. Na Osteria, a arquitetura brutalista do prédio é contrastada com o uso de couro e tecidos ricamente estampados. O bar fica separado por um piso de tacos e pela paleta de cores metálicas. Parceria da empresa Searcys com o chef Anthony Demetre, serve cozinha italiana com jeito de bistrô e faz constantes mudanças dos menus de comidas e bebidas, de acordo com a estação – no outono, o
drinque Bellini tem vodca de figo e xarope de cidra, enquanto no verão leva morangos. A charcutaria é uma das atrações do restaurante, além de pratos como o polvo grelhado, batatas e pimentões defumados e o gnudi de ricota com endívias e molho de maçã e balsâmico. Há também um cardápio fixo no almoço. As paredes expõem obras da Limoncello Gallery, que fica no descolado bairro londrino de Haggerston.
osterialondon.co.uk

 

 

THE MAGAZINE
Serpentine Gallery | Londres (Inglaterra)

Não é todo dia que se pode comer em uma obra de Zaha Hadid. Mas é isso o que oferece o restaurante The Magazine, instalado em um anexo da Serpentine Sackler Gallery, aberta em 2013 após a reforma do antigo armazém de pólvora do século XIX, no meio do Kensington Gardens. Como sempre acontece na obra da arquiteta iraquiana, os traços são orgânicos, com colunas que servem como claraboias e mais parecem tentáculos fincando no chão a estrutura fluida. As paredes de vidro integram ao interior o parque ao redor. O chef Emmanuel Eger serve pratos como o pato com pêssego chamuscado e aspargos brancos e o tamboril assado na manteiga queimada, favas e bacon. O lugar também oferece performances de teatro ou música (The Magazine Sessions), com cardápio de comida e bebida criado pelos artistas em colaboração com o restaurante. magazine-restaurant.co.uk

 

IN SITU
Museu de Arte Moderna de São Francisco (SFMOMA) | São Francisco (EUA)

O prédio original desenhado pelo italiano Mario Botta ainda está lá, mas o Museu de Arte Moderna de São Francisco (SFMOMA) abriu emmaio de 2016 uma extensão, com arquitetura do escritório norueguês Snøhetta. Nada melhor que um novo restaurante para comemorar a inauguração. O In Situ foi projetado pelo escritório local Aidlin Darling Design e tem espaços abertos que misturam o rústico e o refinado. O lugar é como uma ampliação da missão do museu: apresentar grandes obras do mundo inteiro e torná-las acessíveis ao público. Elaborado pelo chef Corey Lee, três estrelas no Michelin com seu Benu, também em São Francisco, o conceito da casa é único: uma colaboração entre criadores do mundo inteiro, que inventaram novidades ou cederam pratos conhecidos de seu repertório. Estão ali, por exemplo, os dadinhos de tapioca do brasileiro Rodrigo Oliveira, do Mocotó, e o “opa! derrubei a torta de limão”, do italiano Massimo Bottura, chef-proprietário da Osteria Francescana, eleito melhor restaurante do mundo em 2016. insitu.sfmoma.org

 

NERUA
Guggenheim Bilbao | Bilbao (Espanha)

O rio Nervión, ou Nerva, em latim, corre ao lado do Guggenheim Bilbao. O restaurante Nerua foi assim batizado em sua homenagem. As cadeiras de madeira com curvas minimalistas fazem menção às sofisticadas formas metálicas do museu onde está instalado, um projeto do norte-americano Frank Gehry. Ali, o chef basco Josean Alija, que começou a estudar gastronomia aos 14 anos, usa em sua cozinha o conceito expressado pela palavra muina, que pode ser traduzida como núcleo, coração ou essência. Com ingredientes sazonais e majoritariamente locais, ele cria três cardápios por ano: Primavera, Verão e Outono-Inverno. Cada um começa a ser elaborado um ano antes, cuidado que é uma das razões de a casa ter conquistado uma estrela no Michelin. Há três opções de menu degustação, com 9, 14 ou 21 pratos, mas também é possível pedir à la carte. Entre os pratos estão chalotas em molho negro e bonito com pimenta-verde e suco de tomate. neruaguggenheimbilbao.com

 

CHEZ MIS

Museu da Imagem e do Som (MIS) | São Paulo (Brasil)

O Museu da Imagem e do Som (MIS), que organiza exposições badaladas, como a de Tim Burton, tem um restaurante à altura. O Chez MIS,que faz parte do grupo Chez (do Chez Oscar e Bar Secreto), se define como um “bistrô mediterrâneo”. No almoço executivo, serve pratos tradicionais, como o picadinho de filé-mignon com vegetais orgânicos, arroz integral, couve, farofa, banana e ovo. Também há opções
para beliscar, como a polenta frita com tapenade e bolinhos de risoto, e à la carte, como o nhoque rústico. Com paredes envidraçadas que se abrem para o jardim do museu e um deque de madeira no entorno, o espaço de arquitetura sem grandes adornos ganha charme graças à decoração, com uma parede de azulejos pretos com cachoeira de velas e a cera derretida formando pequenas esculturas. Um pendente de madeira flutua sobre os dois grandes sofás Chesterfield na cor mostarda e pedras semipreciosas servem de descanso de talheres. Um refúgio no meio da agitação de São Paulo.  chezmis.com.br

 

RIJKS
Rijksmuseum | Amsterdã (Holanda)

O mais importante museu de Amsterdã abriga 800 anos da história holandesa e obras-primas como “A Ronda Noturna”, de Rembrandt. Sua Ala Philips é sede de exposições temporárias e do badalado Rijks. Com design de Paul Linse, o restaurante mistura em seu salão bronze, carvalho, mármore, aço azul e camurça e abriga 36 pessoas no espaço interno e mais 130 no terraço. A cozinha aberta expõe o minucioso trabalho de Joris Bijdendijk, que preza produtos vindos do solo holandês e oferece pratos para compartilhar. O chef recebe convidados do mundo inteiro, como o alemão Tim Raue (do restaurante de mesmo nome em Berlim) e a holandesa radicada na África do Sul Margot Janse (do The Tasting Room, no hotel Le Quartier Français, em Franschhoek), que preparam um menu especial. Os principais pratos permanecem no cardápio ao longo da estação. De olho nas tendências, o mais recente convidado foi o peruano Virgilio Martínez, do Central, em Lima, considerado o quarto melhor restaurante do mundo em 2016. rijksrestaurant.nl

 

Texto Mariane Morisawa

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