PALAVRA DO ECONOMISTA

Copom mantém taxa SELIC e sugere estabilidade para os próximos trimestres

Copom de Dezembro/18

Veja  o relatório em PDF aqui.

Ontem o COPOM decidiu por unanimidade manter a taxa SELIC em 6,5% em decisão amplamente esperada por nós e pelo mercado. A novidade, em linha com a nossa expectativa, foi a retirada do trecho onde o Comitê especulava as condicionalidades para retirada gradual dos estímulos monetários. Além disso também houve revisão baixista da inflação projetada e explicitação da melhor avaliação do Banco Central sobre o balanço de riscos.

No cenário com trajetórias de juros (6,5% no final de 2018, 7,5% no final de 2019 e 8,0 no final de 2020) e câmbio (R$ 3,78 no final de 2018 e R$ 3,80 ao final de 2019 e 2020) de mercado a projeção de inflação do COPOM cedeu de 4,4% em 2018, 4,2% em 2019 e 3,7% em 2020 para 3,7%, 3,9% e 3,6%, respectivamente. Já no cenário com juros e câmbio constantes, 6,5% e R$ 3,85, também houve quedas expressivas nas projeções de 4,4%, 4,2% e 4,1% para 3,7%, 4,0% e 4,0% em 2018, 2019 e 2020, respectivamente. Vale destacar que o cenário com juros e câmbio constantes sugerem que não há necessidade de alta de juros até final de 2020, uma vez que a inflação projetada permanece o período todo abaixo do centro da meta.

Em relação ao balanço de riscos, não houve alteração dos fatores elencados anteriormente pelo BCB, são eles: “(i) o nível de ociosidade elevado pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. Esse risco se intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para economias emergentes.”. Entretanto, explicitamente segundo a comunicação do BCB, o risco (i) se intensificou, ou seja, a probabilidade de inflação prospectiva abaixo do esperado aumentou, e, também, o risco (ii) se reduziu, ou seja, há melhor expectativa em torno da continuidade das reformas.

Por fim e, talvez, a mudança mais relevante foi a retirada do trecho que discutia as condicionalidades da retirada dos estímulos monetários, ainda que gradualmente. Esta mudança na comunicação, em nossa opinião, sinaliza que não há urgência em retirar os estímulos monetários e que a discussão em torno deste tema foi postergada. A retirada deste trecho vai em linha com a melhora do balanço de riscos apresentada, a menor inflação corrente frente a expectativa e as projeções/expectativas inflacionárias abaixo/próximo das metas para os próximos anos.

Em linha com a comunicação do BCB, com o comportamento benigno da inflação corrente, com nossas projeções para a inflação e atividade econômica revisamos nossa expectativa de alta de taxa de juros para somente o primeiro trimestre de 2020 com altas graduais até 8%. Anteriormente esperávamos que o ciclo de alta de juros se iniciaria no último trimestre de 2019.

 

Rafael G. Cardoso, economista-chefe
rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro
antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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