ENTRETENIMENTO

Dias de Realeza: castelos e palácios para se hospedar

Castelos e palácios históricos restaurados dão lugar a hotéis de luxo e garantem aos hóspedes uma experiência única: o privilégio de fazer uma viagem ao passado com todo o conforto da modernidade.

 

Poucas coisas intrigam e atraem tanto a curiosidade de turistas como o estilo de vida luxuoso de alguns de nossos antepassados. Nada mais natural então que atrações como o Palácio de Versalhes, na França, o Palácio de Schönbrunn, na Áustria, e o Castelo de Neuschwanstein, na Alemanha, sejam alguns dos lugares mais visitados do mundo.

Mas, que tal ir além de uma simples visita e fazer de sua próxima viagem uma experiência digna da realeza? Foi com esse objetivo que palácios e castelos na Europa, na Ásia e até nos Estados Unidos investiram em minuciosos trabalhos de restauração e modernização para se transformar em hotéis cinco estrelas. Um exemplo é o belíssimo Palácio Belmonte, em Lisboa. Localizada no topo da capital portuguesa, próximo ao Castelo de São Jorge, com uma vista deslumbrante para o Rio Tejo e para o bairro de Alfama, a suntuosa construção do século 15 passou por um processo de recuperação que levou seis anos.

No Palácio Belmonte, a modernidade está em cada detalhe, mas o que predomina é o tom nostálgico e elegante, seja nos aposentos de mármore ou na sala do piano.

O palácio foi construído em 1449, sobre antigas fortificações romanas e mouriscas, que datam de 138 a.C. Em 1503, ninguém menos que Pedro Álvares Cabral viveu ali. Foi também o navegador português o responsável por idealizar uma nova ala para o castelo. Além do morador ilustre, outras figuras históricas foram hóspedes em Belmonte, como Vasco da Gama. No século 18, o palácio recebeu um dos seus detalhes mais marcantes: uma série de 59 painéis, com quase 4 mil azulejos, encomendados aos artistas Manuel Santos e Valentim de Almeida, mestres na arte de pintar azulejos. Instaladas em vários ambientes, as peças retratam cenas do cotidiano na corte em Portugal.

Depois de viajar pelo mundo, o empresário francês Frèdèric Coustols se encantou com o palácio e decidiu comprá-lo, em 1994. “É uma construção maravilhosa, que sobreviveu a cinco diferentes períodos de nossa era e representa uma síntese da história portuguesa ao longo de mais de 2 mil anos”, diz.

Conhecido por seu engajamento em causas ecológicas, Coustols se comprometeu a comandar um projeto ambicioso de restauração, totalmente apoiado em princípios sustentáveis. Durante o processo, que consumiu € 2 milhões, foram utilizados os mesmos materiais da construção original, e, quando esses não estavam disponíveis, tiveram de ser reproduzidos. “Foi um enorme desafio, que envolveu muito respeito e paciência.”

O resultado da recuperação é estarrecedor. O hotel tem apenas dez suítes. Cada uma recebeu o nome de um grande personagem da história portuguesa. A Bartolomeu de Gusmão, por exemplo, que homenageia o sacerdote, cientista e inventor luso-brasileiro, foi eleita pela publicação Condé Nast uma das mais belas suítes do mundo.

No Palácio Belmonte, a modernidade está em cada detalhe, mas o que predomina é o tom nostálgico e elegante, seja na imponente biblioteca, nos aposentos de mármore ou na sala do piano. É essa volta ao passado, mas com o conforto dos dias de hoje, que o público desse tipo de hospedagem busca. “São pessoas que, em geral, já rodaram o mundo”, diz Rosely Matheus, agente de turismo.

 

Requinte à francesa

Há 15 anos, o paulistano Reinaldo Ferneda se hospedou pela primeira vez no Le Grand Monarque, em Azay-le-Rideau, no coração do Vale do Loire, na França. “Fui por indicação de um amigo, principalmente por causa da qualidade da comida. Jantar lá sempre foi muito especial”, conta. Desde então, o médico já esteve na construção histórica do século 18 em outras duas ocasiões.

O Vale do Loire concentra muitos dos palácios e castelos transformados em hotéis de luxo no interior da França. Entre os diferenciais do Le Grand Monarque estão a combinação de uma gastronomia de alto nível, suítes bem equipadas, serviço à altura de um cinco estrelas e localização privilegiada, próximo a castelos, museus, igrejas e ao centro velho de Azay-le-Rideau.

 

Conforto e lazer | Acima, suíte do Château d’Esclimont, na França, um convite ao relaxamento. Abaixo, crianças participam de aula de culinária no italiano Castiglion del Bosco.

 

Situado a menos de uma hora de Paris, entre Versalhes e Chartres, o Château d’Esclimont foi erguido no entorno de um lago e de uma exuberante floresta. Com arquitetura renascentista, o castelo do século 17 foi residência da família Rochefoucauld, uma das mais influentes na época. Na porta de entrada, ainda é possível ler a inscrição C’est mon plaisir. (Este é meu prazer, em francês.) Os quartos preservam adornos primorosos. Há também salas para banquetes, com imensos lustres de cristal. Nos jardins, os hóspedes podem desfrutar de quadras de tênis e piscina aquecida. O hotel organiza passeios exclusivos na região, com direito a voos de balão e de helicóptero, trilhas de bicicleta e apresentações musicais com jantar a luz de velas na imensa propriedade.

 

Boa comida e vinhos de origem

Além da grande quantidade na França, em toda a Europa há, hoje, castelos e palácios transformados em hotéis sofisticados, especialmente no Reino Unido, na Itália, na Alemanha, em Portugal e na Espanha.

Na região italiana da Toscana, uma das maiores produtoras de vinho do continente, um dos destaques é o Castiglion del Bosco, em Montalcino. Localizada em meio a uma paisagem digna de cartão-postal, em Val d’Orcia, área declarada Parque Natural e Cultural pela Unesco, a propriedade de mais de 800 anos foi totalmente recuperada e renovada pelo casal Chiara e Massimo Ferragamo (presidente da grife Salvatore Ferragamo), atuais proprietários do castelo.

Além do prédio principal, com 23 magníficas suítes, os hóspedes podem desfrutar de vilas privativas, onde piscinas com fundo de pedra são um convite irresistível a um drinque ao pôr do sol. O hotel agrada, sobretudo, aos apreciadores da boa culinária e dos vinhos de qualidade. A adega contém rótulos do apreciado Brunello di Montacino, tinto classificado como Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG), entre muitas outras preciosidades das melhores adegas italianas.

Os hóspedes do Castiglion del Bosco têm ainda dois restaurantes à sua inteira disposição. Na Osteria la Canonica, a cozinha privilegia ingredientes frescos, locais e orgânicos, e os visitantes podem ainda participar de aulas de culinária. Outra atração é o impecável campo de golfe com 18 buracos, desenhado por Tom Weiskopf, ex-jogador norte-americano que se tornou um exímio projetista de campos.

 

Tendência

Nas últimas décadas, alguns desses refúgios europeus foram adquiridos por grandes redes hoteleiras internacionais. É o caso do Grand Hotel Kempinski High Tatras, na Eslováquia. Situado nas margens do lago Štrbskè e aos pés das montanhas Tatras, o complexo é formado por três edifícios históricos, construídos em períodos diferentes: Jánošík (1893), Krivá (1906) e Hviezdoslav (1923). Cada um com sua própria arquitetura, mas criando um conjunto harmônico e singular. No mais antigo deles, muitos membros da alta aristocracia europeia chegaram a se hospedar, como nobres da família Habsburgo (uma das dinastias mais influentes na Europa, entre os séculos 13 e 20) e o rei da Sérvia.

Por muitos anos, as construções ficaram abandonadas. Até que, em 2003, um grande projeto arquitetônico resgatou a opulência do complexo. O projeto de restauração durou quase quatro anos e envolveu uma ampla pesquisa histórica, incluindo o uso de fotos e documentos originais.

Além das bucólicas cidades do interior da Europa, várias capitais abrigam castelos e palácios que foram reformados para abrir suas dependências aos turistas. O Hôtel de Crillon, em Paris, é um belo exemplo. Construído em 1758, por ordem do rei Luís XV, está estrategicamente situado entre a Place de la Concorde e o Jardin des Tuileries, a uma curta caminhada da icônica Champs-Élysées. Pertencente à rede Rosewood Hotels & Resorts, está fechado desde abril de 2013, para uma ampla reforma. A reabertura está marcada para o início de 2015, e as mudanças, segundo os administradores, prometem surpreender.

 

Referências culturais | Acima, ambiente do Palais Coburg, em Viena, reflete o legado da monarquia austríaca. Abaixo, refeição tipicamente toscana no Castiglion del Bosco

 

Já em Viena, o Palais Coburg, erguido no século 19, demandou três anos de restauração e um investimento de € 85 milhões. Parte da Relais & Châteaux, o hotel tem uma magnífica fachada em estilo clássico, com escadarias nas laterais e portas com imensas vidraças. No interior, é possível vislumbrar o poder e o legado da monarquia austríaca. Tapeçarias e pinturas originais estão lado a lado em suítes que oferecem luxo e conforto inigualáveis.

Outro lugar que não mede esforços para fazer os hóspedes se sentirem parte da realeza é o Ciragan Palace, em Istambul. Construído entre 1863 e 1867, por ordem do Sultão Abdülâziz, o castelo otomano está localizado na margem europeia do estreito de Bósforo. Com seus corredores e portais suntuosos, ocupou a 14a posição no ranking da rede norte-americana CNN, que listou as 15 suítes mais caras do mundo, em 2012.

Os vestígios da história de três impérios e outras tantas culturas ocidentais e orientais que ajudaram a moldar a civilização turca estão em cada detalhe, em cada passagem e no reflexo da capital sobre as águas do Bósforo. E só fechar os olhos e voltar ao passado.

 

Sem fronteiras

Apesar da história bem mais recente e de jamais ter sido governado por uma monarquia, os Estados Unidos têm alguns hotéis de luxo instalados em propriedades que, no século passado, abrigaram mansões e castelos de famílias abastadas. Próximo à cidade de Nova York e com vista para o rio Hudson, o Castle Hotel and Spa é uma dessas magníficas construções. Dentro do hotel, o spa Thann Sanctuary, conhecido como um oásis para o relaxamento, é o primeiro da rede fora da Ásia. Além dele, o premiado restaurante Equus é outro atrativo para os hóspedes e visitantes do Castle on the Hudson.

 

Estadia especial | Acima, piscina do spa do Grand Hotel Kempinski High Tatras, na Eslováquia. Abaixo, o luxuoso lobby do Ciragan Palace, na Turquia, dá as boas-vindas aos hóspedes

 

Com tradição de preservar sua cultura e seu patrimônio arquitetônico, a Ásia também reúne importantes hotéis-palácios, sobretudo na Índia. Um dos mais luxuosos é The Raj Palace, cujas instalações conservam as características da cultura hindu. Construído há quase 300 anos, o castelo é o mais antigo de Jaipur e passou por uma restauração que durou nada menos que 12 anos, antes de abrir as portas ao público. O Raj Palace se orgulha de ter o maior lustre de cristal da Índia, um museu de louças asiáticas, com peças de mais de 200 anos, e um dos melhores restaurantes de hotel do mundo, segundo a American Travel Association (Associação Americana de Viagem).

 

Serviço

 

Texto: Suzana Camargo
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