PALAVRA DO ECONOMISTA

Macro Alerta | COPOM corta SELIC em 0,5p.p. e sinaliza com mais cortes adiante

Veja o relatório em PDF aqui

Ontem o COPOM decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa SELIC em 0,50p.p. para 5,5%, como era amplamente esperado por nós e pelo mercado. Em nossa opinião, o comunicado pós-reunião torna, segundo nossa interpretação, a probabilidade da SELIC ir abaixo de 5,0% como preponderante.  Neste sentido revisamos nossa expectativa para a taxa SELIC de 5,0% para 4,5% no final deste ano, sendo dois cortes de 0,50p.p. em outubro e dezembro. Também vislumbramos estabilidade da taxa SELIC em 4,5% ao longo de 2020.

O comunicado trouxe atualização marginal do cenário externo, o qual ainda nos parece confortável para o BCB seguir o ciclo de cortes internamente. O comitê reconhece os estímulos monetários adicionais nas principais economias mantendo o ambiente relativamente favorável para países emergentes. Apesar disso, pontua que permanecem os riscos associados a desaceleração global, mas, em nossa opinião, são riscos deflacionários e, portanto, também não pesariam contra a continuidade do ciclo de cortes adiante.

Os fatores do balanço de riscos permaneceram os mesmos. Por um lado, a ociosidade pode continuar produzindo inflação abaixo do esperado. Por outro, uma frustação com as reformas e ajustes econômicos poderá afetar os prêmios de risco e a trajetória para inflação, fenômeno intensificado no caso de piora do cenário externo.  Entretanto, o risco associado a frustação com as reformas e ajustes econômicos deixou de ser preponderante, ou seja, o balanço de riscos ficou marginalmente mais benigno.

Em relação ao cenário doméstico, permanece a leitura do BCB de que tem havido retomada gradual da recuperação da economia brasileira. As expectativas de inflação do mercado, por sua vez, permanecem ancoradas em torno ou abaixo da meta para 2019, 2020, 2021 e 2022. Já os modelos de projeção de inflação do BCB em todos os cenários apresentados sugerem inflação abaixo da meta em 2019 e 2020. Destaque para o cenário híbrido (câmbio constante a R$ 4,05 e SELIC de mercado a 5% no final de 2019 e 2020) que projeta IPCA de 3,4% para este e 3,8% para 2020. Ou seja, segundo a modelagem do BCB, mesmo a taxa SELIC a 5,0% seria incapaz de levar a inflação à meta em 2020. Neste sentido, sugere que o grau de estímulo deverá ser pouco mais intenso do que o contemplado no modelo apresentado.

Desta forma, considerando a comunicação/avaliação do BCB, os cenários apresentados em comunicado e nossas expectativas para a atividade econômica e inflação, revisamos a nossa expectativa para a taxa SELIC no final deste ano de 5,0% para 4,5%, como explicitado no primeiro parágrafo.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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