PALAVRA DO ECONOMISTA

Macro Alerta | IPCA-15 avança 0,44% em maio, abaixo do esperado e surpreende positivamente

O IPCA-15 de maio, divulgado hoje pelo IBGE, apresentou variação de 0,44% no mês, abaixo do esperado por nós e pelo mercado. Com este resultado, a inflação acumulada em 12 meses passou de 6,2% para 7,3%. Ainda que a leitura mensal e em 12 meses apresentem taxas relativamente altas, o IPCA-15 deste mês trouxe informações que dão viés mais benigno para a perspectiva da inflação no curto prazo.

Do lado benigno, o destaque fica por conta da inflação de serviços que devido a fragilidade do mercado de trabalho e às restrições de mobilidade tem se mostrado bastante baixa. Na margem, o segmento variou -0,38% e acumula alta de somente 1,6% em 12 meses. A deflação no grupo veio principalmente de passagem aérea que apresentou deflação de 0,28% em maio. Outro destaque benigno da leitura divulgada hoje foi a continuidade do bom comportamento dos núcleos de inflação. A média dos núcleos trimestral, dessazonalizada e anualizada continua em patamar mais comportado, abaixo de 5%.

Já as maiores pressões inflacionárias vieram dos preços de alimentos no domicílio, energia elétrica residencial e da revisão nos preços de produtos farmacêuticos. Destas pressões, apenas alimentação no domicílio apresenta características mais perenes, uma vez que a alta nos preços das commodities agrícolas já impacta os preços aos produtores que em alguma magnitude irá escoar para os preços aos consumidores nas próximas leituras.

Neste sentido, com as informações contidas no IPCA-15 em mãos, passamos a esperar que o IPCA de maio fique acima de 0,5% e retornando para próximo de 0,3%-0,35% em junho e julho.

Em relação à inflação de 2021, ainda que haja sinais mais benignos na margem, como a inflação de serviços e núcleos, mantemos nossa projeção de 5%, afinal este número já contempla melhora substancial da inflação nos próximos trimestres. Neste contexto ganha peso a tese de que grande parte do choque de preços ocorrido nos últimos trimestres tem caráter temporário, ainda que haja risco de renovação dos choques primários via alta de commodities e/ou depreciação cambial relevante.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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