PALAVRA DO ECONOMISTA

Macro Alerta | IPCA-15: queda no preço de combustíveis e alimentação no domicílio contribui para inflação baixa em agosto

Veja o relatório em PDF aqui

O IPCA-15 de agosto variou 0,08% em relação ao mês anterior, abaixo do esperado por nós (0,22%) e do mercado (0,16%) segundo mediana da Bloomberg. Com este resultado o índice acumula alta de 3,22% no acumulado em 12 meses.

No mês anterior (julho), havíamos sinalizado que a deflação na categoria de alimentação no domicílio poderia ter chegado ao fim após a agremiação ter apresentado um impacto nulo (0,0 p.p.) na ocasião. No entanto, dados do atacado surpreenderam tanto a nós quanto ao mercado apresentando novamente deflação em alimentos in natura que esperávamos uma defasagem de pouco mais de um mês para que estes efeitos se materializassem ao consumidor, porém já nesta leitura do IPCA-15 é possível notar uma queda nestes produtos, o consolidado desta agremiação foi de queda de 0,07 p.p.

As métricas com viés mais qualitativo continuaram a mostrar retração na margem. A média dos núcleos saiu de 0,15% em julho para 0,12% em agosto mantendo trajetória benigna dos núcleos mais sensíveis à política monetária.

Já a inflação de Serviços e Serviços subjacentes apresentaram resultados em direções opostas, porém com pequenos desvios. Serviços apresentou queda na margem de 0,37% para 0,07%, mas no acumulado em 12 meses avançou de 3,85% para 3,87%. Já Serviços Subjacentes percorreu o caminho inverno, com avanço marginal de 0,12% para 0,27%, mas no acumulado em 12 meses recuou de 3,70% para 3,57%. Esperamos que a inflação de serviços acumulada em 12 meses ceda ao longo dos próximos meses e volte ao patamar próximo de 3,5%.

Em linhas gerais, o IPCA-15 de hoje foi impactado pelo retorno da deflação em alimentos in natura e, por outro lado, as pressões positivas ficaram centradas em preços administrados que tem comportamento menos atrelado a demanda, como por exemplo, energia elétrica residencial. Já as métricas qualitativas, mais relevantes à política monetária e ciclo econômico, continuam com comportamento benigno.

Para o ano, após os últimos resultados do IPCA que surpreenderam para baixo as expectativas, revisamos nossa expectativa para 3,6% em 2019. Além disso, destacamos que a inflação de serviços deverá terminar o ano, em termos dessazonalizados e anualizados, próximo a 3,5%. Para 2020 projetamos inflação também à 3,6%.

Neste cenário, de retomada gradual da atividade econômica, baixa inflação e apoiado na mais recente comunicação do Banco Central do Brasil, alteramos nossa expectativa para taxa SELIC de 5,5% para 5,0% no final do ano, patamar que deverá permanecer até final de 2020.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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