PALAVRA DO ECONOMISTA

Macro Alerta | IPCA: choque de preços de proteínas animais não gera contágio

Veja o relatório em PDF aqui

O IPCA de novembro variou 0,51% e acumula variação de 3,27% em 12 meses, frente 2,54% em novembro. O número relativamente alto é explicado por três fatores específicos, sendo: (i) alta de preço de proteínas animais; (ii) bandeirada de energia elétrica e; (iii) reajuste de Loteria. De forma geral, houve surpresa altista em relação à inflação de proteínas animais do lado negativo, mas, por outro lado, a boa notícia é de que tal fato não se disseminou para outros itens, como refeição fora de casa, por exemplo.

As métricas com viés mais qualitativo, como núcleos e serviços, permaneceram com comportamento benigno na margem a despeito da inflação alta no mês. A média dos núcleos trimestral (dessazonalizada e anualizada) ficou relativamente estável em 2,5%, abaixo da banda inferior da meta. Já a inflação de serviços trimestral (dessazonalizada e anualizada) passou de 3,1% para 2,7%.

O mês de dezembro também deverá apresentar inflação relativamente alta devido ao choque de proteínas. Nossa projeção atual é de 0,70% e contempla, além do choque de proteínas, pequena contribuição positiva de combustíveis e revisão baixista da bandeirada de energia elétrica. Caso nossa expectativa se confirme, o IPCA deverá encerrar o ano em 3,8%. Para 2020 mantemos nossa projeção de inflação de 3,6%.

Em relação a política monetária, acreditamos que os números de IPCA pouco mais pressionados deverão levar o Banco Central a se utilizar da cautela comunicada recentemente. Além da inflação pior na margem, vale ressaltar que a taxa de câmbio está pouco mais depreciada e os dados de atividade econômica têm melhorado retirando a urgência de estímulos adicionais. Desta forma, a Autoridade Monetária deverá concretizar mais um corte de 0,50p.p. na reunião deste mês, como sugerido na comunicação passada, mas também deve sinalizar que o próximo passo é observar os próximos dados nesta nova conjuntura de retomada da atividade econômica, choque de preços, câmbio mais depreciado e nível historicamente baixo para taxa de juros.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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