PALAVRA DO ECONOMISTA

Macro Alerta | IPCA: núcleos de inflação permanecem em patamar confortável em fevereiro

Veja o relatório em PDF aqui

O IPCA de fevereiro variou 0,25% segundo dados divulgados esta manhã pelo IBGE. Tal resultado foi acima do esperado por nós (0,17%) e da mediana das expectativas de mercado segundo a Bloomberg (0,15%). No acumulado em 12 meses, o índice passou de 4,19% na leitura de janeiro para 4,00% em fevereiro.

Boa parte dos efeitos altistas desta leitura ficaram concentrados em Educação (+0,23 p.p.) devido ao efeito sazonal de reajuste de mensalidades escolares. Do lado negativo, destaque para continuidade da devolução do choque de proteínas (-0,09 p.p.), Energia elétrica residencial (-0,08 p.p.) e Combustíveis (veículos) (-0,03 p.p.)

Para além da devolução do choque chama atenção o baixo contágio das métricas com viés mais qualitativo e atreladas ao ciclo econômico, o que denota mais uma vez a dificuldade de repasses de preços na economia assim como ocorreu diversas vezes nos últimos anos com as recorrentes depreciações cambiais.

Em relação as medidas com viés mais qualitativo citadas acima, vale destacar o comportamento da média trimestral dessazonalizada e anualizada dos núcleos de inflação e da inflação de Serviços na mesma métrica. A média dos núcleos arrefeceu de 3,4% para 3,2% enquanto Serviços acelerou levemente na margem de 3,5% para 3,6%. Nossa expectativa é de que tais medidas fiquem próximas a 3,3% na média do ano, o que implica em alguma desaceleração adiante.

Para 2020 tanto a inflação do começo do ano quanto as sinalizações para a inflação adiante nos levaram a revisar nossa projeção de 3,3% para 3,0%.

Em relação a política monetária, contrariamente a modelagem explicitada pelo BCB, nossos modelos apontam para inflação ainda bem abaixo da meta em 2020 e 2021, especialmente para medidas de inflação subjacentes, como citado acima e adicionando a este processo os efeitos do cenário externo com o surto de COVID19 cujos impactos ainda são desconhecidos, mas claramente baixista para atividade econômica tanto global quanto doméstica nos levaram a revisar nosso cenário de juros. Acreditamos que o BCB adotará novamente uma postura favorável a juros baixos já na próxima reunião do COPOM em março, com um corte de 0,50 p.p. e de mais 0,25 p.p. na reunião posterior, levando a taxa SELIC à 3,50% patamar que acreditamos permanecer até o final deste ano.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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