PALAVRA DO ECONOMISTA

Macro Alerta | IPCA: número baixo de janeiro faz com que expectativa para o ano seja revisada

Veja o relatório em PDF aqui

O IPCA de janeiro de 2020 variou 0,21%, bem abaixo da nossa expectativa (0,36%) e do mercado (0,35%). Com esse resultado a inflação acumulada em 12 meses passou de 4,31% para 4,19%. Grande parte da surpresa baixista com o número deve-se a devolução do choque de proteínas verificado nos últimos meses, uma vez que somente o item “carnes” foi responsável por impacto negativo de 0,11p.p.. Para além da devolução do choque chama atenção o baixo contágio das métricas com viés mais qualitativo e atreladas ao ciclo econômico, o que denota mais uma vez a dificuldade de repasses de preços na economia assim como ocorreu diversas vezes nos últimos anos com as recorrentes depreciações cambiais.

Em relação as medidas com viés mais qualitativo citadas acima vale destacar o comportamento da média trimestral dessazonalizada dos núcleos de inflação anualizada e a inflação de serviços na mesma métrica. Ambas as medidas estabilizaram na margem, em torno de 3,4% e 3,8%, respectivamente, após acelerarem simultaneamente ao choque de proteínas. Nossa expectativa é de que tais medidas fiquem próximas a 3,3% na média do ano, o que implica em alguma desaceleração adiante.

Para fevereiro projetamos IPCA de 0,15% no qual os principais impactos serão os reajustes de educação do lado positivo e a bandeirada de energia elétrica do lado negativo. Para 2020 tanto a inflação do começo do ano quanto as sinalizações para a inflação adiante nos levaram a revisar nossa projeção de 3,6% para 3,3%.

Em relação a política monetária, contrariamente a modelagem explicitada pelo BCB e a expectativa mediana de mercado, nossos modelos apontam para inflação ainda bem abaixo da meta em 2020 e 2021, especialmente para medidas de inflação subjacentes, como citado acima. Neste sentido, acreditamos que o BCB adotará novamente uma postura favorável a juros baixos ainda este ano, sendo possivelmente algum ajuste marginal na taxa SELIC (um ou dois cortes de 0,25p.p.) ou sinalização mais clara que a duração dos juros em patamares estimulativos será por mais tempo que o antecipado.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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