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Macro Alerta | PIB do 1T19: Além da retração, abertura dos dados sugere lenta recuperação

PIB do 1T19

Veja o relatório em PDF aqui

O PIB do primeiro trimestre de 2019 cedeu, na série com ajuste sazonal, -0,2% em comparação com o trimestre imediatamente anterior, primeira retração desde 2016. O resultado ficou abaixo da nossa expectativa (0,0%). No acumulado em quatro trimestres, o resultado foi 0,9% frente 1,1% no quarto trimestre de 2018. Em relação ao mesmo período do ano anterior, a variação foi de 0,5%, desacelerando frente a leitura de 1,1% na mesma métrica no quarto trimestre de 2019.

É importante destacar que a expectativa sobre o PIB do primeiro trimestre chegou a ser de crescimento de 0,5% no início do ano. Entretanto, durante os primeiros meses de 2019, os dados da atividade econômica foram seguidamente decepcionantes. Além da revisão realizada para o primeiro trimestre, a redução do ritmo da atividade econômica também terá implicações para o crescimento do ano fechado.

 

Nos últimos relatórios sobre o PIB destacamos, na ótica da demanda, a perda de dinamismo no consumo das famílias à partir do 2T2017, quando atingiu seu melhor ritmo de recuperação desde o início da recessão em 2015. Este bom desempenho do consumo na época se deu principalmente aos efeitos da liberação do FGTS. Após este período o consumo veio desacelerando de forma gradual e parece ter se estabilizado com crescimento em torno de 1,5% na comparação com o mesmo período do ano passado (últimos 3 trimestres) abaixo do crescimento da massa de salários reais medidos pela PNAD, de 3,3%, no mesmo período. Tal efeito é consequência, em nossa opinião, de um mercado de trabalho mais fragilizado cuja característica é que as vagas geradas na economia são de baixa qualidade marcada por trabalho por conta própria e informal, que são categorias com rendimentos bastante flexíveis. Neste sentido, a hipótese é de que tem havido postura mais conservadora por parte dos consumidores ao praticar nível de poupança superior ao histórico.

Outro ponto que nos chama atenção é o resultado referente à Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF) que apresentou queda na margem de -1,7% ante o trimestre anterior seguida da queda de 2,4% no quarto trimestre de 2018. Na comparação contra o mesmo período do ano anterior ainda apresenta crescimento, de 0,9%, mas também mostra claro viés de desaceleração frente a 2018. Vale destacar que um baixo nível de investimento, no médio prazo, se traduz em menor capacidade de oferta e, portanto, de potencial de crescimento. Neste sentido, o comportamento bastante decepcionante desta agremiação nos últimos trimestres tem levado a recuperação econômica a ser de baixa qualidade além de bastante lenta.

Pela ótica da oferta o setor agropecuário cedeu 0,5% no trimestre contra o trimestre imediatamente anterior com ajuste sazonal enquanto o setor de serviços avançou 0,2% na comparação com o trimestre anterior. Nesta ótica destacamos o comportamento da indústria que contribuiu negativamente novamente, recuando 0,7% na comparação com o trimestre anterior e 1,1% com o mesmo período do ano passado. Vale dizer que a indústria normalmente tem comportamento antecedente ao crescimento da atividade econômica de forma mais difundida e, portanto, o comportamento nos últimos trimestres sugerem baixo dinamismo econômico adiante.

Em linhas gerais, o resultado do 1T19 reforça a percepção de continuidade da perda de dinamismo da economia brasileira que se iniciou ao longo do segundo semestre de 2018. Além disso, o comportamento dos componentes do PIB corroboram com o cenário prospectivo de retomada muito gradual.

Para 2019 revisamos nossa projeção de crescimento de 1,8% para 1,0%. Tal revisão é baseada em diversos fatores dos quais destaca-se: (i) menor dinamismo da atividade econômica global, (ii) queda dos índices de confiança maior que o antecipado e; (iii) alteração do nível de poupança privada na economia brasileira. Para 2020 também revisamos nossa projeção de 2,5% para 2,0%.

Neste sentido, vislumbramos que 2019, assim como 2018, será caracterizado pelo baixo crescimento, inflação abaixo da meta, apesar da política de juros baixos praticada pelo Banco Central. Projetamos 3,9% para o IPCA e 5,5% para a taxa SELIC no final de 2019.

 

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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