PALAVRA DO ECONOMISTA

Macro Alerta | PNAD: melhora no mercado de trabalho segue gradual

Veja o relatório em PDF aqui

A taxa de desemprego apresentada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) para o trimestre terminado em agostou foi de 11,8%, mesmo patamar do trimestre terminado no mês imediatamente anterior. No entanto, na análise da série com ajuste sazonal houve aumento do desemprego de 11,8% para 11,9%. A taxa de subutilização[1] da economia brasileira, por outro lado, caiu de 24,6% para 24,3%.

A população ocupada também apresentou resultado pouco pior em termos dessazonalizados, caindo 0,1%, primeira variação negativa no ano (na série original a variação foi positiva em 0,05%) vis a vis um aumento mais contido na PEA de 0,02% também em termos livre de sazonalidade, justificando assim o aumento na taxa de desemprego em termos dessazonalizados.

Porém o que nos chama atenção é o rendimento médio do trabalho que no acumulado do ano registra queda de -1,1% na série original e -0,7% em termos dessazonalizados, fenômeno compatível com uma composição mais precária da população ocupada devido a grande participação de trabalho informal, cuja principal característica é a de rendimentos flexíveis.

Desta forma, a despeito da relativa estabilidade na margem da taxa de desemprego, os dados sobre a qualidade das vagas e de rendimento médio ainda retratam fragilidade do mercado de trabalho. Neste sentido, não altera de forma substancial nosso cenário prospectivo de retomada gradual da atividade econômica brasileira. Entretanto, vale ressaltar que outros dados de atividade econômica, como crédito e mesmo do mercado de trabalho, começaram a melhorar algum ganho de ímpeto na margem após julho.


[1] A taxa de subutilização é a composição das pessoas desocupadas, subocupadas e desalentados. Os desocupados são aqueles que estão à busca de emprego, mas não encontram. As pessoas subocupadas, são aquelas que trabalham menos de 40 horas por semana e gostariam de trabalhar mais. E por fim, os desalentados, são pessoas que gostariam de trabalhar, mas por não conseguirem trabalho acabam por desistir ou estão temporariamente indisponíveis.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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