PALAVRA DO ECONOMISTA

Macro Alerta | PNAD: taxa “real” de desemprego é de 20%

Veja o relatório em PDF aqui

A taxa de desemprego medida pela PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) do IBGE chegou a 12,9% em maio frente 12,3% em abril na série original. Ajustando sazonalmente o desemprego subiu de 12,0% para 12,5% no mesmo período. A alta da taxa de desemprego parece modesta frente o choque econômico devido a pandemia do COVID-19, entretanto um olhar mais profundo nos números revela outra realidade.

Desde fevereiro, mais de 7,5 milhões de pessoas perderam suas ocupações, o que não está refletido na taxa de desemprego oficial devido a saída simultânea de montante semelhante de pessoas da força de trabalho. Ao ajustar a série considerando as pessoas que saíram da força de trabalho neste período como desempregados, a taxa de desemprego “real” é de 20%, patamar mais condizente com o tamanho do choque atual. 

Dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados ontem, que também dizemMacro Alerta | PNAD: taxa “real” de desemprego é de 20% respeito ao mercado de trabalho, mas só captam mudanças dentro da formalidade, mostram situação pouco menos ruim. A mediana de mercado apontava para destruição de quase 1 milhão de vagas, mas o número realizado foi de menos 332 mil vagas em maio. Parte desta surpresa deve ser creditada ao programa de manutenção de emprego do governo que já abrange mais de 11 milhões de pessoas.

A divulgação do IBGE em conjunto com a do CAGED mostra uma característica importante da piora do mercado de trabalho no cenário atual, aparentemente será bastante regressiva em termos de desigualdade de renda. Mais de 70% das vagas destruídas eram informais segundo a PNAD e, portanto, na média com menor rendimento frente a formalidade. Ou seja, indivíduos de mais baixa renda foram aqueles mais atingidos pela destruição de vagas em geral. Isto fica claro com o aumento do rendimento médio na margem e a queda da massa salarial, como demonstrado no gráfico abaixo. Já dentro do CAGED postos de trabalho “mais flexíveis” entraram no programa de manutenção do emprego com certa manutenção da renda. Neste sentido, o auxílio emergencial do governo federal se torna ainda mais sensível. Em termos do montante disponibilizado (quase R$30 bilhões por mês até 24/06 segundo o Ministério da Cidadania) parece compatível com a queda da massa de rendimentos ampliada disponível (conceito do BCB: massa de rendimentos do trabalho  + benefícios de proteção social  + benefícios previdenciários) até abril, algo em torno de R$ 40 bilhões  por mês, mas ainda fica a dúvida quanto a efetividade e eficiência em termos distributivos do programa.

Em relação a atividade econômica de forma mais geral os últimos dados têm mostrado que o pior momento provavelmente ficou contido no começo do segundo trimestre. Dados de confiança em especial já estabilizaram e mostram alguma melhora marginal. Neste contexto, com a continuidade da reabertura da economia brasileira, projetamos que o PIB deva cair em torno de 6% este ano. Para 2021, ainda sob altíssimo grau de incerteza, esperamos crescimento da ordem de 3,8%. Mesmo neste cenário e assumindo diversas outras premissas para o cenário de médio prazo, o PIB brasileiro só retornará a patamar semelhante ao final de 2019 em meados de 2023.   

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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