PALAVRA DO ECONOMISTA

Macro Alerta | Produção industrial cai mais de 9% em março por efeitos da pandemia

Veja o relatório em PDF aqui

A produção industrial de março, divulgada esta manhã pelo IBGE, apresentou contração do volume produzido no período de 9,1% em relação a fevereiro, na série livre de efeitos sazonais. Na comparação contra março de 2019 a queda foi de 3,8%.

A nível de equiparação, a magnitude da queda desta leitura só tem paralelo com períodos como a greve dos caminhoneiros em maio de 2018 (-11% a.m.) e da Grande Recessão em dezembro de 2008 (-11,3% a.m.). Em ambos os casos, os meses seguintes apresentaram certa melhora na margem, em junho de 2018 a recuperação da greve dos caminhoneiros foi praticamente em V, com crescimento de 12,9% a.m., mas alterando a tendência positiva anterior, enquanto que em 2009, ainda em meio à Recessão, a indústria avançava a taxas médias de 1,4% a.m.

Na situação atual, no entanto, a expectativa é que para o mês de abril os efeitos sobre a produção industrial possam se acentuar ainda mais dado os efeitos da paralização das manufaturas em todo o mundo e também das medidas de restrição internas para conter o avanço do novo coronavírus.

Fonte: IBGE – Elaboração: Daycoval Asset Management

Na leitura de março, as categorias mais afetadas foram Bens de consumo duráveis, cedendo 23,5% na comparação contra o mês anterior, também ajustado sazonalmente e Bens de capital que caiu 15,2% também na mesma comparação.

Ambas as categorias são componentes importantes do investimento e das decisões de longo prazo que dependem, de forma geral, da expectativa dos empresários em relação à demanda futura e da confiança dos consumidores.

Como visto, a rápida deterioração tanto do cenário doméstico quanto internacional tem gerado níveis elevados de incerteza diminuindo o volume agregado de investimentos produtivos por parte dos empresários e de consumo por parte das pessoas devido à incerteza quanto sua renda permanente.

Desta forma, a indústria que vinha apresentando desempenho pouco pior que outros indicadores de atividade econômica vistos até o momento, ganha agora contornos de maior incerteza devido ao cenário externo, cuja retomada pode ser descompassada entre setores que exijam maior ou menor contato social. Além do período de quarentena, ainda desconhecido, para a contenção do alastramento da doença no Brasil até o atingimento de seu pico, previsto para ocorrer entre maio e junho.

Nossa projeção de PIB deste ano é -3,0%. Mas dada a incerteza e magnitude do choque acreditamos que tal número tem viés negativo a depender a duração das medidas de contenção. Em um cenário mais pessimista vislumbramos que a retração do PIB pode chegar a 5%. Em relação a recuperação subsequente as incertezas também são grandes. As retiradas das medidas de contenção deverão ser realizadas gradualmente de forma que a recuperação não seja muito vigorosa. Além disso ainda não está claro se haverá projetos de recuperação econômica domesticamente, uma vez que as medidas anunciadas até aqui têm viés emergencial.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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