PALAVRA DO ECONOMISTA

Morning Call – Agenda econômica e safra de balanços devem movimentar as bolsas essa semana

No exterior, as bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta segunda-feira, à medida que investidores comemoraram mais um indicador chinês animador, mas também continuaram atentos a desavenças entre EUA e China e aos últimos números sobre a disseminação do coronavírus.

O tom positivo veio após dados oficiais mostrarem que o lucro de grandes empresas industriais da China deu um salto anual de 11,5% em junho, quase o dobro do ganho de 6% visto em maio e marcando seu maior avanço desde março de 2019.

Nas últimas semanas, a China vem, de modo geral, mostrando que se recupera em ritmo mais veloz do que se esperava da pandemia de coronavírus, que teve origem na cidade chinesa de Wuhan.

No sentido oposto, pesam no sentimento as rixas entre EUA e China, que ganharam um novo capítulo na semana passada, quando Washington ordenou o fechamento do consulado chinês em Houston (Texas). Em retaliação, Pequim mandou que o consulado dos EUA em Chengdu também encerrasse operações, o que foi efetivado hoje.

Americanos acusam os chineses de espionagem. A China, por sua vez, alega que os EUA vêm interferindo em seus assuntos internos.

O avanço do coronavírus também compromete o apetite por risco. Ontem, o número de infectados no mundo ultrapassou a marca de 16 milhões, com mais de 645 mil mortes, segundo dados compilados pela Universidade Johns Hopkins.

Na Europa, o clima também é de baixa na esteira das tensões sinoamericanas e avanço do novo coronavírus no mundo.

Na região, no entanto, a situação da pandemia é particularmente preocupante para a retomada da econômica, principalmente para o setor de lazer. Com novas restrições de viagens de vários países do continente após casos crescentes de covid-19 em alguns países da região, as ações das maiores companhias aéreas e empresas de turismo da Europa tiveram fortes baixas nas bolsas.

Em plenas férias de verão, Reino Unido e França ampliaram seus alertas sobre deslocamentos à Espanha, com os britânicos, inclusive, sendo obrigados a se autoisolarem por 14 dias na volta de viagem ao país ibérico desde o fim de semana. A ministra das Relações Exteriores espanhola, Arancha González Laya, no entanto, garantiu que o país é seguro e que o surto está sob controle.

A irlandesa de baixo custo Ryanair (-4,36%) chegou a ter perdas de mais de 8% mais cedo, depois que relatou prejuízo de 185 milhões de euros após impostos no segundo trimestre do ano, ainda que tenha sido menos do que o esperado pelos analistas do mercado financeiro (232 milhões de euros). A queda de suas ações se deu principalmente porque a empresa cortou sua meta anual de passageiros em um quarto, para 60 milhões de pessoas, e mostrou preocupação de que uma segunda onda de coronavírus poderia diminuir ainda mais esse número. A previsão de maio era de transportar 80 milhões de passageiros, quase metade do total do ano passado (149 milhões de pessoas).

Com esse quadro de aprofundamento das incertezas, os investidores correram para o porto seguro tradicional, que é o ouro. Durante a madrugada, o preço do metal subiu mais de US$ 30 (1,5%), superando os US$ 1.926 a onça-troy.

Depois da divulgação do índice Ifo de sentimento das empresas alemãs, que subiu mais do que o previsto, algumas bolsas ensaiaram recuperação – Frankfurt ainda é das poucas a exibirem alta. O indicador passou de 86,3 pontos em junho para 90,5 pontos neste mês – a expectativa era de alta para 89 pontos.

Além de impactar positivamente os pregões por alguns momentos, o Ifo também teve reflexo instantâneo, mas pontual, sobre o euro, que vem sendo negociado próximo a US$ 1,17. Na madrugada, a moeda comum chegou a ser negociada a US$ 1,1726, a maior cotação em quase dois anos – 22 meses. Segundo analistas, o fortalecimento da moeda se deve também ao acordo fechado na UE na semana passada de um fundo de retomada do continente no valor de 750 bilhões.

Nos EUA, também há expectativa por uma nova lei de alívio à economia local por causa da covid-19 no valor de US$ 1 trilhão, conforme o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, disse a alguns repórteres no domingo e que o partido Republicado deve entregar hoje ao Congresso dos Estados Unidos.

Em maiores detalhes, o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, disse que o pacote fiscal vai incluir uma nova rodada de cheques de US$ 1.200 a cidadãos americanos, a ser paga em agosto, mas que haverá redução no valor nas parcelas seguintes e espera que os democratas tenham celeridade na votação. O governo Trump tem interesse na aprovação da proposta para tentar melhorar sua performance nas pesquisas à eleição presidencial de novembro, que indicam o democrata Joe Biden como favorito a menos de 100 dias do pleito.

Na agenda externa desta semana, os destaques nos próximos dias são os resultados da primeira leitura do PIB norte-americano, da Alemanha e da zona do euro, a decisão de juros do Federal Reserve, com entrevista do seu presidente Jerome Powell, além de uma série de balanços, incluindo Amazon, Facebook, Apple e Boeing.

No Brasil, os destaques locais da agenda serão as dados do emprego com a PNAD e o Caged de junho, os dados fiscais referente a dívida pública federal e o resultado fiscal do tesouro e por fim, os dados de inflação com o IGP-M de Julho.

Na Bolsa, os destaques são os balanços das blue chips Vale e da Petrobras, além de bancos como Bradesco e Santander, que devem movimentar os pregões.

Na pauta política, a comissão mista da reforma tributária deve ser retomada, na quinta-feira. E, no governo, o foco é na troca de comando do Banco do Brasil, após o pedido de demissão de Rubem Novaes, na sexta-feira.

A equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, perde agora também o diretor de programas da Secretaria Especial de Fazenda, Caio Megale, depois da saída do ex-secretário do Tesouro, Mansueto de Almeida, no último dia 15. Megale comunicou que sairá do cargo nesta sexta-feira, 31, para retornar ao setor privado.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

Fonte: Broadcast e Bloomberg

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