PALAVRA DO ECONOMISTA

Morning Call – Bolsas avançam com sinalizações de estímulos

No exterior, as bolsas asiáticas fecharam os negócios desta terça-feira com ganhos robustos, reagindo a medidas de estímulos de bancos centrais e de governos e na expectativa para a possível aprovação de um pacote fiscal trilionário no Congresso dos EUA, todos esforços voltados unicamente para amenizar o impacto econômico do novo coronavírus.

Na Coreia do Sul, o principal índice do país, o Kospi, liderou os ganhos na Ásia, isso se deu após o governo decidir dobrar um pacote de resgate para empresas afetadas pelo coronavírus, para o equivalente a US$ 78,6 bilhões. O índice sul-coreano saltou 8,6% em Seul, a 1.609,97 pontos, registrando o maior ganho diário desde 30 de outubro de 2008.

Antes disso, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anunciou ontem uma série de medidas complementares, em nova tentativa de restabelecer a confiança dos investidores após cortar seus juros para quase zero nas últimas semanas, como parte de uma estratégia para mitigar os estragos causados pela pandemia. A principal iniciativa do Fed foi decidir comprar ativos em volumes ilimitados.

Já o governo dos EUA vem tentando aprovar no Senado americano estímulos fiscais de US$ 1,6 trilhão, apesar da resistência da ala democrata da casa. Nos últimos dias, a proposta foi rejeitada duas vezes, por supostamente favorecer demais as empresas. A esperança é que o governo Trump e o Partido Democrata eventualmente cheguem a um acordo para aprovar o pacote.

Em outras partes da região asiática, o Nikkei subiu 7,13% em Tóquio hoje, a 18.092,35 pontos, garantindo sua maior valorização em um único dia desde fevereiro de 2016, enquanto o Hang Seng avançou 4,46% em Hong Kong, a 22.663,49 pontos, e o Taiex apresentou alta de 4,45% em Taiwan, a 9.285,62 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana seguiu a onda positiva da Ásia, impulsionada principalmente pelo setor petrolífero. O S&P/ASX 200 subiu 4,17% em Sydney, a 4.735,70 pontos.

Na Europa, as bolsas também engataram uma forte alta nesta manhã, devolvendo as perdas dos últimos dias. As negociações, no entanto, recuperam apenas as baixas de curto prazo, já que estão bem distantes do patamar visto quando o coronavírus ainda começava a ganhar o mundo. O Stoxx-600 que já operou acima de 400 pontos no mês passado, agora está em 294,36 pontos, com uma elevação hoje de 4,97%. Por trás dessa melhora do humor, está a desaceleração do Covid-19 na Itália e a perspectiva de uma nova rodada de estímulos monetários e fiscais pelo mundo.

Hoje, os ministros de Finanças da zona do euro farão uma teleconferência para discutir uma resposta conjunta ao coronavírus. Ontem, a área financeira do grupo das 20 maiores economia do mundo (G-20) também se reuniu e prometeu agir, mas não anunciou nenhuma medida prática.

A outra perna que ajuda a explicar a melhora nas bolsas hoje é que pelo segundo dia seguido, a Itália – hoje, o principal foco da pandemia no mundo – registrou uma diminuição no número de novos casos. No Reino Unido, onde os especialistas consideram que a doença está 14 dias atrás da Itália, o governo ampliou o bloqueio no país na noite de ontem para tentar conter a propagação. A Organização Mundial da Saúde (OMS), porém, diz que a pandemia está se acelerando no mundo.

Enquanto isso, começam a sair os primeiros números do impacto da pandemia sobre a atividade europeia. O índice de gerente de compras composto (PMI, na sigla em inglês) da zona do euro atingiu a mínima inédita de 31,4 em março, ante expectativa de queda para 40. O setor de serviços do PMI decepcionou, mas o da indústria não piorou tanto quanto o previsto.

A queda menos acentuada do que o esperado no setor manufatureiro também foi verificado no PMI alemão, que mesmo assim atingiu o menor nível desde fevereiro de 2009. A mesma tendência foi observada no Reino Unido, com a indústria encolhendo menos do que se esperava.

No Brasil, na agenda econômica o destaque desta manhã ficou para as vendas no varejo no mês de janeiro. Segundo o indicador o volume de vendas do comercio varejista caiu 1,0% na comparação contra dezembro, ajustado sazonalmente. Já na comparação contra o mesmo período do ano anterior o avanço foi de 1,3%. Já o varejo ampliado, que incluem as vendas de veículos e material de construção, avançou 0,6% contra dezembro de 2019, na série livre de sazonalidade. Na comparação interanual o avanço do índice foi de 3,5%.

Na seara política, hoje, o Senado vota em sessão virtual, a medida provisória (MP) que flexibiliza débitos de contribuintes com a União, que dá até 70% de desconto do total da dívida de pessoas físicas e jurídicas. E o modus operandi do governo diante do coronavírus segue no foco, sempre com muitos ruídos. O Diário Oficial publicou ontem à noite, em edição extra, a revogação de dispositivo de uma MP que previa a suspensão dos contratos de trabalho por quatro meses sem que houvesse uma compensação definida aos trabalhadores. O recuo do presidente Jair Bolsonaro veio após muitas críticas à MP. O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que houve um “mal entendido”. O ministro justificou ainda dizendo que faltou colocar a complementação ao salário, que poderá ser de 25% da remuneração original ou até um terço para empregados dos setores mais atingidos, como bares, restaurantes e hotelaria.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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