PALAVRA DO ECONOMISTA

Morning Call – Bolsas ensaiam retomada após sinalizações de estímulos por BC e Governos

No exterior, as bolsas asiáticas tiveram uma recuperação parcial no pregão desta sexta-feira, na esteira de múltiplos anúncios de estímulos por bancos centrais e governos do mundo inteiro, embora ainda acumulem pesadas perdas em meio a preocupações com o impacto econômico da pandemia de coronavírus.

Ontem, o Federal Reserve (Fed) anunciou que suprirá dólares a nove bancos centrais que passam dificuldades com a escassez da moeda americana e o Banco da Inglaterra (BoE) voltou a cortar juros. Um dia antes, o Banco Central Europeu (BCE) revelou um novo programa de compra de ativos no valor de 750 bilhões de euros.

Nas últimas semanas, grandes BCs e governos vêm lançando pacotes monetários e fiscais, numa tentativa de amenizar os efeitos do coronavírus.

Hoje, porém, o BC chinês (PBoC) decidiu manter inalteradas suas taxas de juros de referência para empréstimos, uma vez que o pior da crise de coronavírus na China – onde a doença teve origem – aparentemente já passou. A taxa de 1 ano permaneceu em 4,05% e a de cinco anos, em 4,75%.

Em linha com o mercado asiático, as bolsas europeias se recuperam e o Stoxx-600 subia aproximadamente 3% mais cedo refletindo a alta generalizada das bolsas no continente mesmo com a proximidade do fim de semana. A Europa passou a ser o epicentro da pandemia global e o número de mortes da Itália – que conta com grande parte de idosos no total de sua população – já supera o da China, onde a doença se iniciou.

Ontem foi a vez de o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) também engrossar a corrente ao lançar uma série de novas medidas para auxiliarem o setor bancário – e consequentemente o produtivo – a passar por esse momento de incertezas em relação ao surto. Na quinta-feira, o BC inglês anunciou um grande programa de compra de títulos e cortou mais juros e hoje aliviou regras prudenciais e de supervisão para as instituições financeiras – incluindo a suspensão do teste de estresse em 2020. Prometeu ainda que poderá trazer novas medidas na semana que vem em relação ao aperto nas normas de provisões previstas para serem implantadas ao longo do ano.

De indicadores macroeconômicos, foi conhecido hoje o índice de preços ao produtor (PPI) da Alemanha, que caiu 0,4% de janeiro para fevereiro.

No Brasil, as atenções estão hoje na revisão da Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 pelo governo, que pode ficar em zero, embora muitos analistas já esperem contração da atividade. Ainda na agenda local, o BC faz hoje operações compromissadas em moeda estrangeira mediante a venda de títulos soberanos, com simultânea assunção, pelo BC de compromisso de recompra de títulos com as mesmas características em data futura. O Tesouro também realiza leilões extraordinários de compra e venda de LTN e NTN-F e de compra e venda de NTN-B.

A ação coordenada do BC e Tesouro ajudou ontem a colocar o dólar em baixa, a R$ 5,10, mas os juros subiram diante da percepção de comunicado mais hawkish do Copom.

E o Senado vota o decreto de calamidade pública que permite ao governo ampliar gastos. Todas as medidas que vêm sendo adotadas pelo governo para ajudar a economia ou impedir a disseminação do coronavírus ficam no foco. E o investidor também monitora o aumento de casos de coronavírus ao redor do presidente Jair Bolsonaro uma vez que chegou a 22 o número de pessoas que participaram da viagem do presidente aos Estados Unidos na semana passada e agora estão infectadas.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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