PALAVRA DO ECONOMISTA

Morning Call – Bolsas retomam cautela à espera dos dados de emprego dos EUA

No exterior, as bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta quinta-feira, após acumularem ganhos nos dois pregões anteriores, à espera de novos dados do mercado de trabalho americano que deverão evidenciar o forte impacto econômico da pandemia de coronavírus.

Nos últimos dois dias, os mercados asiáticos se valorizaram em meio a notícias sobre estímulos fiscais para combater os estragos do coronavírus na economia, em especial um megapacote de cerca de US$ 2 trilhões que o governo dos EUA apresentou ao Congresso. A proposta da Casa Branca foi aprovada no Senado americano nesta madrugada e segue agora para a Câmara dos Representantes.

No entanto, os investidores voltam sua atenção agora para os danos do coronavírus e, por isso, vão acompanhar de perto na manhã desta quinta a pesquisa semanal dos EUA sobre pedidos de auxílio-desemprego, que deverá mostrar um expressivo acréscimo. Mais cedo, indicadores da Alemanha e do Reino Unido deixaram claro como a doença já está afetando a confiança e a atividade na Europa.

A Europa, vem sendo criticada pela falta de uma resposta coordenada da região em relação ao surto, ainda que medidas tenham sido anunciadas por vários governos locais. Hoje, líderes da União Europeia (UE) vão discutir o tema em uma cúpula virtual. Também por teleconferência, está prevista para hoje uma reunião dos líderes das 20 maiores economias do globo (G-20).

Após ter flexibilizado sua política monetária duas vezes este mês de forma extraordinária e lançado pacotes para fomentar a atividade britânica, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) tem reunião formal hoje. A instituição vem dizendo que não fará como outras autoridades que levaram seu juro (atualmente de 0,10% ao ano) para o terreno negativo, mas há a expectativa de que diga que está pronto para tomar mais medidas radicais para sustentar a economia local. Espera-se, por exemplo, um aumento de seu programa de flexibilização quantitativa (QE, na sigla em inglês). Este é o primeiro encontro previsto na agenda do BoE que contará com Andrew Bailey como seu presidente – ele assumiu há menos de duas semanas no lugar de Mark Carney.

Os dados macroeconômicos do continente previstos para hoje já foram divulgados. Na Alemanha, o índice de confiança do consumidor GfK caiu de 8,3 pontos em março para 2,7 na pesquisa de abril – este é o menor nível desde maio de 2009 e ficou bem abaixo das expectativas dos analistas (recuo para 7,5). No Reino Unido, também houve frustração das previsões do mercado em relação às vendas no varejo, que caíram 0,3% de janeiro para fevereiro. A estimativa era de alta de 0,3%.

No Brasil, o destaque desta manhã foi a publicação do IBC-BR de janeiro que após recuar 0,38% em dezembro (dado revisado), subiu 0,24% na série com ajuste sazonal.

Na comparação entre os meses de janeiro de 2020 e janeiro de 2019, houve alta de 0,69% na série sem ajustes sazonais.

Na seara política, após aprovação de grandes pacotes de estímulos fiscais no exterior, o Congresso também se mexe para votar a pauta relacionada ao coronavírus. O número de mortos com a doença subiu ontem para 57 e de ao menos 2.433 casos de infectados pela covid-19 no País.

Hoje, a Câmara pode votar um auxílio emergencial para os trabalhadores informais e pessoas com deficiência, o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Lideranças na Câmara tentam um acordo para elevar o auxílio a R$ 500 mensais dos R$ 300 que o governo concordou em conceder. E o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou ontem que a partir de segunda-feira, o texto da proposta de emenda à Constituição do chamado “orçamento de guerra” deve estar pronto para começar um debate na Casa.

Em relação às controvérsias envolvendo o Presidente da República em relação ao isolamento social, os Governadores reiteraram ontem que manterão a quarentena em seus Estados. Já Rodrigo Maia voltou a criticar Bolsonaro por sinalizar que a quarentena deve acabar, mas disse que não vê motivos para a abertura de um processo de impeachment. O vice-presidente Hamilton Mourão, disse ontem que “a posição do nosso governo, por enquanto, é uma só: isolamento e distanciamento social”. E Bolsonaro afirmou na noite desta quarta-feira que não quer “descaso” com a pandemia do novo coronavírus, e sim “a dose adequada para combater esse mal sem causar um ainda maior”.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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