PALAVRA DO ECONOMISTA

Morning Call – Desaceleração de Covid-19 no mundo, desistência do Sen. Bernie Sanders à corrida eleitora dos EUA e IPCA de março no destaque desta manhã

No exterior, as bolsas asiáticas voltaram a subir nesta manhã após rali em Wall Street, que ontem chegaram a saltar mais de 3%, não apenas com a perspectiva mais favorável do coronavírus mas também depois de o senador Bernie Sanders decidir abandonar a corrida presidencial dos EUA, abrindo o caminho para que o ex-presidente Joe Biden seja o candidato do Partido Democrata à Casa Branca.

Na China continental, o índice Xangai Composto subiu 0,37% hoje e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,85%.
O coronavírus se espalha rapidamente pelo mundo, tendo infectado mais de 1,4 milhão de pessoas e causado em torno de 87,5 mil mortes, mas desde o fim da semana passada têm surgido sinais de avanço mais lento do número de casos e mortes na Ásia, nos EUA e em partes da Europa.

Na Europa, o clima também é positivo, com a perspectiva de que, finalmente, o Eurogrupo e o setor de petróleo possam chegar a um acordo sobre medidas para atenuar os impactos da Covid-19.

Depois de um dia de fracassos na formação de um consenso, o Eurogrupo pode anunciar hoje medidas conjuntas para que a região lide com o impacto da pandemia sobre a economia. Além disso, há também a torcida por uma afinação das ideias hoje dos membros da Opep+, grupo que reúne a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e mais 10 aliados. Amanhã, é o grupo das 20 maiores economias do globo (G20) que discutirá o tema. Os contratos futuros da commodity sobem com especulações em torno de novos cortes de oferta.

Sobre o coronavírus na região, ontem, o Reino Unido contabilizou o maior número de mortes diárias (938) por causa da doença, superando o teto da Itália (919), até aqui o país europeu mais atingido pelo coronavírus. O estrago, no entanto, já é sentido nas contas públicas britânicas e o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) anunciou que financiará o Tesouro temporariamente por causa dos gastos extraordinários do governo com medidas para conter a Covid-19 e minimizar seu impacto sobre a economia. O primeiro-ministro Boris Johnson, que foi contaminado pela doença, melhora, mas segue na UTI, e a expectativa é a de que a quarentena prossiga no país.

Na seara macroeconômica, alguns indicadores foram divulgados pela manhã, mas todos ainda referentes ao período anterior à pandemia, como o superávit comercial de 21,6 bilhões de euros da Alemanha em fevereiro e o déficit comercial de bens britânico de 11,5 bilhões de libras no mesmo mês. Também foi conhecido o resultado da produção industrial do Reino Unido, que subiu 0,1% de janeiro para fevereiro ante expectativas de elevação um pouco maior, de 0,03%.

Ainda na agenda, fica a divulgação da ata do Banco Central Europeu (BCE), e o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, às 11 horas.

Nos Estados Unidos, fica também no radar os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA durante a semana encerrada no dia 4. O resultado foi de 6,6 milhões de novos pedidos. Tal resultado eleva ainda mais o recorde do país, depois de duas semanas de números colossais de pedidos de ajuda, de 9,9 milhões no total.

No Brasil, a Câmara dos Deputados pode votar o plano de socorro a Estados e a Caixa vai anunciar novas medidas para o crédito imobiliário. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que fará palestra em encontro fechado com investidores por teleconferência, também é monitorado. Aos poucos ele vem sinalizando que o BC pode ser comedido nos cortes da Selic. Ontem, a curva de juro precificava 65% de chance de corte de 50 pontos-base e 35% de possibilidade de queda de 25 p.b.

Na agenda desta manhã fica também no destaque o IPCA de março que apresentou taxa de inflação 0,07%, e com este resultado o índice acumula alta de 3,30% ante 4,00% no mês anterior.

Na política, as rusgas entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, parecem ter sido postas de lado. O preço pago por Mandetta está sendo se alinhar mais às opiniões do presidente, especialmente com relação ao uso da cloroquina para tratar os infectados pelo covid-19. O ministro disse ontem que foi liberado o uso do medicamento tanto para pacientes críticos como para todos os internos em hospitais. Ontem, o Brasil chegou a 800 mortes e quase 16 mil pessoas infectadas pelo coronavírus. Em pronunciamento ontem, o quinto sobre coronavírus, Bolsonaro voltou a colocar o risco do covid-19 lado a lado com o risco de desemprego e voltou a defender o afrouxamento da quarentena, afirmando que é isso que o povo quer. O Datafolha, em pesquisa divulgada ontem mostra que 76% da população concorda com o isolamento social. Em movimento contrário à possibilidade de relaxamento da quarentena pelo Governo Federal, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes decidiu que Estados e municípios têm autonomia para adotar medidas de isolamento social, quarentena, suspensão de atividades de ensino, restrições de comércio, atividades culturais e à circulação de pessoas, entre outras, independentemente de ordens contrárias do governo federal.

Sobre o auxílio emergencial, a corrida pelo auxílio de R$ 600 já levou mais de 27 milhões de brasileiros a finalizar o cadastro para solicitar o benefício.
Sobre a possibilidade de pautas bombas, o Senado Federal, no entanto têm mostrado recuo neste quesito, pois avalia desistir de votar projetos de lei que representam impacto fiscal relevante para o Executivo federal. Nesta quarta-feira, 8, os senadores tiraram da pauta uma proposta que suspendia o pagamento de alguns impostos por empresas durante a pandemia de covid-19. Outra proposta em pauta, criando uma linha de crédito de R$ 270 bilhões para empresas, também poderá deixar de ser votada nesta quarta.

O projeto emergencial de auxílio aos Estados e municípios, apresentado ontem no plenário da Câmara tem um impacto de R$ 159,7 bilhões, de acordo com o mais novo cálculo de técnicos do governo.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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