PALAVRA DO ECONOMISTA

Morning Call – Exterior misto com dados de atividade e avanço de contaminação nos EUA

No exterior, as bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam em alta generalizada pelo segundo pregão seguido nesta sexta-feira, à medida que indicadores positivos da China e dos EUA reforçaram esperanças de que a economia global se recupere do choque do coronavírus em ritmo mais rápido do que se previa inicialmente.

Pesquisa da IHS Markit em parceria com a Caixin Media mostrou que os índices de gerentes de compras (PMIs) composto e de serviços da China alcançaram em junho os maiores níveis em uma década, chegando a 55,7 e 58,4, respectivamente, em mais uma indicação de que a segunda maior economia do mundo está superando o violento impacto da covid-19.

Ontem, o mercado de trabalho dos EUA já havia surpreendido positivamente com a criação de 4,8 milhões vagas em junho e queda da taxa de desemprego, de 13,3% para 11,1%.

Permanece no radar, contudo, o forte aumento do número de infecções por coronavírus nos EUA, que ocorre em meio à reversão de medidas de isolamento. Foram mais de 50 mil novos casos apenas na quarta-feira (01), um novo recorde. Nesta sexta, os mercados americanos não vão operar por causa do feriado do Dia da Independência.

Na Europa, por outro lado, as bolsas operam com viés pouco mais negativo. A política na França ganha as atenções, com a renúncia do primeiro-ministro Édouard Philippe.

Na agenda da zona do euro, o PMI composto teve alta de 31,9 para 48,5 nos mesmos meses, atingindo o maior nível dos últimos quatro meses e superando o dado preliminar de 47,5. Na Alemanha, a maior economia do continente, o PMI composto teve alta de 32,3 em maio para 47 em junho, acima da leitura prévia de 45,8.

No Reino Unido, o PMI de serviços avançou de 29 em maio para 47,1 no mês passado, um patamar ligeiramente mais elevado do que apontavam as projeções do mercado, de 47. Na medição do índice composto, a elevação foi de 30 para 47,7, também um pouco acima do dado preliminar de 47,6.

Na cena política da região, a saída de Philippe dá início a uma reforma do governo destinada a reacender a presidência de Emmanuel Macron dois anos antes das eleições presidenciais. Seus primeiros três anos no Champs-Élysées foram marcados por algumas reformas econômicas polêmicas, protestos antigovernamentais dos coletes amarelos e a pandemia que matou quase 30 mil pessoas, desencadeando uma profunda recessão. “Precisamos traçar um novo caminho”, disse Macron em entrevista a jornais franceses hoje.

No Brasil, o mercado deve monitorar a participação do diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, em evento virtual sobre com o cenário macroeconômico e pandemia, nesta manhã. Também ficam no radar eventuais informações de uma reunião fechada, por videoconferência, do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e os presidentes da Caixa e do BNDES, à tarde.

Pode gerar ruído político a afirmação do presidente Jair Bolsonaro, em rede social ontem à noite, de que fará uma consulta popular para decidir o que será e o que não será vetado, se o projeto de lei das fake news for aprovado também pela Câmara, após ter passado no Senado esta semana. “O Parlamento pode [derrubar os vetos], se entender que tem que ser derrubado, faz parte da regra do jogo”, afirmou o presidente.

Ele disse ainda que o governo não poderá estender mais o auxílio emergencial, que terá duas parcelas adicionais de R$ 600, porque o benefício aumenta da dívida brasileira em R$ 50 bilhões por mês e pediu novamente a governadores e prefeitos que reabram os comércios, ignorando o fato do País ter superado 1,5 milhão de casos de coronavírus ontem e um total de quase 62 mil mortes pela doença.

A Caixa ainda precisa definir o calendário de pagamento das parcelas adicionais do auxílio emergencial. A mulher de Fabrício Queiroz, Marcia Aguiar, segue foragida e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, e a mulher dele, Fernanda, foram intimados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) a prestarem depoimento na próxima semana na investigação sobre o esquema de “rachadinha”, a devolução do salário de assessores que supostamente vigorava no gabinete de Flávio enquanto ele era deputado estadual no Rio.

O Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc), do MP-RJ, agendou o depoimento de Fernanda Bolsonaro para segunda-feira (6), enquanto o senador deve escolher entre a segunda ou a terça-feira (7), conforme preferir.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

Fonte: Broadcast e Bloomberg

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